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Moedas atira-se a Medina e ao socialismo da "arrogância, prepotência, falta de transparência e impunidade"

Este artigo tem mais de 1 ano

Apelar ao voto útil, tentar provar o caráter excecional da candidatura e fazer de Lisboa um cartão amarelo ao socialismo. Moedas aproveitou o primeiro dia de campanha para reforçar o ataque a Medina.

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Jose Fernandes

Jose Fernandes

Naquela que foi a sua primeira ação no período oficial de campanha, Carlos Moedas encheu o Teatro Trindade, em Lisboa, para se atirar ao último e derradeiro esforço de derrotar Fernando Medina. Com quase uma hora de atraso, o candidato social-democrata entrou no teatro aos gritos de uma falange empenhadíssima de jotas e ao som de “Busy Earnin‘”, dos Jungle. Letra e música que deixam pouca margem para segundas interpretações: Moedas ainda acredita que é possível derrotar Fernando Medina.

O filão, esse, está encontrado desde o minuto em que a campanha em Lisboa se tornou mais pessoal do que política, bem mais dura no tom e nos termos do que aquela que o candidato que se comprometera a fazer “política de forma diferente” tinha projetado. Moedas está no ringue e vai levar o combate até ao fim.

Prova disso mesmo foi que, depois de fazer os naturais cumprimentos da praxe, Moedas aproveitou o primeiro minuto do discurso para se agarrar (metaforicamente) aos colarinhos de Medina, o rosto-mor da “arrogância, prepotência, falta de transparência e impunidade” que governa Lisboa há quase duas décadas.

A partir daí, Moedas foi pintando o seu discurso sobre a mudança de defende para Lisboa (mais transparente, com menos impostos, transportes gratuitos para mais velhos e mais jovens, acesso à saúde para quem precisa, condições de habitação para os mais jovens), com ataques diretos ao adversário: “É um socialismo que só se ocupa dos amigos, do compadrio, um socialismo de fação.”

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JOSÉ FERNANDES/OBSERVADOR

Sabendo que, de acordo com todas as sondagens até agora divulgadas, ainda está atrás de Fernando Medina, Moedas aproveitou ainda o seu primeiro discurso de campanha para tentar bipolarizar a corrida e apelar ao voto útil (“Se querem mudar só podem votar ‘Novos Tempos’. Somos os únicos que podem fazer essa mudança”), tentou pôr-se acima do homus politico por oposição ao adversário direto (“Sou um político diferente, que vem de uma vida diferente”) e, finalmente, tentou também vender o sonho de uma viragem do país à direita a partir de Lisboa.

“Podemos abrir aqui uma esperança para os nossos filhos. São tantos anos dos mesmo, na Câmara e no Governo, a culpabilizar o passado do passado, sem nunca terem culpa. Esta mudança começa hoje e começa em Lisboa“, atirou.

Uma mensagem repetida minutos antes por Isabel Ayuso e Adolfo Mesquita Nunes (que se juntaram em formato digital), mas também por Pedro Simas, candidato a vereador, e Isabel Galriça Neto, cabeça de lista à Assembleia Municipal de Lisboa: a direita, uma parte da direita pelo menos, sonha com uma vitória na capital para precipitar o fim de ciclo de António Costa e do PS.

“Estamos prontos ou não estamos prontos?”, perguntou por três vezes Carlos Moedas, antes de se despedir com a promessa de lutar em “cada porta, em cada bairro e em cada freguesia“.

Deixou o Teatro da Trindade som de “Heroes“, de David Bowie, engolido pelos abraços dos apoiantes e os gritos da jota de “Moedas a presidente”. Resta saber se terá o golpe de asa para derrotar Medina.

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