Gertrudes já não conseguia disfarçar a aflição. Cinco da tarde de segunda-feira, saiu porta fora para despejar o lixo. Ou, talvez, para procurar algum vizinho que quisesse ouvir-lhe as preocupações. Encontrou: “Ai, estou a tremer toda. Ai, não sei, ele não me aparece“. Àquela hora, já tinha visto as notícias na televisão: um troço da antiga estrada nacional 255, que liga Borba a Vila Viçosa, tinha desabado e caído no poço da pedreira. “Ai, o Zé foi a Borba. Ai, o Zé foi a Borba. O Zé passou naquela estrada”, disse à vizinha que acabou por encontrar e que relata a conversa ao Observador.

José Rocha — ou o Zé Algarvio, como é conhecido em Bencatel, freguesia de Vila Viçosa — é uma das três pessoas dadas como desaparecidas por familiares que acreditam que os seus maridos, irmãos, pais ou tios estariam naquela estrada no momento em que o piso cedeu. Foram à GNR comunicar isso mesmo: acreditam que podem ser eles as vítimas que a Proteção Civil procura, submersas na água da chuva que se acumulou no fundo da pedreira. A água, tão turva como está, não permite tirar essa dúvida — os veículos que lá podem ter caído, como as próprias autoridades admitem, não se veem. Ainda assim, Gestrudes acredita que tem lá o marido e o irmão, Carlos Andrade, de 30 e poucos anos, que seguia com José numa carrinha cinzenta.

Duas viaturas terão sido arrastadas com o deslizamento de massas para o poço da pedreira (JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR)

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

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