Uma abordagem apenas “gradual” no ritmo de subida das taxas de juro poderá não ser suficiente para fazer face aos riscos da inflação, admitiu esta segunda-feira Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), numa mensagem onde também confirmou a intenção de acabar com as taxas de juro negativas no terceiro trimestre, o que fez o euro acelerar na recuperação face ao dólar nos mercados cambiais.

Reiterando que a altura de incerteza que se vive recomenda uma abordagem de “gradualismo” – o que tem sido interpretado pelos analistas como uma indicação de que as taxas de juro irão subir de forma lenta e relativamente espaçada – Lagarde deixou, porém, uma nota: “Existem, claramente, condições em que o gradualismo pode revelar-se não ser a estratégia adequada“.

“Se viermos a verificar que a inflação mais elevada está a ameaçar a ancoragem das expectativas de inflação, ou se houver sinais de que pode haver uma perda mais permanente de potencial económico, que limite a disponibilidade de recursos, então a política mais correta seria a mesma que se toma quando há um choque [de aumento na] procura”, isto é, “precisaríamos de retirar a acomodação monetária rapidamente para eliminar o risco de formação de uma espiral que se alimenta a si própria“.

Estas palavras de Christine Lagarde, numa publicação no site do BCE, fizeram o euro saltar cerca de meio ponto percentual face ao dólar, para 1,0628 dólares – afastando-se cada vez mais dos mínimos plurianuais na casa dos 1,03 dólares que foram tocados nas últimas semanas.

A ajudar a cotação do euro está, também, a confirmação por parte de Christine Lagarde de que o cenário central do BCE é acabar com as compras de dívida no terceiro trimestre, permitindo subir as taxas de juro pela primeira vez em julho. A francesa também confirmou que a expectativa atual do BCE é que até ao final do terceiro trimestre a zona euro deixará de ter taxas de juro negativas – uma referência à taxa de juro dos depósitos, que está em -0,5%.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR