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Bruno de Carvalho esteve na primeira sessão, foi dispensado, passou mais um par de vezes pelo Tribunal de Monsanto e hoje irá conhecer a sentença

MÁRIO CRUZ/LUSA

Bruno de Carvalho esteve na primeira sessão, foi dispensado, passou mais um par de vezes pelo Tribunal de Monsanto e hoje irá conhecer a sentença

MÁRIO CRUZ/LUSA

Alcochete. As cinco teorias sobre Bruno de Carvalho que caíram por terra — ou como uma acusação ficou reduzida a nada /premium

Antecedentes, reunião na Casinha, ameaças ao plantel. Acusação do caso Alcochete defendia com vários episódios que Bruno de Carvalho "determinou" ataque. Todos caíram. Esta quinta pode haver sentença.

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Ao longo de quase 40 sessões realizadas em cerca de cinco meses, o nome de Bruno de Carvalho foi deixando de ser referido no julgamento do caso de Alcochete. No início era o grande destaque, depois passou a um dos principais visados nas questões feitas pelo Ministério Público (e pelo advogado do Sporting, acrescente-se), de seguida não era sequer referido. Por um lado, isso refletia o interesse existente em “fechar o ângulo” à preparação e realização do ataque; por outro, dava seguimento a algo que no início do ano civil de 2020 já se ia percebendo – a acusação era frágil nas provas contra o antigo presidente leonino. E as alegações finais mostraram isso mesmo.

O que diz a acusação: Bruno de Carvalho “determinou as agressões” à equipa

“Sobre Bruno de Carvalho, as críticas feitas a 5 e 6 de abril no Facebook no seguimento da derrota do Sporting em Madrid com o Atlético e a reunião na Casinha da Juventude Leonina a 7 de abril, não se provou que os factos ou as críticas provocassem qualquer ato violento. Sobre a frase ‘Façam o que quiserem’, ficou claro que dizia respeito a entoar cânticos e exibir tarjas mas nunca sendo falado qualquer entrada forçada na Academia, algo que ficou expresso de forma unânime. Não é possível fazer uma associação causa-efeito (…) Sobre as reuniões de 14 de maio em Alvalade, a equipa técnica ia ser despedida e já era esperado pelas pessoas das outras reuniões, sendo que os advogados do Sporting teriam de preparar tudo, a nota de culpa. Sobre a alegada convocatória [do treino, no dia 15], é perfeitamente explicável que não tenha aparecido face às notícias que saíram nesse dia de figuras ligadas ao Sporting no caso Cashball”, destacou a procuradora Fernanda Matias, na sessão de 11 de março.

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“Não se fez prova que tenha tido alguma ligação ou que tenha dado instruções para o ataque”, terminou, numa ideia que aplicou também a Nuno Mendes (Mustafá), líder da Juventude Leonina, e Bruno Jacinto, antigo Oficial de Ligação aos Adeptos. Ou seja, os três arguidos que eram tidos como os “autores morais” da invasão à Academia. Na primeira semana de maio, o despacho de alteração não substancial de factos, feito pelo coletivo de juízas composto por Sílvia Rosa Pires, Fátima Almeida e Dora Fernandes, dava prolongamento a essa ideia, passando ao lado de qualquer envolvimento de Bruno de Carvalho além de reduzir as 143 páginas da acusação a apenas 19. Ou seja, as cinco grandes acusações que tinham sido levantadas pela procuradora Cândida Vilar caíram por terra e esta quinta-feira, dia marcado para a leitura da sentença, o ex-líder verde e branco deverá ser absolvido.

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As ligações com antecedentes e como potenciar a violência

Para explanar as conclusões finais, a acusação recordou em forma de contexto os confrontos que antecederam o clássico entre FC Porto e Sporting no Dragão em outubro de 2013, argumentando que a “escalada de violência” que teve esse episódio que envolveu cerca de 100 casuals ligados aos leões “foi apoiada pelo ex-presidente do Sporting”. “Bruno de Carvalho manteve sempre contactos pessoais e privilegiados com o líder da Juve Leo, mantidos por vezes, no gabinete do próprio ex-presidente, designadamente nos casos em que o Sporting era derrotado e a claque protestava e reclamava ações concretas, designadamente o afastamento de jogadores e elementos da equipa técnica. Tais afirmações visavam determinar os adeptos à prática de ações violentas contra os jogadores e a equipa técnica, o que o arguido Bruno de Carvalho pretendia”, defendia, tendo presente a relação deteriorada que existia com elementos como os capitães Rui Patrício e William Carvalho ou o argentino Acuña.

Ou seja, para a acusação, os encontros com elementos das claques e também as várias intervenções públicas que foi tendo sobretudo nos primeiros meses de 2018, “denegrindo o brio profissional e a capacidade técnica dos atletas jogadores de futebol”, teria criado “um clima de forte hostilização das claques para com os jogadores e equipa técnica”. Mais: além da guerra aberta entre o ex-presidente e o plantel, também Nuno Mendes e staff “iniciaram uma campanha de difamação contra os jogadores, proferindo frases insultuosas nos jogos e no clube”.

Acusação do Ministério Público defendia que Bruno de Carvalho determinara ataque pela má relação com os jogadores

NUNO FOX/LUSA

“Os arguidos Bruno de Carvalho, Bruno Jacinto e Nuno Mendes nada fizeram para impedir a prática de tais atos violentos contra os ofendidos, tanto mais que durante as reuniões em que estiveram presentes criticaram sucessivamente os jogadores, potenciando um clima de violência contra os mesmos (…) A atuação reiterada de todos os arguidos revela um manifesto desprezo pelas consequências gravosas que provocaram nos ofendidos (…)  Os arguidos cultivam há anos a intolerância e em particular o arguido Bruno de Carvalho manifestava sentimentos de desprezo contra os jogadores (…) Bruno de Carvalho, Nuno Mendes e Bruno Jacinto não só compartilharam a decisão criminosa, mas também determinaram os primeiros 41 arguidos à prática de crimes de ofensas à integridade física, intimidação e privação da liberdade dos jogadores e elementos da equipa técnica”.

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O despacho de alteração não substancial de factos não atribui importância a qualquer episódio anterior e passa por cima de tudo o que possa ter acontecido até abril de 2018, altura em que o Sporting perdeu em Madrid com o Atlético na primeira mão dos quartos da Liga Europa e Bruno de Carvalho fez um post no Facebook criticando o desempenho de alguns jogadores. Antes, há ainda assim um enquadramento mas que nada tem a ver com o antigo presidente: descrever o que são os casuals. “Paralelamente à Juve Leo foi constituído o subgrupo ‘casuais’, os quais trajam roupa escura, não ostentam a simbologia do clube e defendem a prática de ações violentas de rua, designadamente rixas entre grupos de adeptos rivais”, refere.

O encontro na Casinha e o significado do “Façam o que quiserem”

No início do julgamento, a reunião de Bruno de Carvalho na sede da claque Juventude Leonina era referida como uma espécie de chave para ligar as várias pontas soltas que existiam no processo, nomeadamente na acusação. E foi esse encontro, a 7 de abril, que mereceu também uma especial atenção na análise à evolução dos acontecimentos até à invasão à Academia em Alcochete, cinco semanas depois e após o final do Campeonato.

“O clima de profunda animosidade e de crispação crescente nos adeptos ligados à Juve Leo, fomentado pelo seu líder Nuno Mendes, face aos resultados do clube e às publicações do ex-presidente Bruno de Carvalho, levaram a que o próprio marcasse diretamente com Nuno Mendes uma reunião, no dia 7 de abril de 2018, pelas 22h, nas instalações da sede da Juve Leo, estando presentes Bruno de Carvalho, André Geraldes, Bruno Jacinto, Vasco Santos – ex diretor de segurança –, Nuno Mendes, chefes de Núcleos da Juve Leo e todos os elementos do staff“, começa por descrever a acusação, antes de nomear uma série de nomes que estão também no processo.

Nuno Mendes, ou Mustafá, líder da Juve Leo (aqui ao lado do advogado, Rocha Quintal), esteve na reunião na Casinha a 7 de abril

ANTÓNIO COTRIM/LUSA

“Nessa reunião, os presentes discutiram a publicação através do perfil Facebook de Bruno de Carvalho, a criticar os jogadores, encontrando-se os adeptos profundamente indignados com os resultados da equipa de futebol e alguns deles, com a concordância dos restantes, sugeriram ‘visitar’ os jogadores na Academia em Alcochete, o que bem sabiam que não lhes era permitido pelas normas do clube (…) Contudo, Bruno de Carvalho, bem sabendo que os treinos se realizavam à porta fechada e que o ambiente de insultos e crispação entre o presidente da Juve Leo e o seu staff com jogadores e elementos da equipa técnica só poderia agravar a situação do clube e pôr em causa a integridade física dos jogadores, acabou por ceder às exigências dos ora coarguidos, determinando-os também à prática de atos que bem sabia que poriam em causa a vida e a integridade física dos jogadores, respondendo-lhes quanto à ida à Academia de Alcochete ‘Façam o que quiserem!'”, acrescenta a esse propósito.

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No despacho de alteração não substancial de factos, a reunião é referida apenas em dois pontos (o primeiro para descrever os presentes) e invertendo o que era defendido pela acusação, ao colocar o ex-líder do Sporting como um dos visados também das críticas feitas nesse encontro. “Os presentes discutiram as publicações nas redes sociais feitas pelo arguido Bruno de Carvalho, criticando a postura do presidente do clube em criticar publicamente os jogadores, bem como criticaram os resultados da equipa profissional de futebol e a falta de empenhamento dos jogadores, discutindo formas de apoio à equipa, como cânticos, tarjas e/ou uma visita à Academia. No final da reunião Bruno de Carvalho disse ‘Façam o que quiserem e depois digam'”, resume.

A reunião com os jogadores após Madrid e as ameaças aos jogadores

“Desde então, os primeiros 41 arguidos [os que foram à Academia a 15 de maio], seguros da instigação à prática de ameaças, agressões e outras ações violentas por parte do ex-presidente Bruno de Carvalho, do arguido Nuno Mendes e do arguido Bruno Jacinto, agruparam-se e organizaram-se por forma a concretizarem tais ações contra os jogadores”, defende a acusação na sequência da descrição da reunião em Alvalade a 7 de abril pedida pelo plantel no seguimento da troca de publicações nas redes sociais com o ex-líder leonino. No entanto, até o resumo que é feito desse encontro é agora relatado de outra forma, deixando cair alguns pormenores da acusação.

“Na reunião os jogadores confrontaram o ex-presidente Bruno de Carvalho com o seu comportamento, ao que este reagiu a determinada altura, gritando com o jogador Rui Patrício, dizendo ‘Eu sou o presidente! Eu faço o que quero” Quem és tu? Queres é sair do clube! (…) Durante a reunião, William Carvalho confrontou o então presidente Bruno de Carvalho, com o facto de este ter mandado o líder da claque Juve Leo, Nuno Mendes, partir os veículos dos jogadores, momento em que Bruno de Carvalho se ausenta do local, regressando após cerca de cinco minutos, com uma chamada em curso e em alta voz no seu telefone, com o presidente da claque Juve Leo, Nuno Mendes, a quem perguntou diante de todos os presentes o seguinte: ‘Mustafá, diz lá ao Williamzinho se alguma vez te mandei partir os carros dos jogadores ou bater em alguém’, ao que o seu interlocutor, como seria de esperar, respondeu negativamente, porquanto sabia que a conversa era mantida em alta voz”, diz a acusação.

William Carvalho e Rui Patrício, os dois capitães de equipa, tiveram as trocas de palavras mais acesas com Bruno de Carvalho

Filipe Amorim/Global Imagens

“Ainda na mesma reunião, o arguido Bruno de Carvalho disse ao jogador William Carvalho que se lhe quisesse bater não precisava de chamar ninguém para o fazer, o que provocou nos presentes, todos atletas do Sporting, um clima de medo e receio pelas suas vidas, porquanto era o próprio presidente do clube que ameaçava agredi-los, e tal como resulta da conversa mantida com o líder da claque, os jogadores aperceberam-se que existia um clima de forte proximidade e intimidade, entre os arguidos Bruno de Carvalho e Nuno Mendes”, acrescenta.

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No despacho de alteração não substancial de factos, fica confirmado que “Bruno de Carvalho reagiu [às críticas] dizendo aos jogadores Rui Patrício e William Carvalho que ele era o presidente, fazia o que queria e o que eles queriam era sair do clube”, a descrição da chamada em alta voz com Nuno Mendes é feita da mesma forma e há também menção à frase final do antigo líder: “Ainda na mesma reunião, o arguido Bruno de Carvalho disse ao jogador William de Carvalho que se lhe quisesse bater não precisava de chamar ninguém para o fazer”. No entanto, não existe a partir daí nem nenhuma referência a que era expectável que Nuno Mendes negasse o pedido por saber que estava em alta voz, a qualquer ameaça de agressão de Bruno de Carvalho aos jogadores nem que desse encontro tenha decorrido alguma instigação ao que se passaria cinco semanas depois.

As tochas no jogo com o Benfica e as reuniões em Alvalade

Prosseguindo a sequência temporal dos acontecimentos, a acusação centra-se depois no que se passou no início do dérbi entre Sporting e Benfica junto da baliza de Rui Patrício (por trás da zona onde se concentram as quatro claques verde e brancas) e nas três reuniões que se realizaram em Alvalade a 14 de abril, nove dias depois desse encontro e após a derrota na Madeira que colocou os leões no terceiro lugar da Liga, fora da Champions.

“Na concretização de tal plano, no dia 5 de maio de 2018, no início do jogo entre o Sporting e o Benfica, realizado no estádio José Alvalade, os adeptos da Juve Leo, sob orientação direta do arguido Nuno Mendes, taparam-se com a bandeira principal da claque e colocaram na cabeça balaclavas e golas por forma não serem identificados. Depois de o arguido Nuno Mendes se ter dirigido ao local onde se encontrava o arguido Bruno de Carvalho, o líder da claque, com a autorização do presidente, deu ordem para que fossem lançadas sobre o guarda-redes Rui Patrício um número indeterminado (pelo menos dezenas) de tochas acesas, com o propósito de agredir o jogador em várias zonas do corpo, impedindo-o de continuar em campo e defender a baliza”, relata a acusação.

Baliza de Rui Patrício foi alvo de arremesso de tochas antes do dérbi em abril de 2018, facto que entretanto "caiu" no último despacho

JOSE COELHO/EPA

“No dia 14 de maio de 2018, o ex-presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, marcou várias reuniões, no estádio do Sporting, em Alvalade. Na reunião onde estavam presentes vários funcionários, elementos da direção e André Geraldes, o arguido Bruno de Carvalho, num tom desabrido, dirigiu-se aos presentes dizendo que a Taça de Portugal para ele ‘É merda, é como um furúnculo no cu’, dirigindo-se a cada um dos elementos do staff a questionar quem estava com ele, acontecesse o que acontecesse, referindo ainda que quem não estivesse com ele ‘Ia com o caralho’, convocando todos para estarem presentes na Academia de Alcochete às 16h, do dia seguinte.”, diz.

“Os jogadores foram convocados para uma reunião no dia 14 de maio, pelas 18h. Nessa reunião, o arguido Bruno de Carvalho dirigiu-se ao jogador Acuña e disse-lhe: ‘Acuña, porque fizeste aquilo ao chefe da claque? Logo a ele. Tenho um problema temendo, estiveram a ligar-me a noite toda, os gajos da claque, a dizer que te queriam apanhar, queriam a tua morada… Tenho um problema tremendo, vou tentar resolver a situação’ e acrescentou que tinha passado a noite a receber telefonemas de elementos da claque que pretendiam também saber as matrículas dos jogadores”, destaca ainda, fazendo a ligação com as chamadas de Fernando Mendes para o ex-líder.

Trinta segundos depois, o dérbi parou invadido pelas tochas

No despacho de alteração não substancial de factos, além de haver uma colocação dos factos pela devida ordem cronológica, o coletivo de juízas acrescenta a reunião que houve antes (a primeira das três) a 14 de abril, onde Bruno de Carvalho disse à equipa técnica que era “o fim da linha”, “ficando em dúvida se estes ainda estariam no comando técnico no jogo da final da Taça que seria disputada no domingo seguinte”, confirma a conversa com Acuña e tira da terceira reunião a parte de que quem não estivesse com o ex-líder “ia com o caralho”. Ou seja, resume os três encontros desse dia a uma só ideia: a equipa técnica de Jorge Jesus ia ser dispensada e todos estavam a ser informados disso mesmo. Em paralelo, a alusão ao que se passou antes do dérbi, sobre o arremesso de tochas, não fala da presença do ex-líder no local antes do jogo nem da intenção de agressão. 

A preparação do plano e a determinação de ações violentas

Ao longo das 143 páginas da acusação, são várias as referências àquilo que era descrito como “preparação do plano” por parte de Bruno de Carvalho e em momentos distintos. “Entre os dias 12 e 14 de maio de 2018, Fernando Barata [Mendes, ex-líder da Juventude Leonina], que se encontrava no Funchal, telefonou inúmeras vezes para o arguido Bruno de Carvalho, designadamente durante a madrugada de 14 de maio, estabelecendo ainda contactos com o arguido Nuno Mendes, ao mesmo tempo que em Lisboa, nas garagens do Estádio José Alvalade, adeptos da claque Juve Leo tentavam destruir os carros dos jogadores”, refere o ponto 62 da acusação.

“Na sequência destas reuniões e de desavenças permanentes entre o arguido Bruno de Carvalho, os jogadores de futebol e os elementos da respetiva equipa técnica, o líder da claque Juve Leo, Nuno Mendes e o ex-presidente do Sporting determinaram os demais arguidos a levar a cabo uma ação violenta contra os jogadores e elementos da equipa técnica do Sporting (…) À medida que a Juve Leo se reforçava, aumentando a sua capacidade de influência junto de outros adeptos do subgrupo ‘Casuais’ e com a concordância de Bruno de Carvalho, torna-se cada vez mais clara a orientação agressiva da respetiva claque (…) Nuno Mendes e elementos do seu staff visavam com os comportamentos acima descritos suscitar nos restantes adeptos das claques um ambiente de profunda hostilidade contra os jogadores e elementos da equipa técnica e persuadir, como persuadiram, quer os elementos das claques, quer Bruno de Carvalho, à tomada de medidas drásticas por forma a afastá-los do clube”, salienta.

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JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

“O arguido Bruno de Carvalho determinou aos elementos da claque a prática de ações violentas contra os jogadores, treinador e restantes elementos da equipa técnica”, diz também, utilizando os posts no Facebook e a reunião na sede da claque Juventude Leonina como “um plano há muito difundido”. “O arguido Valter Semedo criou o grupo de WhatsApp, que denominou por ‘Academia Amanhã’, cedendo poderes de administrador a vários elementos da Juve Leo (…) Tais atos foram executados pelos 41 arguidos e de acordo com as diretivas dos arguidos Bruno Jacinto, Bruno de Carvalho e Nuno Mendes, os quais os determinaram a prática dos referidos atos”, diz ainda mais à frente na argumentação, sustentando a ideia chave que aparece no ponto 185 da acusação.

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“Os arguidos Bruno Jacinto, Bruno de Carvalho e Nuno Mendes conheciam o plano delineado pelos restantes primeiros 41 arguidos e determinaram-nos à prática dos crimes de ameaça, ofensa à integridade física e sequestro, bem sabendo que tais atos violentos provocavam nos ofendidos medo e receio pela sua segurança, lesões corporais que os privava da liberdade”, salienta, no final da descrição dos vários momentos até dia 15 de maio.

No despacho de alteração não substancial de factos, o nome de Bruno de Carvalho só é referido nos seguintes momentos: post no Facebook a seguir ao jogo do Sporting em Madrid; post de resposta à resposta dos jogadores; reunião com jogadores e equipa técnica antes do jogo com o P. Ferreira; reunião na sede da Juventude Leonina; e reuniões a 14 de maio, no seguimento da derrota com o Marítimo na Madeira, com equipa técnica, jogadores e restantes elementos do staff. Ou seja, até ao ponto 28 do despacho de alteração não substancial de factos, sendo que a partir daí existe a descrição de tudo o que aconteceu antes e durante a invasão à Academia sem qualquer outra referência ao antigo presidente verde e branco (nem Nuno Mendes, nem Bruno Jacinto).

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