Dezenas de dirigentes, delegados e ativistas sindicais da Frente Comum concentraram-se, esta terça-feira, em frente à residência oficial do primeiro-ministro exigindo um aumento “imediato e geral” dos salários e a revogação do sistema de avaliação.

A moção aprovada e que os sindicalistas entregaram na residência oficial de S. Bento sublinha a disponibilidade em mobilizar os trabalhadores da administração pública para a realização de “todas as formas de luta” caso não haja resposta às suas reivindicações.

Esta mensagem foi também transmitida por Cristina Torres, do Secretariado da Frente Comum, a quem coube a intervenção final na concentração, já que o coordenador desta estrutura sindical, Sebastião Santana, se encontra ausente do país.

Considerando que até à aprovação do Orçamento do Estado para 2024 (OE2024) ainda há margem para serem acomodadas as suas reivindicações, os dirigentes e sindicalistas da Frente Comum mantêm a exigência de um aumento geral de 15% para todos os funcionários com um mínimo de 150 euros, a revogação do sistema de avaliação de desempenho (SIADAP) e a valorização das carreiras.

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Para Cristina Torres, o facto de o primeiro-ministro ter pedido demissão não deve igualmente travar a concretização do que reivindicam.

O Governo continua em funções e os problemas dos trabalhadores, na nossa opinião, continuam por resolver”, referiu, considerando que ser “possível, enquanto essas funções existem, o Governo […] responder aos problemas dos trabalhadores da administração pública”.

Salientando que as respostas que o Governo deu até agora às revindicações da Frente Comum (afeta à CGTP) foram “pequenas”, não repondo o poder de compra, em travando o empobrecimento dos trabalhadores, a dirigentes sindical afirmou que a luta vai continuar, até às eleições de 10 de março se necessário.

Os trabalhadores terão de levar a sua luta, as suas reivindicações, que são justas, até ao voto, até ao dia da votação e transpondo para o boletim de voto”, disse, salientando que a luta irá continuar independentemente de quem venha a formar o novo Governo.

Numa concentração em que se fizeram ouvir palavras de ordem como “Não vamos aceitar empobrecer a trabalhar” ou “O aumento de salário é justo, urgente e necessário”, os cartazes empunhados pelos dirigentes, ativistas e sindicalistas reforçavam as reivindicações sobre o fim do SIADAP, referindo que “Para avaliar não têm de nos roubar” ou “Avaliação sem quotas. Subir com 4 pontos já” bem como sobre os aumentos salariais.

Para a líder da bancada parlamentar do PCP, Paula Santos, que se juntou aos manifestantes, também a atual situação política não impede que haja condições para dar resposta às reivindicações dos trabalhardes nomeadamente no que diz respeito aos aumentos salariais ou à progressão na carreira.

Aquilo que se impõe neste momento é que os problemas não fiquem à espera e, portanto, são necessárias soluções,”, referiu, considerando que “se não forem tomadas medidas para resolver os problemas, eles só se vão agravar”, numa referência ao Serviço Nacional de Saúde (SNS), habitação ou preço dos alimentos.

Paula Santos defendeu ainda a necessidade de se “travar” a reestruturação do SNS preconizada pelo Governo, porque “não vai resolver os problemas”, defendendo respostas urgentes para garantir médico de família, consultas ou cirurgias.

Também o deputado do Bloco de Esquerda José Soeiro se juntou aos manifestantes, considerando haver condições, apesar da atual conjuntura política, para o Governo concluir processos negociais nomeadamente com os médicos.

“Se houver vontade, é possível encontrar uma solução e é urgente”, disse, sustentando que a “luta” e a “pressão” dos trabalhadores podem “fazer diferença”, sendo uma das respostas mais imediatas a valorização salarial, de forma a ser possível atrair e reter profissionais.