A poucos meses das eleições francesas de 2022 quase 300 mulheres da esfera política e universitária assinaram esta segunda-feira um manifesto no Le Monde onde pedem aos partidos que “excluam os perpetradores da violência sexual e de género” dos vários níveis da política francesa.

Das “autarquias locais, aos conselhos regionais e ao Parlamento”, apontam as subscritoras, há “homens indicados por violação, agressão sexual, agressão sexual a menor ou violência doméstica”. “Em abril de 2022 escolheremos o Presidente da República. Três candidatos potencialmente candidatos ao Elysée são já citados em vários testemunhos de agressões sexuais”, alertam as mulheres que notam que “isso não os impede, longe disso, de considerarem que são dignos de ocupar a magistratura suprema”.

“Isso mostra como a condição das mulheres e vítimas é indiferente para eles. Em junho de 2022 escolheremos os membros da Assembleia Nacional. Hoje, entre os 577 deputados alguns são perpetradores de violência de género e sexual”, continuam apontando que a esfera política “deve assumir responsabilidades e retirar os perpetradores da violência sexual e de género das fileiras”.

“É uma sentença dupla para as vítimas” notam já que “esses autores são responsáveis por aprovar leis e políticas públicas” que dizem respeito a todos os cidadãos. “Como tolerar que os direitos das mulheres sejam ainda mais corroídos, bloqueados por eles?”, questionam.

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Nas redes sociais já se espalhou a hashtag #MeTooPolitique com dezenas de utilizadoras a reportar casos de agressão por parte de políticos, como o de Mathilde Viot que conta como um candidato às presidenciais um dia lhe disse que “tinha estado a observar as suas nádegas que lhe caberiam numa das suas mãos” e a segunda relata como um alto quadro

Já Fiona, por exemplo, relata como um homem, depois de uma reunião partidária, se aproximou dela enquanto dançava e lhe tocou o sexo e Stéphanie Perso como foi vítima de um “perverso narcisista” que a atirou para o hospital e tem responsabilidades políticas.

Há outros relatos de políticos que propuseram lugares dentro do partido ou em estruturas de poder local ou regional em troca de sexo, contam o HuffPost e o Liberation.

O manifesto pode ser lido, na íntegra, no site criado pelas mulheres onde há uma página em que é também possível fazer denúncias.