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O CDS e o Chega apresentaram projetos para assinalar o 25 de novembro, com o Chega a querer ir mais longe ao sugerir um feriado nacional. Nenhuma das propostas tem, no entanto, hipóteses de ser aprovada na votação desta sexta-feira. Em busca do consenso, os centristas até disseram que a sessão evocativa “pode ser no formato que o Parlamento e os deputados entenderem”, mas o único consenso que gerou foi à esquerda, que esteve unida e que acusou estas iniciativas de “oportunismo”. Pelo meio, o PAN, que frisa não ser de esquerda nem de direita, ainda atirou outra data para comemorar: a da aprovação da Constituição, a 2 de abril de 1976.

Telmo Correia até deu inicio ao debate em tom sereno a frisar que “o 25 de novembro não divide, junta. Junta-nos nesta sala à volta da democracia”, mas pelo meio lá atirou que “só divide os nostálgicos do PREC”. Telmo Correia ainda procurou vincar que “esta celebração em nada retira solenidade ao 25 de abril” e apresentou também a proposta de “condecorar as personalidades envolvidas nesta data, não só as mais relevantes, mas também as mais anónimas. Todos os que fizeram o 25 de novembro merecem essa distinção, porque são heróis da liberdade”. Nas propostas, André Ventura foi mais longe ao sugerir um feriado nacional e menos consensual ao dizer que esta data é “ter coragem de fraturar com a extrema-esquerda que quer fazer um revisionismo na história portuguesa”.

A fechar as intervenções a favor das celebrações, João Cotrim Figueiredo atirou logo ao PCP ao dizer que “os sindicatos controlados pelo PCP nunca digeriram ter 12% nas primeiras eleições. Quem lhes dera agora ter esses 12%”, disse o deputado único do Iniciativa Liberal que lamentou que “alguns partidos só comemorem o 25 de abril e outros o 25 de novembro” e lamentando ainda mais que “o PS por ser aliado aos comunistas e aos bloquistas tenha deixado de assinalar o 25 de novembro”.

Depois da apresentação das iniciativas, o líder parlamentar do PCP, João Oliveira abriu as hostilidades à esquerda, com vastas referências ao 25 de abril, “o momento mais luminoso da história nacional”, com acusações ao CDS, “que rejeitou a Constituição” e, no momento mais quente, com a acusação de que “o Chega é o herdeiro dos derrotados do 25 de Abril”. André Ventura pediu a palavra para a defesa da honra — concedida pelo presidente em exercício, António Filipe, também ele PCP –, e atirou com os resultados eleitorais para dizer que os comunistas estão “a faltar ao respeito a muitos eleitores do PCP que agora votaram no Chega no Alentejo e em Setúbal”.

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Na resposta, João Oliveira pegou no caso de Moura, “que dá grandes exigências a André Ventura para explicar verdadeiramente onde está enquanto democrata, que devia estar a combater o ódio e cada vez mais está a criar condições para que o ódio entre pessoas seja uma dominante na vida dos portugueses“, uma intervenção que arrancou aplausos de toda a esquerda.

O PSD também alinhou ao lado do CDS e da restante direita para lamentar que “estes temas sirvam de braço de ferro político” e que o PS “ao não assumir que o 25 de novembro foi decisivo, não honra a própria história”. O ‘barrete’ não serviu aos socialistas, com Pedro Delgado Alves a dizer que o debate desta quinta-feira é uma “provocação com o intuito de semear a discórdia” e que “Portugal tem encontrado formas de festejar as datas que unem e que federam”, considerando estas propostas “oportunistas, em busca de elementos para dividir quando deviam federar”.

À procura de federar, o PAN ainda atirou uma ideia ‘fora da caixa’. Entre vivas ao 25 de abril e referências à importância do 25 de novembro, o deputado Nélson Silva sugeriu que o Parlamento pudesse comemorar o 2 de abril de 1976, o dia em que foi aprovada a Constituição. A caminho do fim, o CDS deixou a busca do consenso e pediu também a defesa da honra depois de uma intervenção do Bloco de Esquerda, onde ainda acusou o PS de “ter vergonha” do que disse sobre a data, com uma nova referência ao papel de Mário Soares e ao comício da Fonte Luminosa.