Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Em atualização 

PSD, CDS-PP, IL, PAN e Chega são unânimes: a demissão de Eduardo Cabrita do cargo de ministro da Administração Interna pecou por “tardia”. Os partidos enumeram as sucessivas polémicas que marcaram o mandato do governante e destacaram a “tentativa de desresponsabilização” que, alegam, levou a cabo. Por outro lado, a mulher de Cabrita, Ana Paula Vitória, deixa-lhe uma dedicatória nas redes sociais: “É a pessoa, o político e profissional que eu admiro”.

Eduardo Cabrita demite-se depois de acusação no caso de atropelamento mortal

PSD acusa Cabrita de ter levado ao “limite máximo” a “desresponsabilização”  do caso

André Lima Coelho, vice-presidente social-democrata, considera que Eduardo Cabrita se deveria ter demitido mais cedo, tendo levado ao máximo uma tentativa de “desresponsabilização” do caso. O deputado do PSD diz que não deveria ter sido “necessário” chegar ao período da publicação do despacho por parte do Ministério Público: “Devemos concluir que se houvesse um arquivamento, não haveria um pedido de demissão”.

Para o social-democrata, Eduardo Cabrita não manifesta “sentido de responsabilidade”, algo que não é “um exemplo edificante para a política”. Além disso, reforça que esta atitude é “coerente” com o percurso político do Ministério da Administração Interna (MAI), citando casos como as golas inflamáveis, o caso dos migrantes de Odemira e os festejos da vitória do Sporting no campeonato. Houve, aponta, uma postura “sempre” de “desresponsabilização”, evitando ao máximo “falar do assunto”.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Em declarações às televisões, André Lima Coelho rejeita que o PSD se tenha aproveitado “politicamente” do episódio, além de que o partido não está interessado em “esmiuçar as condições específicas” em que ocorreu o acidente. Antes disso, coloca o ónus nas “condições políticas” e na “postura do MAI”.

Além disso, o deputado critica a postura de António Costa, dizendo que enquanto chefe do Governo deveria ter agido. “Ele apenas aceitou um pedido de demissão”, aponta, acrescentando que o primeiro-ministro deve ser um “condutor político que tem de fazer uma apreciação política” com o objetivo de entender se os membros governamentais estão “a representar condignamente os cargos”.

CDS-PP considera percurso de Cabrita “um acidente”

O vice-presidente do CDS-PP Paulo Duarte classifica o percurso político de Eduardo Cabrita como “um acidente”, mas, tal como o PSD, responsabiliza o primeiro-ministro por ter deixado o titular da Administração Interna permanecer no Governo.

“A forma como este ministro sai, o percurso deste ministro, é também ele um acidente”, comenta Paulo Duarte, em declarações à SIC Notícias. Para o vice-presidente centrista, “o principal responsável é o primeiro-ministro, que de forma displicente se limita a aceitar a demissão” e a “ser um espectador”, deixando “um ministro em funções que não tinha condições para o ser”

“O CDS não esquece que há uma família que está em sofrimento e que tem de ser indemnizado o quanto antes, um família que está a sofrer. Para o CDS, a questão essencial é a família”,

IL diz que pedido de demissão está “ao nível daquilo que foi um péssimo ministro”

João Cotrim Figueiredo juntou-se às críticas, destacando que o MAI “consegue esticar os limites do admissível e do bizarro na política”.

“Devíamos considerar uma vitória para o IL”, refere o deputado liberal, referindo que o partido já pedia a demissão de Cabrita “desde os tempos das golas, do SIRESP, da morte de Ihor e dos festejos do campeonato”. No entanto, salienta que este pedido de demissão foi “péssimo”, à semelhança do seu mandato.

“Porque é que agora é que a demissão é aceite? Só para proteger o primeiro-ministro, a dois meses de eleições?”, questiona o líder da Iniciativa Liberal em declarações à SIC Notícias, aludindo que tal poderá ser para prometer António Costa e o PS.

António Costa sobre demissão de Cabrita: “É um ciclo que termina”

PAN pede que Costa “assuma outro tipo de responsabilidades políticas”

A líder do PAN considera que a demissão de Cabrita peca por “tardia”, após um “episódio lamentável” em que não existiu “responsabilidade política”. “Caberia [ao ministro] pugnar pelo respeito da legalidade”.

Num vídeo enviado às redações, Inês Sousa Real diz que o facto do carro do MAI ir em excesso velocidade é “inaceitável”, “ainda para mais na tutela que representa a quem cumpre fiscalizar a circulação rodoviária”.

Sobre as declarações do ministro que diziam que era apenas um “passageiro”, a líder do PAN salienta que tamanha responsabilidade não “pode sobrar para o elo mais fraco”, isto é, o motorista.

Pede também a António Costa “assuma outro tipo de responsabilidade política, pese embora aceite esta demissão”. Para Inês Sousa Real, esta saída deve ainda “deixar claro” aos membros do Governo “as responsabilidades no desempenho das suas funções”.

Chega destaca “desastre e grau nocivo” que Cabrita “podia representar para as eleições”

André Ventura saudou esta sexta-feira a demissão de Eduardo Cabrita e sugeriu que a mesma foi pedida pelo primeiro-ministro. “Suspeitamos que foi uma exigência de António Costa que percebeu bem o desastre e o grau nocivo que Cabrita podia representar para as eleições”, referiu o líder do Chega, frisando que a saída do ministro “peca por tardia”.

“As mentiras que ficaram expostas na acusação do Ministério Público mostram e deixam evidente o tipo de ministro que tivemos, espero que António Costa não cometa os mesmos erros se for reeleito e que qualquer que seja o governo não volte a ter ministros como Eduardo Cabrita”, realçou o presidente do Chega.

No mesmo sentido, recordou que Cabrita “patrocinou” as ideias de que “não havia sinalização e que o trabalhador estava em situação irregular”, até ser conhecida a “acusação do Ministério Público”.

“Houve negligência, não do ministro mas de um funcionário”, disse, argumentando que se Cabrita “tivesse tido uma atitude transparente, de verticalidade e de não inventar mentiras não estaríamos nesta situação”.

Carro de Cabrita seguia a 163km/h. Motorista acusado de homicídio por negligência

PCP: Saída de ministro “inevitável” face à “acumulação de casos”

O PCP considerou  “inevitável” a demissão do ministro da Administração Interna, face à “acumulação de casos envolvendo a atuação” daquele ministério, que tornaram “insustentável” a continuidade de Eduardo Cabrita.

“Este desfecho era inevitável perante a acumulação de casos envolvendo a atuação do Ministério da Administração Interna que, de facto, tornaram insustentável a continuidade do ministro Eduardo Cabrita à frente do ministério”, referiu à agência Lusa o deputado comunista António Filipe.

Em declarações na sequência da demissão do ministro da Administração Interna, o deputado do PCP referiu ainda que a “avaliação global” do seu partido ao Governo “não se prende com acontecimentos avulsos”. Mas assinalou que a “apreciação global” é que “não está a haver a resposta que se impunha aos maiores problemas que o país enfrenta”.

“A avaliação que fazemos da política do Governo não se prende a um caso ou outro, ou mesma à atuação avulsa de qualquer ministro. Há uma avaliação global que fazemos que tem a ver com a resposta que é dada aos problemas”, sustentou.

Para António Filipe no caso concreto do ministro da Administração Interna houve um “acumular de situações que tornou inevitável a sua demissão”.

Ana Paula Vitorino: ” O Eduardo é um Homem com letra maiúscula”

Nas redes sociais, a mulher de Eduardo Cabrita, Ana Paula Vitorino, deixou uma dedicatória ao ministro, descrevendo-o como uma “pessoa íntegra, honesta e responsável. É ‘o último dos impolutos’ como sempre me dizia Jorge Coelho”.

“Sempre disse que o Eduardo é a melhor parte de mim. Não é ‘apenas’ o meu amor, o grande amor da minha vida, é também a pessoa, o político e profissional que eu admiro. O Eduardo é um homem competente que ‘leva a carta a Garcia'”, elogia Ana Paula Vitorino, acrescentando que o ministro é aquele “que nunca nega solidariedade e lealdade, aquele que dá o peito às balas para defender aquilo em que acredita, mesmo não tendo culpa nenhuma, mesmo em prejuízo de si próprio”.

“O Eduardo é um Homem com letra maiúscula e terá sempre o meu apoio e o meu agradecimento por tudo o que tem trazido de bom à minha vida e pela mais-valia que tem sido para o nosso país”, salienta a ex-ministra do Mar.