A administração da mutualista Montepio divulgou esta quarta-feira, finalmente, as contas consolidadas relativas ao ano de 2020 – foram 86 milhões de euros de prejuízo. Em base individual, como o Observador noticiou no final de abril, as perdas foram de quase 18 milhões de euros, mas a contabilização das perdas do Banco Montepio (81 milhões) agravou o resultado consolidado da mutualista onde participam 600 mil portugueses e que vai a eleições no final deste ano – 17 de dezembro, foi agora revelado.

“Em 2020, o resultado líquido consolidado do MGAM [Montepio Geral Associação Mutualista] foi negativo, em -86 milhões de euros, valor muito superior aos -18 milhões de euros registados em base individual, devido, sobretudo, aos efeitos extraordinários do contexto pandémico nos resultados líquidos consolidados do Banco Montepio, que atingiram -81 milhões de euros, designadamente, por via dos montantes extraordinários de imparidades de crédito constituídas, entre outros efeitos adversos”, pode ler-se no documento. No ano anterior, tinha havido um lucro de 6 milhões.

O Banco Montepio não só teve um desempenho pior do que o setor em 2020 como também no primeiro semestre de 2021 foi o único banco relevante do setor a registar prejuízos. Foram, porém, prejuízos que a liderança executiva da instituição considera estarem “em linha com as metas de execução previstas no plano de ajustamento operacional”.

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O banco representa 86% do ativo consolidado da MGAM, o que é um dos problemas que a mutualista terá na adaptação às regras das seguradoras, nos termos da legislação aprovada no governo anterior, também liderado por António Costa. É necessária uma redução drástica: essa exposição tem de baixar para um máximo de 10%, segundo o artigo 67º do novo código, que entrou em vigor em 2018, mas que prevê um período de transição e adaptação até 2030. Como noticiou o Observador em maio, o Governo estará a preparar uma mudança na lei para resolver o problema.

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Tal como no ano passado, o auditor colocou reservas às contas, uma “bomba atómica” que contesta o polémico “bónus fiscal” que tem mantido a mutualista à tona de água – isto é, cerca de 800 milhões de euros de ativos por impostos diferidos que a PwC contesta, no sentido em que duvida que a instituição consiga utilizar como prevê. Sem esse “ativo contabilístico”, o capital da mutualista é negativo em mais de 500 milhões de euros.

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A mutualista é atualmente liderada por Virgílio Lima, que “herdou” a presidência após a saída de António Tomás Correia. Este último, recentemente, indicou que não irá apoiar a lista “institucional” às próximas eleições, em que Lima se recandidata – uma decisão tomada “com base no acompanhamento que faço da vida da associação através da informação pública e das notícias da imprensa”.

Tomás Correia não indicou, porém, apoio a qualquer uma das outras três listas, apesar de uma delas ser liderada por um alto quadro do Montepio que trabalhou com Tomás Correia e chegou a ser indicado para a liderança executiva do Banco Montepio, acabando “vetado” pelo Banco de Portugal.

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