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A NBA é a liga de basquetebol mais conhecida do planeta, com os maiores craques da modalidade. Já teve Bill Russel, Larry Bird ou Magic Johnson; Michael Jordan tornou o desporto efetivamente global e, hoje em dia, jogadores como LeBron James, Kevin Durant, Giannis ou Stephen Curry são atletas reconhecidos universalmente, autênticas marcas representadas por um homem só. Em suma, além de uma bola, cinco jogadores de cada lado e duas tabelas com cestos, a NBA é algo que mexe com muito, muito dinheiro.

Nessa lógica, um desporto e uma liga desta magnitude conseguem contratos chorudos ao nível de direitos televisivos (e não só), sendo que já não falta muito tempo para os atuais acordos da NBA terminarem. Negociações já existem certamente e as alterações, se muito significativas, podem ser autênticas pedras no charco no paradigma do desporto. Se, como esperam alguns meios especialistas, a liga norte-americana de basquetebol, liderada pelo comissário Adam Silver, conseguir triplicar as receitas das transmissões dos jogos, isso vai impactar brutalmente as 30 equipas e os seus jogadores e futuros contratos.

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Em 2014, o contrato assinado, que entrou em efeito em 2015/2016 e acaba em 2025, era avaliado em cerca de 24,5 mil milhões de euros durante os nove anos que duraria (e ainda dura). Agora, foi noticiado pela CNBC que a NBA está em negociações com a ESPN e a Turner Sports para um novo contrato e que procura aproximadamente 64 mil milhões de euros para os próximos nove anos, o que significaria mais cerca de 4,9 mil milhões de euros a serem distribuídos pelas equipas. Com um teto salarial fechado, controlado e com um enorme conjunto de regras, estes novos valores, a confirmarem-se, seriam um autêntico boom no que as equipas poderiam oferecer e, claro está, no que (alguns) jogadores podem vir a receber.

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Assim, as 30 equipas teriam um limite de cerca de 145 milhões de euros ao invés de 100. Mesmo para valores avultados parece uma conta linear, mas viria a mudar tudo o que as equipas poderiam quer fazer e os atletas, cada vez mais “mandões” na NBA, obter. Veja-se. Ao saber que pode receber mais dinheiro a partir de 2025, porque os limites salariais aumentam, um jogador pode não querer comprometer-se com uma equipa para lá desse ano, optando por assinar contratos mais curtos ou adicionar cláusulas que lhe permitam sair do contrato no referido ano. Enquanto isto é bastante volátil para um qualquer jogador que queira “apenas” acreditar em si e testar o mercado dos free agents (jogadores sem equipa), para os melhores jogadores da NBA será sinónimo de mais dinheiro porque estes são, invariavelmente, os mais bem pagos.

Dizem os especialistas que depois de Stephen Curry, dos Golden State Warriors, ter assinado em 2017 o primeiro contrato válido para lá dos 200 milhões de dólares (170,7 milhões de euros), a confirmaram-se os números estimados, um “novo Curry” poderia chegar aos 300 milhões de dólares (cerca de 255 milhões de euros) ou até a um valor superior, dada a maneira como os contratos e o aumento de ordenado a cada ano de contrato funcionam.

Os números podem parecer astronómicos (e são), mas há desportos que fazem ainda mais dinheiro garantido dos seus contratos televisivos, mesmo ao lado da NBA. A NFL (liga norte-americana de futebol americano) assinou em março passado um contrato de 11 anos que vale mais de 85 mil milhões de euros (os almejados 100 milhões de dólares). Este novo contrato, assinado com a CBS, NBC, Fox, ESPN e Amazon, pressupõe money in the bank da NFL até 2033. Na altura, foi dito que este acordo poderia abrir caminho a que a fase regular da NFL tivesse mais um jogo (17), o que se concretizou mas, acima de tudo, é um contrato que permite à liga continuar o seu projeto de globalização visto que, já desde há vários anos, além de jogos pelo continente americano, existem também encontros na Europa.

Este contrato ajudou ainda a amainar os custos e perdas, visto que a pandemia terá roubado cerca de 3,4 mil milhões de euros à NFL só pelo facto de os estádios não estarem cheios em 2020. Ainda nos EUA, a MLB (beisebol) vai conseguir entre 2022 e 2028 mais de 10,2 mil milhões de euros. A MLS (soccer, o nosso futebol europeu para os norte-americanos) tem um contrato que acaba em 2022 e é de “somente” 500 milhões de euros durante os sete anos que durou e o ano que ainda falta. Este ponto é, aliás, um dos mais importantes no desenvolvimento do futebol nos EUA e Canadá, com a modalidade a procurar, à boleia de figuras como David Beckham, por exemplo, catapultar os valores dos direitos televisivos, entre outros. A Premier League inglesa, por exemplo, anunciou em maio ter renovado os direitos com Sky, BT e Amazon, por cerca de 5,7 mil milhões de euros, num contrato que irá desde 2022 até 2025.