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Final da tarde de domingo com a lua cheia a avistar-se sobre o Tejo em Marvila, na Fábrica do Braço de Prata. Este foi a hora e o local escolhido para o jantar-comício da candidata Ossanda Liber, que encabeça o movimento cívico “Somos Todos Lisboa”, tendo tido a presença de um grupo de fados, de Tonecas Prazeres e ainda do cantor angolano Bonga.

Antes do jantar comício que reuniu mais de uma centena de pessoas, Bonga ensaiava no palco de uma tenda montada no exterior da Fábrica de Prata, onde Ossanda Liber também tem a sua sede de campanha — uma sala com paredes azuis escuras com vários quadros coloridos. Com um microfone ao centro, é ali que a candidata espera celebrar no próximo domingo.

Na Fábrica de Prata, ouviam-se instrumentos, sons de microfones e um engenheiro de som a dar ordens. Começavam a chegar cada vez mais convidados enquanto anoitecia. À entrada da tenda, alguns jovens envergavam as bandeiras do movimento e davam às boas-vindas a quem chegava.

Foi apenas quando Ossanda Liber chegou que as luzes da tenda se acenderam e o jantar comício começou verdadeiramente. Cumprimentou quase todos os presentes e depois falou aos jornalistas, tendo voltado a destacar os três pilares da sua candidatura: inclusão, igualdade e amor a Lisboa. “São a nossa base do trabalho”, assume, acrescentando que a candidatura vai continuar “a insistir para os lisboetas se aperceberem que estamos no caminho para lhe darmos melhores condições e qualidade de vida”.

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A habitação foi outros dos tópicos que a candidata destacou, sinalizando que as “propostas de habitação estão mal geridas pela autarquia” da capital. A cultura e o desporto foi outros dos assuntos que fez questão de insistir. “Temos pensado muito relativamente aos jovens”, relata, assinalando que a própria tem dois filhos entre os 18 e os 20 anos que a ajudam a entender “o que eles precisam neste momento”.

“Nós imaginamos jovens cultos, com a mente sã no futuro”, sendo eles que “vão cuidar dos país no futuro”, vincou Ossanda Liber, que depois apresentou algumas propostas da campanha, tal como um cheque cultura para incentivar os mais novos a irem ao teatro, a exposições de arte e a museus. “É importante para a formação de personalidade, entretêm-nos e afastá-los das redes sociais”, o que também será feito através do desporto: “Queremos requalificar os bairros para fornecer equipamentos de desporto”.

Depois de apresentadas as bandeiras da candidatura, o jantar começa a ser servido, enquanto Tonecas Prazeres, também candidato à Assembleia Municipal pelo movimento “Somos Todos Lisboa”, cantava. Seguiu-se um momento de fado de Sandra Camilo e Rui Rocha, que interpretaram canções como “Lá Vai Lisboa”, “Lisboa, Menina e Moça” e “Laurindinha”.

Foi com “Cheira bem, cheira a Lisboa”, que Ossanda Liber foi a palco discursar, já praticamente todos os presentes tinham acabado de jantar. “Como é que é possível gostar-se tanto de uma cidade?”, questiona-se, fazendo depois menção de que não nasceu na capital. Mas o coração da candidata é “grande”, onde também cabe mais duas cidades — Paris e Luanda. “Mas porquê Lisboa?”, interroga-se, respondendo depois: “Porque foi a cidade em que moro, que escolhi para constituir família, onde tenho os meus amigos. Faz todo o sentido que seja sobre esta cidade que escolhi para dedicar os meus próximos tempos”.

A candidata disse que o “projeto surge pela constatação de que a política está cada vez mais distanciada dos cidadãos, o que é mau” e Ossanda Liber quis colmatar esta falha e ir ao encontro “daquilo que são as reais necessidades e as expectativas de Lisboa”. Num curto discurso, reconheceu que os presentes estavam à espera do Bonga — e terminou a intervenção repetindo “Somos Todos Lisboa”.

Antes do espetáculo, Bonga referiu ao Observador que Ossanda Liber representa uma “Lisboa multicor” e lançou-lhe rasgos elogios: “Tem força, talento, mas sobretudo tem uma vivência solidária com este recanto que é Lisboa”. Uma candidatura deste tipo já “não era sem tempo” na capital para “acompanhar as outras capitais da Europa”, indica.

“É uma mulher prá frentex em todos os sentidos da palavra, é descomplexada e inteligente”, assinala ainda Bonga, que pôs todos os presentes a cantar as suas músicas.