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A população de Gaza, onde desde o início do atual conflito entraram apenas 10% dos alimentos necessários para a subsistência dos habitantes, “enfrenta a ameaça imediata de fome”, alertou esta quinta-feira o Programa Alimentar Mundial da ONU.

As reservas de alimentos e de água são praticamente inexistentes e apenas uma fração do que é necessário está a atravessar as fronteiras. Com a aproximação rápida do inverno, a insegurança e a sobrelotação dos abrigos e a falta de água potável, os civis enfrentam a possibilidade imediata de morrer à fome”, declarou Cindy McCain, diretora-executiva do PAM.

Também esta quinta-feira, numa teleconferência de imprensa em Nova Iorque, a porta-voz do PAM para o Médio Oriente, Abeer Etefa, apresentou detalhes sobre a situação no terreno, indicando que a população de Gaza faz atualmente uma refeição por dia “e limita-se à comida enlatada, a única disponível neste momento”.

“O pão tornou-se um verdadeiro luxo”, acrescentou Etefa, frisando que os “pescadores não podem sair para o mar, nem os agricultores podem chegar às suas terras, e a última padaria que funcionava com a ajuda do PAM teve de fechar”.

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A estas deficiências soma-se o facto de os frigoríficos terem parado de funcionar por falta de eletricidade, pelo que as famílias não conseguem conservar alimentos perecíveis.

“Começamos a ver casos de desidratação e desnutrição, que aumentam rapidamente e a cada dia”, assegurou.

Também Juliette Touma, diretora de comunicações da Agência das Nações Unidas para Refugiados Palestinianos (UNRWA), participou na videoconferência, indicando que, devido ao novo “apagão” de comunicações registado em Gaza, não haverá uma operação transfronteiriça na passagem de Rafah na manhã de sexta-feira.

A rede de comunicações em Gaza está desligada porque não há combustível e isso torna impossível gerir ou coordenar caravanas de ajuda humanitária”, disse.

“Gaza parece ter sido atingida por um terramoto, só que é provocado pelo homem e poderia ter sido totalmente evitado”, lamentou, acrescentando que a população e as equipas de ajuda humanitária no terreno estão “desidratadas, famintas e exaustas”.

Touma considerou “simplesmente ultrajante” que as agências humanitárias estejam reduzidas “à mendicância de alimentos” e criticou o facto de que, nesta guerra, “água, alimentos e combustível estejam a ser usados como armas de guerra”.

Segundo o Hamas, que governa a Faixa de Gaza, os bombardeamentos israelitas iniciados a 7 de outubro mataram mais de 11.500 pessoas, na maioria civis, incluindo 4.710 crianças.

Do lado israelita, o ataque do Hamas, organização considerada terrorista por União Europeia e Estados Unidos, causou cerca de 1.200 mortos, na sua maioria civis, segundo as autoridades israelitas. Cerca de 240 pessoas foram também feitas reféns e levadas para Gaza.

O exército israelita anunciou esta quinta-feira a morte de mais dois soldados nos combates na Faixa de Gaza, elevando para 51 o número total de soldados mortos no território palestiniano desde o início da guerra contra o Hamas.