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O antigo presidente do Montepio António Tomás Correia tem nas últimas semanas feito vários contactos, junto de quadros do Montepio, para os persuadir a votar na auto-intitulada “Lista de Quadros”, que é liderada por Pedro Alves, um gestor com quem Tomás Correia trabalhou de forma próxima e que chegou a ser escolhido para presidente do Banco Montepio (acabando por desistir após o Observador noticiar que estava sob investigação por parte do Banco de Portugal). A informação acerca dos contactos feitos por Tomás Correia foi confirmada por várias fontes, mas o antigo banqueiro diz que é “completamente falsa” e garante não estar a apoiar nenhuma lista.

“Desde que saí do Montepio nunca mais ninguém me ouviu a falar sobre o Montepio, nem ouvirá. Tenho-me remetido ao completo silêncio”, afirmou Tomás Correia esta quinta-feira, contactado telefonicamente pelo Observador. O ex-líder falou recentemente sobre o processo eleitoral em curso, em declarações ao Jornal Económico publicadas a 10 de setembro, onde disse que “com base no acompanhamento que faço da vida da associação através da informação pública e das notícias da imprensa, lamento não ter condições para dar o meu apoio à candidatura institucional”, liderada pelo atual presidente Virgílio Lima.

A Montepio Geral Associação Mutualista vai a eleições no próximo dia 17 de dezembro, de acordo com o calendário atualmente previsto – e há quatro listas a concurso. Tomás Correia recusou publicamente apoiar Virgílio Lima, ex-administrador da seguradora Lusitania que “herdou” a presidência quando Tomás Correia saiu confrontado com a indisponibilidade do supervisor ASF para lhe dar o registo necessário. Na mesma entrevista, ao Jornal Económico, Tomás Correia indicou que relativamente às outras três listas não tinha “informação suficiente” para decidir um sentido de voto.

Ao Observador, Tomás Correia confirma que vai votar nestas eleições – e vai votar “em consciência” – mas garante que não irá apoiar qualquer uma das listas, em público. Em privado, porém, várias fontes confirmam que têm recebido telefonemas do ex-líder para falar sobre o atual rumo da mutualista Montepio e sobre as melhores pessoas para liderarem o futuro da instituição que reúne cerca de 600 mil portugueses. 

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Eu na minha vida sempre adotei uma regra muito clara: quando se sai de um sítio, sai-se. Nós, quando saímos, saímos e não temos que andar mais a interferir na vida das instituições. Além disso, eu nunca estou como convidado nos sítios onde estive por direito próprio”, diz Tomás Correia, ao Observador.

Além da lista de Virgílio Lima, que Tomás Correia já disse não apoiar, há mais três listas a concurso – que estão neste momento a ser avaliadas pela ASF. Uma é liderada por Eugénio Rosa, economista sempre muito crítico da gestão de Tomás Correia, e outra tem como candidato a presidente Pedro Corte Real, que lidera um grupo que inclui várias figuras que se candidataram contra Tomás Correia nas últimas eleições, em 2018.

A outra lista que resta é aquela que é a favorita de Tomás Correia, de acordo com os quadros do Montepio que têm vindo a ser diretamente contactados pelo ex-líder. É a auto-intitulada “Lista de Quadros”, que passou a ser liderada por Pedro Alves após a desistência de João do Passo Vicente Ribeiro, candidato original à presidência mas que suscitou resistência por parte da ASF, relacionada com a passagem do empresário pela Oi/Pharol.

Essa foi a única lista que não deu qualquer resposta quando o Observador questionou as várias listas se veriam com bons olhos o apoio de Tomás Correia, já que o antigo líder disse publicamente não apoiar a lista incumbente. As outras duas listas concorrentes recusaram frontalmente querer qualquer associação com o ex-líder do Montepio.

Montepio. Duas listas recusam apoio de Tomás Correia mas a “lista de quadros” não comenta