O presidente da Assembleia da República já reagiu à manifestação de dezenas de negacionistas que cercaram o restaurante onde Ferro Rodrigues almoçava com a mulher e o insultaram no passado sábado. Em declarações à revista Visão prestadas esta segunda-feira, Ferro sublinhou apenas que a situação se trata de um “crime público”. E acrescentou: “Espero que PGR cumpra o seu dever”.

A PSP já tinha decidido enviar para o Ministério Público tudo o que registou sobre os insultos de dezenas de negacionistas ao Presidente da Assembleia da República, para eventual abertura de um inquérito-crime. Ao Observador, a Direção Nacional desta polícia esclarece que irá “participar os factos”, acrescentando que “por ora, não [fará] outros comentários”.

Como o Observador noticiou, várias dezenas de negacionistas fizeram uma manifestação este sábado com o mote “Pelas nossas crianças – Rumo à Liberdade”, tendo acabado por cercar um restaurante junto à Assembleia da República, onde perceberam que Eduardo Ferro Rodrigues estava a almoçar com a mulher. Durante largos minutos, filmaram e insultaram o presidente da AR, munidos de um megafone e de inúmeros apitos e buzinas.

Ferro Rodrigues insultado por dezenas de manifestantes negacionistas

Sob gritos de “assassino”; “ordinário”; “não toca na Constituição”; “ditadura, não, liberdade, sim”, Ferro Rodrigues continuou a almoçar, enquanto cada vez mais pessoas se aglomeravam junto à porta do restaurante. “Olha que não são esses dois capangas que te protegem, podes ter a certeza!”, gritou uma das manifestantes mais efusivas, de megafone em riste, quando um dos seguranças que acompanhava a segunda maior figura do Estado se aproximou da mesa.

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“Este restaurante está marcado, nunca mais nenhum cliente deste restaurante vai ter paz”, continuou depois a gritar, enquanto à volta, dá para perceber nos vídeos entretanto colocados nas redes sociais, outros manifestantes iam fazendo comentários jocosos sobre o vinho que o Presidente da Assembleia da República estava a beber e a proveniência do dinheiro com que, no final, pagou a refeição — “Olha, a pagar com o dinheiro dos contribuintes!”.

Apupado no exterior, desde o momento em que saiu do restaurante até que entrou no carro que o esperava, Ferro Rodrigues, de 71 anos, não respondeu à multidão, que entretanto crescera, e entoava gritos de “Respeito! Respeito”.