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Diz-se “teimosa”, “obstinada” e “crente em Deus”. Mas há matérias em que não dá a outra face. Ana Paula Vitorino foi secretária de Estado dos Transportes no governo de José Sócrates e subiu a ministra do Mar com António Costa. Fala de portos, terminais de carga, contentores e negociações com estivadores com alguma alegria, mas é quando a conversa encarrila para a ferrovia e transportes que a sua expressão brilha mais. Isto apesar de o TGV, um projeto pelo qual deu a cara, ter sido posto de lado. Agora, considera, “não existem condições”, sobretudo financeiras, para o recuperar.

No meio de uma (quase) crise energética devido a (mais) uma greve anunciada dos motoristas de matérias perigosas, Ana Paula Vitorino recorda as negociações com os sindicatos dos estivadores em finais do ano passado. Em causa estava a operação da Autoeuropa, cuja produção chegou a parar, mas faz as devidas ressalvas. A luta dos camionistas que distribuem os combustíveis é, “porventura, mais desproporcional” do que a dos estivadores, face aos prejuízos que causa a alguns setores e à economia em geral.

Quanto ao facto de ser um dos casos de relações familiares no Conselho de Ministros (vive com o Ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita), a ministra do Mar diz que isso não lhe amacia o espírito crítico para com o homem sob fogo pelo caso das golas inflamáveis adquiridas pela Proteção Civil. “Sou a maior crítica do Eduardo”. E alguma vez lhe disse “Eduardo, geriste isto mal”? “As justificações que o Eduardo foi dando como colega de governo e como pessoa com quem eu partilho a minha vida foram sempre suficientes para eu achar que as decisões tivessem sido razoáveis”.

E deixa um aviso: não dará a outra face se o governo proibir ministros da mesma família. “Se chegar a esse ponto”, diz Ana Paula Vitorino, “não quererei fazer parte de um governo em que se discrimina as pessoas dessa maneira”.

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