A líder da oposição venezuelana, Maria Corina Machado, acusou esta terça-feira o regime de atos de intimidação contra o seu partido, incluindo o “rapto” de dois dirigentes e apelando ao auxílio da comunidade internacional.

“Quero fazer um alerta internacional, a todos os atores da comunidade internacional, que falam de eleições transparentes e livres na Venezuela para garantir uma transição no nosso país (…) nas últimas 24 horas, dois coordenadores [Juan Freites e Luís Camacaro], foram raptados pelo regime, e três outros coordenadores estão a ser perseguidos”, disse.

Machado falava numa conferência de imprensa em Caracas, denunciando que sedes de campanha do partido foram “vandalizadas”.

Intimidaram as pessoas que contratámos ou que facilitam o transporte de pessoas e equipamentos, e temos informações de que algumas delas também foram detidas”, disse.

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“Quero dizer à comunidade internacional que temos de pôr termo a esta loucura, porque é disso que se trata a Fúria Bolivariana”, de “agressão, desaparecimentos, perseguição e, obviamente, reflete o medo de um regime de se medir” numas eleições.

“O nosso caminho é avançar para eleições livres, em que se expresse a soberania do povo (…) O que está a acontecer viola o acordo de Barbados [de outubro de 2023, entre o Governo e a oposição], que fala do desenvolvimento de uma campanha eleitoral pacífica e participativa, e de garantias para que os candidatos possam circular livremente pelo país, tenham liberdade e equidade de expressão e comunicação, e que todas as operações e os direitos dos nossos membros sejam respeitados”, explicou.

Machado insistiu que “as boas intenções não são suficientes, é tempo de mostrar ao regime que a comunidade internacional não tolerará a violação do acordo de Barbados e a violação descarada dos compromissos assumidos pelo regime”.

A opositora referiu que os integrantes do seu partido, Vente Venezuela, são perseguidos nas ruas, em casa e inclusive nas sedes de comando “por pessoas que chegam em viaturas, que estão claramente articuladas com os órgãos do regime”.

“Todo o aparelho repressivo do Estado, a polícia, os organismos vinculados ao Ministério Público, o sistema judicial, os meios de comunicação social, os coletivos (milícias armadas afetas ao regime), o partido do regime, ou seja, todo o aparelho do Estado com recursos do Estado, pretendem dissuadir e desmoralizar a força cidadã que construímos”, disse.

Numa nota de maior confiança no fracasso da estratégia de intimidação do regime, referiu a tentativa malsucedida de impedir hoje um encontro cívico da oposição em Caracas.

“À Comunidade Internacional dizemos que não podem lavar as mãos, nem olhar para o outro lado. Não podem deixar-nos sozinhos neste momento em que estamos a arriscar tudo, civicamente”, disse. O regime “está aterrorizado, porque sabe que o povo decidiu mudar”.