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Mais de quatro mil estudantes regressaram esta segunda-feira à escola em três concelhos da ilha de La Palma, onde o vulcão Cumbre Vieja está em erupção desde 19 de setembro. Mas alguns tópicos do plano de atuação delineado para enfrentar as emissões vulcânicas são contraditórias em relação ao plano das autoridades de saúde para enfrentar a pandemia de Covid-19.

Por exemplo, as autoridades de saúde preferem que as janelas sejam abertas para garantir o arejamento dos espaços fechados e assim colmatar a transmissão do coronavírus, mas o plano de atuação referente ao vulcão recomenda que as salas de aula sejam isoladas para evitar o contacto com os piroclastos e gases emitidos pelo Cumbre Vieja.

Cientes desta “contradição” — a expressão que os próprios planos utilizam —, as autoridades indicaram à comunidade escolar que as medidas devem depender do índice de qualidade de ar: se ele for considerado “desfavorável”, “muito desfavorável” e “extremamente desfavorável”, não só as janelas devem ser mantidas fechadas, como devem ser isoladas com toalhas molhadas ou fitas adesivas.

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Foi o que aconteceu esta segunda-feira em Los Llanos de Aridane, El Paso e Tazacorte, em que os estudantes não foram sequer autorizados a saírem das salas de aula para passarem os intervalos nos recreios. A avaliação da qualidade do ar nestes três concelhos de La Palma diziam esta segunda-feira que ela era “desfavorável”.

Ainda assim, as últimas avaliações do Comité Técnico do Plano de Emergências Vulcânicas das Canárias diziam que o Cumbre Vieja estava a entrar numa fase de “estabilidade e lentidão”; e que nenhum dos rios de lava ameaçavam chegar esta segunda-feira ao mar — a língua de lava mais próxima da água está a apenas 160 metros da água, mas a velocidade está mais lenta. No entanto, uma delas ameaça a localidade de La Laguna, que já foi evacuada a 13 de outubro.

Mas a sismicidade continua a ser considerada “elevada”: entre a meia-noite e as 19h, contabilizaram-se cerca de 60 pequenos terramotos, nenhum deles com magnitude acima dos 4 na escala de Richter e sempre em profundidades que rondam os 10 a 15 quilómetros. Apesar de terem sido pouco percecionados pela população, as autoridades preparam-se para que algum possa desencadear um novo desabamento num dos flancos do vulcão.

Os últimos dados indicam que o vulcão já foi responsável pela destruição de quase 2.000 edifícios e que as línguas de lava já cobrem 763,32 hectares. A rede Copérnico, o programa de observação da Terra financiado pela União Europeia, avaliou esta erupção do Cumbre Vieja como a mais importante desde 1585