Os ministros da Energia da União Europeia estiveram reunidos esta segunda-feira para refletir sobre o futuro abastecimento de energia, no quadro do conflito com a Rússia. Segundo o ministro português, João Pedro Matos Fernandes, mesmo os países da Europa central mais dependentes do gás russo, indicaram ter reservas suficientes para os próximos meses.

O facto de estar a ser um inverno ameno e de estes países usarem o gás natural para aquecimento retira alguma pressão uma vez que faltam poucas semanas para a primavera. Mas o problema irá colocar-se no próximo inverno, reconheceu.

Dai que Portugal tenha voltado a colocar em cima da mesa o projeto de reforço da interconexão entre a Península Ibérica e a França que permitiria diversificar os fornecedores e reduzir a dependência da Rússia a partir do gás liquefeito descarregado nos terminais da Península Ibérica, (entre os quais Sines).

Em causa está um investimento de 330 milhões de euros que pode ser reconvertido no futuro para o transporte de hidrogénio verde. O ministro do Ambiente português sinalizou que França, que no passado se opôs a esta interligação, colocou a necessidade de reforço das interconexões nas suas conclusões da reunião.

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“Portugal não depende em nada do gasoduto que vem da Rússia, tudo o que usa de gás é GNL, que chega a Sines e é re-gaseificado e utilizado no nosso país. Há três dias, tínhamos as reservas de gás a 80% e hoje o número é certamente superior”, pelo que “temos reservas muito confortáveis”, declarou João Pedro Matos Fernandes.

Falando aos jornalistas portugueses em Bruxelas após uma reunião extraordinária do Conselho sobre situação energética na Europa na sequência da crise na Ucrânia, o governante apontou que Portugal recebe, em média, seis navios por mês com GNL e, até final de março, chegarão oito. Já questionado relativamente a eventuais constrangimentos no fornecimento de gás e combustíveis a Portugal, devido às tensões geopolíticas, João Pedro Matos Fernandes assinalou que “a quantidade e a disponibilidade […] hoje não é uma preocupação” para o Governo.

“Se avançarmos para o gasóleo, a gasolina e o crude, há reservas públicas de 90 dias de abastecimento, aos quais acresce o das empresas”, afincou.

“É antes uma questão de preço […], mas não é imediato” e de “instabilidade dos próprios preços”, admitiu.

Equacionados pelo Governo português estão a ser apoios, como de acesso a crédito, para os setores mais dependentes do gás, como têxtil, cerâmica e do vidro, bem como alívios para os consumidores de eletricidade, estes últimos através das verbas adicionais obtidas com a taxa do carbono no Fundo Ambiental, num valor de 150 milhões de euros, adiantou João Pedro Matos Fernandes.