Anju Khatiwada era uma das co-pilotos que comandavam o avião que se despenhou no Nepal este domingo, num desastre que vitimou pelo menos 69 pessoas e se tornou no mais letal do país nas últimas décadas.

O desastre foi amplamente noticiado, mas só agora, nesta segunda-feira, se tornou pública a história de Khatiwada, que morreu aos comandos de um avião, exatamente como o seu marido, há quase 20 anos.

A história foi revelada pelo The New York Times e pela agência Reuters, que falaram com fontes próximas da família. “O pai da Anju tinha-lhe pedido para não se tornar piloto. Mas depois da morte trágica do marido, ela estava determinada em fazê-lo”, contou ao jornal norte-americano Gopal Regmi, amigo do pai da nepalesa.

Inicialmente, Anju estudou para ser enfermeira. Era a profissão que exercia quando o marido, Dipak Pokhrel, morreu num desastre aéreo, em 2006. Pokhrel comandava um avião da Yeti Arilines que se despenhou em Jumla, contou à Reuters um porta-voz da companhia aérea.

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Com uma filha de seis anos nos braços — hoje em dia uma adulta, que vive no Canadá —, Anju decidiu finalmente seguir o antigo sonho de ser piloto, que partilhava com o marido. Com o dinheiro que recebeu do seguro pela morte do marido, partiu para os Estados Unidos para se formar. Na entrevista para obter o visto, foi sincera: “Só quero usar um uniforme branco como o do meu marido e trabalhar como piloto.” Assim fez.

Quando regressou ao Nepal, em 2010, Anju ingressou exatamente na mesma companhia aérea que empregava o companheiro, a Yeti Airlines. Desde então, já tinha acumulado mais de 6.400 horas de voo, tendo até voado frequentemente na rota popular de Kathmandu-Pokhara.

“Este domingo, ela estava a pilotar o avião com um piloto instrutor, um procedimento habitual da companhia”, revelou à Reuters um porta-voz da empresa, que não quis ser identificado. “Ela estava sempre pronta para qualquer serviço.”