Cinco litros de gelado e uma garrafa de vinho depois: vi a “Guerra dos Tronos” pela primeira vez e sobrevivi /premium

13 Abril 2019848

Este é o relato de Hugo van der Ding, depois de ter visto os 10 episódios da primeira temporada da "Guerra dos Tronos". Agora só falta a "Lista de Schindler" e o "Rei Leão". Talvez um dia, quem sabe.

A primeira vez que ouvi falar da Guerra dos Tronos foi numa praia, aqui há uns anos valentes. O meu amigo Guillaume, que é espanhol apesar de ter nome de francês, tinha posto uns óculos escuros, virado as costas ao sol e aberto o livro que ia mais ou menos a meio. Portanto, a primeira vez que ouvi falar na Guerra dos Tronos, de George R. R. Martin, ouvi na verdade falar de Juego de Tronos (para quem fala portunhol, não confundir com “truenos”, que parece mesmo que é, mas quer dizer “trovões”).

— O que é isso? — perguntei-lhe.
— Como assim, o que é isto? Vives numa caverna? Despertaste agora de um coma? As duas coisas ao mesmo tempo? Isto é só a melhor história de fantasia escrita desde o Senhor dos Anéis [na verdade, o que ele disse foi El Señor de los Anillos].

Revirei interiormente os olhos, e disse-lhe qualquer coisa como: “Olha, passa mas é isso, que também quero fumar”, e nunca mais pensei no assunto.

Mas a Guerra dos Tronos foi entrando lentamente pela minha vida. Furtiva, discreta, mas tomando conta de toda a gente à minha volta. Cada vez via mais e mais amigos com o livro debaixo do braço. E sim, confesso, comecei também a vê-lo em algumas mesas de cabeceira. Que eu também tenho uma vida.

Mais tarde, em 2011, GoT — ou GdT — deu o passo que lhe faltava para ubiquidade ao ser adaptado para uma série de televisão pela HBO. Mesmo quem nunca leu um livro na vida trazia agora esta história debaixo de um braço virtual.

[o trailer da oitava e última temporada de “Guerra dos Tronos”:]

Não sei se para fazer género, se porque tenho a mania que sou giro, se por me escaparem, voluntária ou involuntariamente, alguns fenómenos de massas ou simplesmente por falta de tempo, a verdade é que nunca vi dois minutos sequer da série que há-de marcar a história de uma geração. Mas também nunca vi a “Lista de Schindler”, nem o “Rei Leão”, e nunca provei uma laranja na vida. E cá ando.

Cá andava. Isso agora acabou.

Se consegui sobreviver às últimas décadas a viajar de táxi percebendo tanto de futebol como a Maria Leal percebe de música, ou o Cavaco de bancos, ou a Manuela Moura Guedes de assuntos LGBTI, ou o José Gomes Ferreira de 90% das coisas que comenta, a proximidade da última temporada de “Guerra dos Tronos” ameaçava a minha convivência com os restantes terráqueos.

E foi assim que me esparramei no meu sofá da sala qual senador romano, com um balde de cinco litros de Santini, pronto para ver em barda as quase dez horas da primeira temporada.

Sobrevivi, e aqui estou para contar como foi.

Foi fixe.

Primeiro episódio

“Já vi novelas da Globo com enredos mais simples”

A série começa pelo primeiro episódio, naturalmente, que se chama “The Winter is Coming”, a frase mais batida da última década. Mais batida, creio, que o próprio carro da princesa Diana. Não vi a versão legendada, mas acredito que em português se chame “O Inverno está a chegar”. Que era, curiosamente, a letra de uma música infantil de antanho que contava a história de uma formiga e de uma cigarra.

Abre com um portão, a subir lentamente. Uns homens entram por um túnel, guiados por archotes, e saem do outro lado para uma imensidão branca de neve.

“Já estamos”, pensei, “do outro lado do espelho”.

E percebe-se logo que aquilo vai haver chatice, que não estamos a ver uma “Anatomia de Grey”, um “Friends”, um “Will & Grace”: mal se sai do túnel, deparamo-nos com um cenário de destruição e morte. Há gente picada por todo o lado. Uma capa do Correio da Manhã não teria feito melhor.

Como sou muito ansioso, ao fim dos primeiros cinco minutos já estava em pânico, a pensar: “Ai, não estou a perceber nada!”. Mas “nada” era exagero. Percebi, por exemplo, que não devia tardar muito para acontecer, pardon my French, merda a sério.

Quem também não é nada má, pelo menos na cama, é a Rainha, que às tantas se embrulha com o próprio irmão gémeo, também ele uma estampa. E teria tudo ficado só entre os dois, não tivesse o pequeno Brandon ter dado com eles em pleno pinanço. Nada que não se resolva atirando o miúdo de uma torre abaixo. Eram outros tempos, não nos apressemos a julgar.

E, parece que sou bruxo, foi tal qual. Aparecem umas criaturas do demo de olhos azuis, possuídas, possessas, e vazam a cabeça ao tipo que eu achava que ia ser a personagem principal da série. Gritei. Bastante alto. Sobretudo, bastante alto para as três da manhã. Como morro de medo de espíritos e assombrações, desliguei aquilo a correr e fui-me esconder debaixo dos cobertores, a chorar baixinho. Só adormeci lá para as sete, quando o sol já raiava, e decidi só voltar a ver a “Guerra dos Tronos” de dia.

Quando voltei a carregar no play, percebi que não tinha ainda sequer chegado ao genérico. Aquilo prometia.

Chegamos assim a Winterfell, nos Sete Reinos, o lugar onde se passa a primeira temporada. É uma espécie de vila da Idade Média, algures no centro da Europa. Percebe-se quer pela arquitetura, quer pelas ruas de lama. Mas as pessoas são bastante bonitas, têm dentes medianamente bons, e o cabelo medianamente limpo. Seguramente melhores e mais limpos do que qualquer outra pessoa que tenha vivido naquela altura no mundo real. Thank God for fantasy.

Justiça seja feita à HBO, não há muita gente no (soberbo) elenco que eu não fizesse.

Até aqui, ainda não vi onde se terá gasto o muito dinheiro que oiço dizer que se empatou nos décors, apenas umas quantas barracas. Já os figurinos, upa upa! É embrulhado num estupendo casaco de peles que Eddard (Ned) Stark, o senhor de Winterfell, e em nome de Robert, o Rei dos Sete Reinos, decepa com uma espada enorme a cabeça do único sobrevivente daquela parte da série antes do genérico. Em frente ao seu filho de dez anos, Brandon, também ele embrulhado num não menos estupendo casaco. Aliás, toda a gente tem casacos estupendos. Olhei para o buraco na manga do meu casaco de malha da Zara e senti-me um bicho.

A genealogia  — e as ligações familiares de Guerra dos Tronos — não é coisa imediata de perceber, mas é fundamental. Também a de Cem Anos de Solidão, por falar nisso. Pensei em desenhar uma árvore, para acompanhar a temporada. E se bem pensei, melhor o fiz. Não a partilho aqui, não me vá ter enganado em qualquer coisa e não quero provocar nenhum ataque de pânico aos fãs da série. “NÃO!!! ELA NÃO É IRMÃ DESSE!!! É CUNHADA DA PRIMA DO ARRYN!!!”. É o tipo de observações para as quais não tenho a menor pachorra.

Bom, vamos lá a isto: chegam lá a casa notícias num corvo que Jon Arryn, o braço direito do Rei (na verdade, a Mão) foi desta para melhor com umas febres. No mesmo corvo, suponho, dizia que se preparassem para a visita do Rei. Que quereria ele? Ainda antes de Sua Majestade chegar, já todos tinham percebido: que o nosso Ned, o senhor de Winterfell, fosse o novo braço direito da real pessoa, quer dizer, a Mão. Não se fala em ordenados, mas fica a impressão de que não devia ser nada mal pago. Há uma cena a la Downton Abbey em que os criados fazem preparativos vários para a chegada do Rei. Nesta série os criados também aparecem, mas também não acontece quase nada nas suas vidas e, quando acontece, é geralmente para serem carne para canhão. Ao contrário da série inglesa, nesta, ao longe, não se topa grande diferença entre os criados e os senhores. Mas, ao perto, nota-se mais. Que seria não se notar, não é?

O Rei lá chega, e lavamos um bocadinho a vista do ambiente relativamente pobrezinho do castelo dos Stark, não desfazendo. Chega e chega em grande, numa carruagem com pinta. Todos se ajoelham, como pertence.

Tem mais pinta a carruagem que o próprio do Rei, tenho de dizer. Mas é um porreiraço. Bem disposto, de risada fácil, sempre com uma piada debaixo da língua. Houvesse mais reis assim e o mundo seria bem melhor. A Rainha Cersei (nome trágico para uma rainha, parece mais assim de dançarina exótica) também veio. E ela sim, é uma estampa. Más línguas notariam o quão mais gira é que o marido. E fariam os habituais comentários que se fazem às mulheres giras que casam com homens de posição. Não sou esse tipo de pessoa, não contem comigo para isso.

Bom, mas de facto, era para convidar Lord Ned para ser sua Mão que o Rei fez a viagem de sua casa até ao pardieiro dos Stark. O convite não é desinteressado: com as letrinhas todas, diz-lhe que o quer para governar o reino, enquanto ele anda na boa-vai-ela. Não sei se é assim que se escreve. Deve ser. De presente, pede-lhe a mão da filha, Sansa, para o seu próprio herdeiro, o príncipe Joffrey. Não é oportunidade que se desperdice, essa de casar a filha com um príncipe, nem na altura, nem agora. E não era a primeira vez que estes dois quase se uniam pelo sangue. Já antes, a irmã de Ned tinha estado para casar com o Rei. Mas havia sido assassinada. Tudo isto é contado entre lágrimas.

A páginas tantas, a mulher de Ned, Catelyn, recebe, também por interposto corvo, uma carta da irmã, viúva de fresco do tal Jon Arryn, onde esta lhe conta que fugiu da capital do reino, King’s Landing, (não sei como traduziram em português e também não vou ver) e que sabe que o marido foi assassinado pelos Lannister, basicamente os maus da fita, família rica e poderosa a que pertence a tal rainha Cersei. O nome lembra-me mas é aquela banda brasileira, os Cersei de Ser Sexy. Mas não tem muito a ver. Tirando o facto de sim, a rainha ser bastante sexy. Para quem gosta do género.

O mistério, portanto, adensa-se, e fica no ar que os Lannister andam a tramar alguma para lixar o bom Rei Robert.

Quem também não é nada má, pelo menos na cama, é a Rainha, que às tantas se embrulha com o próprio irmão gémeo, também ele uma estampa. E teria tudo ficado só entre os dois, não tivesse o pequeno Brandon, Bran para os mais íntimos, com a sua mania de escalar muros e paredes, ter dado com eles em pleno pinanço. Nada que não se resolva atirando o miúdo de uma torre abaixo. Eram outros tempos, não nos apressemos a julgar.

Entretanto, em Essos, numa casa francamente melhor, já com alguma pintura nas paredes, um jacuzzi, e bastante mais sol que nas cenas anteriores, a bela Daenerys, irmã do maléfico príncipe no exílio Viserys Targaryen, prepara-se para casar com o selvagem e bruto Khal Drogo, em troca da ajuda deste nos planos do príncipe para conquistar o reino e sentar o rabo no Trono de Ferro. Que, diga-se de passagem, não tem um ar nada confortável. O trono, não o rabo. Acerca do rabo de Viserys não tecerei comentários, até porque não aparece muito. Complicado? Já vi novelas da Globo com enredos mais simples.

Bom, e lá demoli os cinco litros de Santini logo no primeiro episódio. Isto está bonito…

Segundo episódio

“Gente do Norte, já se sabe…”

O segundo episódio abre com Daenerys, que estava habituada a ser uma princesa, a ter de viver na caravana de bárbaros do marido, parando de vez em quando para descansar em acampamentos sinistros. Coitada, fez-me pena. Aliás, agora já nem sequer ninguém a trata por princesa, mas sim por Khaleesi, que é o título que dão à mulher do chefe dos Dothraki. Enfim, para o que uma pessoa havia de estar guardada…

Mas senti que começava a olhar para Drogo com algo que, se não era carinho, também não devia andar muito longe. Aliás, com tanto carinho que pede a uma criada (não sei se na altura se chamavam assim) que lhe ensine a fazer o marido feliz, if you know what I mean. E aqui temos, logo no segundo episódio, o primeiro momento lésbico da série. Consta que não será o último.

Com o jovem casal viaja também o príncipe Viserys, menos incomodado com a javardice à sua volta. O que ele quer mesmo é ser rei. A sua atitude geral é de “Ó filhos, se eu quisesse estar bem instalado, ia para o Ritz. Isto a vida no campo já se sabe como é que é”.

Daenerys Targaryen

Não falei ainda do pequeno anão, perdão, de Tyrion Lannister, irmão da rainha, que adora mulheres de má nota e vinho verde e que neste episódio, ainda antes do pequeno-almoço, dá três ou quatro lambadas ao sobrinho, o príncipe Joffrey que, apesar de ser o herdeiro do trono, come e cala. O anão, perdão, Tyrion, é mau como as cobras, mas não sei… olha, simpatizei com ele.

Com quem eu também simpatizei muito foi com o pequeno Brandon, o miúdo que os irmãos pinadores atiraram da torre abaixo. Mas o puto é rijo e não morreu, como aquele gato a quem se atirou o pau. Está péssimo, sim, é verdade, mas não morreu. Graças a Deus.

Quem não acha graça nenhuma a isto é a Rainha, claro. Então, e se o miúdo acorda e se lembra não só do que viu, mas de quem o fez esbardalhar-se daquela altura toda? Eu é que não queria estar no lugar dela.

Entretanto, quem se prepara para ir para a Muralha (já disse que vi isto em inglês, não sei se foi assim que traduziram The Wall, mas também é para o lado que durmo melhor) é o Jon Snow, o filho bastardo de Lord Ned. O filho da mão esquerda, como diria a minha Avó. Mesmo nunca tendo visto a “Guerra dos Tronos”, sei bem que este Jon vai ser uma das personagens principais. Já li “You know nothing, Jon Snow” em demasiadas T-shirts para perceber isso.

A tal da Muralha é uma coisa tipo a da China, mas para proteger este mundo do outro, e de umas criaturas medonhas, os White Walkers (em português, os Caminhantes Brancos, esta fui ver à Wikipédia). Desconfio que sejam aqueles bichos nojentos que mataram um ror de gente no início do outro episódio.

Enquanto isso, as filhas de Lord Ned, Sansa e Arya, preparam-se para fazer as malas e partir com o pai para a capital. Se se lembram, ele vai ser a Mão do Rei, salvo seja.

A capital ainda não apareceu, mas creio que será um upgrade do lifestyle para as duas raparigas. Temo é que, com aqueles cabelos e aqueles vestidos de juta, passem um mau bocado às mãos das raparigas da cidade, habituadas a outra sofisticação. Nada que o dinheiro não compre. Quem não acha graça nenhuma é a mãe, Catelyn, que, entretanto, vai ficar sozinha, e ainda para mais, com o filho péssimo na cama. Quer dizer, em estado péssimo, deitado na cama. Não há aqui mais incesto.

Já a caminho da capital, o Rei e Lord Ned ficam a saber do casamento de Daenerys com o brutamontes, e ficam logo de pulga atrás da orelha. Está-se mesmo a ver que o casamento traz água no bico. Nenhum dos dois usa qualquer destas expressões, que a série é toda em inglês. Percebem logo que a ideia do príncipe Viserys é usar os homens do calmeirão do cunhado para reclamarem o trono para os Targaryen. “Vai haver guerra”, diz o Rei, sagaz. Olha, até aí chego eu…

Entretanto, de volta a Winterfell, dá-se uma cena do caraças: um tipo com péssimo aspeto entra no quarto onde está o pequeno Bran e tenta limpar-lhe o sarampo (isto passa-se numa altura antes das vacinas terem sido inventadas), mesmo à frente da mãe. E quase o consegue, não fora um lobo, uma espécie de pastor alemão que são os animais de estimação desta gente toda, ter mandado o homem para o galheiro. Salva-se o miúdo e fica a mãe convencidíssima de que aquilo foi um plano dos Lannister para o matar. Ela não sabe por que razão, mas sabemos nós. E, mulher decidida, põe os pés a caminho da capital para contar ao marido as suas desconfianças. “Os pés” é liberdade criativa minha, que, na verdade, foi a cavalo.

Enquanto dura a viagem, na capital, dá-se uma chatice, que nos vos digo nem vos conto. Ou melhor, conto: então é assim, o príncipe Joffrey, que tem um ar estranhíssimo, diga-se, andava a passear à beira de um lago com a futura mulher, Sansa, quando vão dar com a irmã dela, Arya, a brincar às espadas de pau com o filho do homem do talho. Ora o príncipe não acha aquilo nada bem, era o que faltava, onde é que já se viu? E vai daí, resolve dar uma lição ao filho do lumpenproletariat. Arya fica passada e dá uma cacetada nos cornos, perdão, na cabeça, do futuro cunhado. O futuro cunhado fica pior que estragado e vira-se para dar uma sova na futura cunhada. A futura cunhada grita e vem de lá um daqueles providenciais lobos que afinca os dentes no braço do futuro cunhado. Ou seja, ainda nem casaram e já parecem a minha família no Natal. Estou mesmo a ver que isto não chega a netos…

É que a história não acaba aqui. Os homens do príncipe, salvo seja, partem à procura do raio do lobo para lhe encher a boca de formigas, que é uma expressão brasileira que quer dizer “matar” e que eu acho que tem muita graça.

Mas o lobo é rato, mal comprado, e foge. Mas apanham Arya, há uma peixeirada monumental, estala o verniz todo, rodam a baiana, descem do salto, armam um barraco, montam um circo, fazem um arraial. É que estes chiques medievais, quando lhes subia a mostarda ao nariz, eram pior que a malta das barracas, credo. Da cena toda, confirmamos que o Rei é um amor, que a Rainha é uma grande cabra, que o príncipe Joffrey é um cínico e mentiroso, e que provavelmente nem sequer é amigo do seu amigo, que a Sansa é mas é uma ganda Sonsa, e que a Arya, apesar de novinha, é de pelo na venta, enxertada em corno de cabra.

Gente do Norte, já se sabe…

Terceiro episódio

“Há gente muito invejosa”

Foi mordendo uma fatia de pizza fria que comecei a ver o terceiro episódio. Também neste vamos assistir a algumas formigas a já terem catarro. Como é o caso de Daenerys, que, depois de saber que está à espera de bebé, fica toda pispineta e volta e meia dá uma resposta menos simpática ao marido. Naquele tempo, o assunto ficaria resolvido com um par de galhetas, mas a série, não esqueçamos, foi filmada agora e parece mal. Mas, não façam confusões, sou completamente #teamdaenerys.

Entretanto, na Muralha, o jovem Jon Snow vai recebendo o seu treino militar, junto de outros soldados rasos, gente ordinaríssima e sem pedigree nenhum, que parece que só estão bem é a enxovalhar o miúdo por ele ser de boas famílias. Há gente muito invejosa. O chefe daquilo tudo, o Comandante Mormont, que por acaso tem um ar impecável, tenta convencer o anão, perdão, Tyrion (que também tinha ido para a Muralha) a pedir ao Rei, seu cunhado, para ver se manda mais homens para reforçar a guarnição, aproveitando o facto de ser tão íntimo que, seguramente, trataria o Rei por tio. Imagina-se logo a conversa: “Ó tio, porque é que o tio não manda mais homens cá para a Muralha, tio? É super possidónio ter poucos homens na Muralha, tio! É do pior que há, o tio não está bem a ver!”.

Lord Ned acha escandaloso o plano do Rei para matar Daenerys Targaryen, porque não se mata uma grávida. É a primeira vez na série que vejo alguém com objeções a matar pessoas. De vez em quando, também não fica mal. E não vai de modas, demite-se do cargo de Mão do Rei. Ai, filhos, o que ele foi fazer!

Quem também não está bem a ver é Lord Ned, que nem quer crer nos seus olhos quando se vai apercebendo da maneira ruinosa como o Rei tem gerido os assuntos do reino. É o mal das monarquias, que vez em quando, lá calha a coroa a um bêbedo e depois quem se lixa é o mexilhão.

Na pocilga dos Stark, Bran desperta do estupor, mas fica a saber que jamais voltará a andar, que será para sempre uma espécie de Clarinha da Heidi. Hoje em dia, isso já não é um drama, mas na altura, com as acessibilidades, sim, que os cavalos não são como os autocarros, não têm piso rebaixado, era uma grande desgraça.

Comovi-me, confesso. Que eu não sou um monstro.

Quarto episódio

“Nunca se metam com uma mãe obstinada”

No quarto episódio, engulo o que escrevi acima. Afinal, mesmo na altura, um rapazinho paralítico podia muito bem andar a cavalo. Tudo graças a uma sela especial que lhe fez o anão, perdão, Tyrion.

Enquanto isso, na cidade, Lord Ned anda mortinho para perceber o que aconteceu realmente ao seu antecessor, Jon Arryn. E, escarafunchando ali, escarafunchando aqui, acaba por descobrir que o rei tem um filho bastardo. Pela maneira como o pintam, até deve ter mais.

Na Muralha, Jon Snow faz um amiguinho, Samwell Tarly, que tem um ar meio apanhado do clima. “Faz” é como quem diz, acho que não foi biblicamente. Mas aquilo os antigos, nunca se sabe…

Quem está cada vez mais de poucos amigos é Lady Catelyn, a mulher de Lord Ned, a empreender cada vez mais naquilo de que foram os Lannister que lhe tentaram matar o filho. E nunca se metam com uma mãe obstinada. Que o diga o anão, perdão, Tyrion, que a boa da senhora consegue prender com a acusação de conspiração para lhe assassinar o rebento.

E, por falar em rebento, para este episódio, rebentei com um Tablerone daqueles de cinquenta centímetros que só se compram nos Duty Free dos aeroportos. Estão com inveja? Viajem mais.

Quinto episódio

“Por esta altura, já anda tudo à chapada”

E eis-nos chegados ao meio da série. Por esta altura, já anda tudo à chapada uns com os outros e já não se podem ver nem pintados. Nem com molho à espanhola. Nem cobertos de ouro. Nem com calda de chocolate por cima.

Lord Ned acha escandaloso o plano do Rei para matar Daenerys Targaryen, porque não se mata uma grávida. É a primeira vez na série que vejo alguém com objeções a matar pessoas. De vez em quando, também não fica mal. E não vai de modas, demite-se do cargo de Mão do Rei. Ai, filhos, o que ele foi fazer! Antes lhe tivesse cuspido para um olho! O Rei ficou tão lixado, mas tão lixado, que vocês não fazem a mais pequena ideia! Quer dizer, fazem, que já viram todos a série. Mas eu nunca tinha visto, é natural que ainda me espante com estas gritarias.

Jon Snow

Entretanto (é muito difícil estar a fazer resumos de séries sem usar imensas vezes, “entretanto” ou “enquanto isso”, coitadas daquelas pessoas que ganham a vida a escrever as sinopses dos episódios das novelas, e quase de certeza a recibos verdes, olha, estudassem), Lady Catelyn chega a casa da irmã, Lysa, uma chata de galochas, a viúva do tal Jon Arryn. Chega ela mais o anão, perdão Tyrion, seu prisioneiro.

Quando aquilo se sabe na capital, temos mais um espetáculo de gritos e apitos, uma chinfrineira, uma tropa fandanga. Jaime, o irmão que come a irmã, fica p-o-s-s-e-s-s-o com a notícia de que o irmão que ele não come foi agrafado pela mulher de Ned, e vai ter com ele a pedir satisfações. Embrulham-se numa briga descomunal, aquilo dá para o torto, e Ned leva uma real facada na perna.

Está uma pessoa muito bem no sofá a ver um drama de época de fantasia e vai dar ao bairro da Quinta do Mocho… Que chique…

Sexto episódio

“Prevejo aqui um desfeito à Eça de Queiroz”

Já não falta tudo.

O Rei e Lord Ned fazem as pazes e este volta a ser a Mão do outro. Quem não acha pilhéria nenhuma é a Rainha, que protesta: “Então esse estafermo fere um dos meus irmãos e rapta o outro e tu ainda lhe agradeces por cima, caraças? Quem devia usar a armadura era eu, e tu merecias andar com os meus vestidos”. Mas leva prontamente uma chapada na cara e a conversa fica por ali. Mas o Rei, justiça lhe seja feita, ficou um bocado chateado de ter batido na mulher e resolver ir fazer uma caçada para descansar a cabeça. Lord Ned ocupará o seu lugar enquanto Sua Majestade andar a rebentar miolos a perdizes e javalis.

Desculpem só agora falar nisto, mas sinto que vem aí qualquer coisa: Daenerys recebeu de presente de casamento (que foi a única coisa vagamente civilizada que vi aos bichos dos amigos do marido) uns ovos de dragão. Sim, uns ovos de dragão. Não sei, não me perguntem, não fui eu quem escreveu a série, eu estou só a vender pelo preço que comprei. Ora a miúda, perdão, a princesa, perdão, a khaleesi, anda sempre de roda dos ovos. Até parece que está a chocar alguma. Se a coisa se der, contarei mais adiante. Se não, olha, pelo menos não fico com isto atravessado na garganta.

Foi péssima ideia estar a beber um Château Lafite no início do episódio, pois era precisamente da cor do sangue dos quatro vagabundos que são esventrados durante um assalto ao pequeno Bran (que está melhor, graças a Deus, mais animadinho, a gente acostuma-se com tudo), que andava a experimentar uma sela nova. Mas Robb, o irmão mais velho do miúdo, e Theon, um irmão emprestado, salvam o dia e no final ninguém sai magoado.

Exceto, claro, os assaltantes esventrados, e uma pequena ferida na perna de Bran, que pior não ficou.

O anão, perdão Tyrion, continua preso no castelo de Lysa, mas exige um julgamento em forma de duelo, que era uma coisa que havia dantes, em que, em vez de se ser julgado por um juiz, se defrontava com um lutador até à morte. Um pouco mais selvagem, decerto, mas bastante mais rápido que o sistema judicial.

Arya continua o seu treino para se tornar guerreira. Ainda bem que não é minha filha, que eu se tivesse uma filha, punha-a mas era no ballet. Mas se calhar na altura não havia.

Daenerys continua lá com as suas macumbas. E eu respeito muito essas coisas.

O anão, perdão Tyrion, continua preso no castelo de Lysa, mas exige um julgamento em forma de duelo, que era uma coisa que havia dantes, em que, em vez de se ser julgado por um juiz, se defrontava com um lutador até à morte. Um pouco mais selvagem, decerto, mas bastante mais rápido que o sistema judicial. Como ninguém quer dar uma tareia ao anão, perdão, a Tyrion, um cavaleiro oferece-se para lutar por ele. Que xitex! Já conto como acaba isto!

Enquanto o Rei se diverte nas caçadas, Lord Ned, sentado no trono, ouve as queixas de um camponês qualquer, de chapéu na mão e joelho por terra. Diz o pobre homem que a sua aldeia foi toda escavacada por uns tipos muito maus, que incendiaram o que havia e o que não havia e ainda deram uma coça monumental aos poucos que sobreviveram. E que nem sequer roubaram nada, imagine-se! Ned faz contas de cabeça e chega à conclusão que aquilo só pode ter sido obra dos homens de Gregor Clegane, um lacaio dos Lannister. Não vai de modas: pena de morte para Gregor e que se mande chamar para uma conversinha Tywin Lannister, o pai da Rainha (e o homem mais rico do reino, não digo isto por ser um deslumbrado, mas é que estas coisas também são importantes).

De volta à luta pela liberdade do anão, perdão, de Tyrion, contra todas as expectativas, o tal cavaleiro que se ofereceu para lutar por ele, Bronn, lá ganha o combate. Mata o outro cavaleiro e por pouco não escavacou a casa toda à mulher, que não tem outro remédio senão deixar partir o seu prisioneiro. Coitada, pá!

Coitadas também das filhas de Lord Ned, a quem o pai manda recambiadas para Winterfell, contra a vontade delas, que bem esbracejaram. Isto é mais ou menos como se estar a viver em Nova Iorque e alguém nos mandar de volta para Serpins do Vouga. Mas as raparigas, nesta altura, faziam o que os pais as mandavam. Não é como agora, que é uma pouca vergonha! São todas umas malcriadas e oferecidas! Não têm nível nenhum! Só querem é andar nos copos e a fumar charros! E usar grandes decotes e tratar os rapazes por tu! Isto dantes é que era bom!

Quer dizer, não é que antigamente não houvesse mulheres muito pouco sérias. Por exemplo, Lord Ned começa a desconfiar seriamente que o filho do Rei não é mesmo filho dele. Que é filho mas é de outro. Prevejo aqui um desfeito à Eça de Queiroz.

E por falar em irmãos, quem se lixou bem lixado foi Viserys, que se pôs a espingardar com a irmã e acabou morto pelo cunhado, Drogo, com um pote de ouro derretido espetado pelos cornos abaixo, perdoem-me a expressão popular.

Sétimo episódio

“Chiça, que não se pode confiar em ninguém nesta série”

Capítulo sete da nossa saga: Lord Ned vai ter com a Rainha e vira-se para ela e diz-lhe que sabe muito bem que os filhos dela não são filhos do Rei. São filhos dela com o irmão Jaime. Não lhe chamou mesmo “p*ta”, mas ficou subentendido.

Nisto, chega a má nova de que o Rei foi ferido por um javali enquanto caçava (bem feita) e que, no seu último suspiro, nomeia Ned defensor do reino, até o filho Joffrey ter idade para isso. Por acaso, e isto é um aparte, para filho de dois irmãos, o miúdo até é bastante esperto. Podia ter corrido muito pior.

Mas Ned tem outros planos: pôr a coroa na bela cabeça de Stannis, o irmão do Rei, agora que sabe que não corre um pingo de sangue real nas veias do catraio. Para o conseguir, pede ajuda a Petyr Baelish, para que este trate de convocar para o seu lado os guardas da cidade, os únicos capazes de enfrentar as forças leais ao partido da Rainha Cersei. Encontram-se todos na sala do trono, Ned, a Rainha, Joffrey, Baelish e os guardas, mas estes traem Ned, atacam os seus homens e prendem-no por traição. Chiça, que não se pode confiar em ninguém nesta série!

Por exemplo, não dá para confiar na Rainha, mas isso já nós sabíamos. É que afinal, o Rei não morreu por causa do javali. Ou melhor, morreu, mas o javali só o matou porque, às ordens de Cersei, o escudeiro Lancel lhe pôs uma espécie de boa noite Cinderella no vinho. É por estas e por outras que eu nunca me hei-de casar…

Por falar em casar, Drogo, aquele bárbaro casado com Daenerys, jura vir a ser Rei dos Sete Reinos, custe o que custar. Não sei onde é que ele foi buscar a ideia. Mas parece muito decidido.

Estou a ver as coisas muito malparadas…

Oitavo episódio

“Muitas pessoas mandam outras à merda”

Ora este episódio oito, se ainda não perderam o fio à meada, abre com um já habitual banho de sangue, e não é pouco. Os homens dos Lannister vão atrás das filhas de Lord Ned e matam uma data de gente pelo caminho. A mais piquena, Arya, consegue fugir, mas a mais enjoadinha, Sansa, é capturada. Quando o irmão Robb sabe disto, ai haviam de ver, dá-lhe uma coisa má, enche-se de brios e decide pegar no seu exército e lutar contra os Lannister. Só lhe desejo é sorte.

Já a tia, Lysa, recusa-se a ajudar o sobrinho em tal missão. E a irmã, Catelyn manda-a à merda mas com outras palavras mais próprias de uma senhora, vira-lhe as costas e sai disparada de casa. Nesta série, muitas pessoas mandam outras à merda, depois viram as costas e saem disparadas. No “Dallas” também. Só que, nessa série americana dos anos 70, a maior parte das vezes estavam bêbedas.

A tensão está no ar, os ânimos estão ao rubro e a pancadaria da grossa está em alta! Não há muito sexo, mas anda toda a gente com mais que fazer, que a guerra é uma dor de cabeça. E já se sabe que com dores de cabeça, o sexo é coisa que não apetece.

O anão, perdão, Tyrion é apanhado numa emboscada por uns burgessos inspirados nos vikings, que eu bem percebi e, para salvar a pele, pede-lhes que o levem, a troco de ouro, incenso e mirra (ou, numa versão mais moderna, leite, tabaco e droga), ao acampamento de seu pai, Tywin, que lhes há-de pagar, que ele agora ali não tinha trocado. Os bichos assim fazem. Lá chegados, o pai do anão, perdão, de Tyrion, pede-lhes ajuda para enfrentar os homens de Robb, em troca de ainda mais riquezas. Estou para ver se lhes pagam no fim…

Há um intermezzo de trinta segundos sem violência, mas depois somos brindados com uma carnificina daquelas à antiga, gentilmente trazida pelos homens de Drogo. Quem, como brinde extra, ainda mata um tipo e lhe arranca a língua. Quem nunca, não é?

Num lado mais sobrenatural da série, os Caminhantes Brancos, no fundo, uns zombies, começam a aterrorizar os soldados da Muralha. Mas Jon Snow limpa um sebo a um deles, queimando-o. Parece que só morrem assim, que aquilo é bicheza que é pior que as baratas, o raça das criaturas.

De volta à capital, o jovem Rei, Joffrey, já de coroa a cingir-lhe a fronte, nomeia o avô (pela parte da mãe e do pai, curiosamente) Tywin como sua Mão.

Sansa, a Sonsa pede-lhe de joelhos que tenha misericórdia do pai, Lord Ned, preso nos calabouços do palácio.

“Talvez, talvez. Mas, para isso, ele que venha cá acima e me jure lealdade”, diz o pequeno Rei. “Então tá”, responde Sansa.

Nono episódio

“Não faças uma coisa dessas, pela tua saúde”

Estão preparados? Nem eu.

A tensão está no ar, os ânimos estão ao rubro e a pancadaria da grossa está em alta! Não há muito sexo, mas anda toda a gente com mais que fazer, que a guerra é uma dor de cabeça. E já se sabe que com dores de cabeça, o sexo é coisa que não apetece.

O exército dos Stark chega ao castelo de Lord Frey e pede-lhe auxílio para combater os Lannister. Como não há almoços grátis, ele até aceita, mas, em troca, quer casar os dois filhos com Robb e Arya. Quer dizer, casar uma filha e um filho respetivamente com Robb e Arya, que antigamente não havia cá dessas coisas. Quer dizer, haver havia, mas era tudo assim mais escondido. Não havia cá marchas do orgulho e assim.

Tyrion Lannister

Há uma batalha, morre um porradão de gente, mas Jaime é capturado. Assim vale a pena.

Na capital, Lord Ned, numa audiência perante todos, confessa o seu crime de traição e jura lealdade ao novo Rei. E, pronto, assunto resolvido. Queriam! Nada disso. O Rei, faltando à sua palavra — pois prometera mandar Ned para a Muralha, para ele aprender a ter maneiras — decide cortar a cabeça à antiga Mão do seu Pai (que não era mesmo seu Pai). Cabrão do miúdo, hã? Todos gritam, imploram, até a mãe!

“Ai tu não te desgraces! Tu não faças uma coisa dessas, pela tua saúde!”. Mas entrou-lhe por um ouvido e saiu por outro. E é ali mesmo, em frente às filhas, que Lord Ned vai desta para melhor. Que para pior também não havia como. Vai deixar saudades.

Drogo, que tinha ficado ligeiramente ferido naquela cena em que arrancou a língua a um amigo, está com aquilo infetadíssimo. Como não havia Betadine e essas coisas na época, Daenerys convence uma escrava que era bruxa a prestar os primeiros socorros, não vá o marido quinar. A escrava lá faz uma bruxaria qualquer. Nisto, Daenerys entra em trabalho de parto. Sim, que as princesas, às vezes, também trabalham.

Décimo episódio

“Vou beber mais café e ver a segunda temporada”

E eis-nos chegados ao último episódio da nossa série. Eu estou em pulgas. Já fumei sete maços de cigarros entre o sétimo episódio e o início deste. Que irá acontecer? Acabarão todos amigos? Terminará tudo à roda de uma fogueira a beber que nem uns marinheiros, a comer javali assado, com um bardo atado a uma árvore, como nos livros do Asterix? A ver vamos. Bom, a ver vou.

A triste notícia da morte de Lord Ned chega aos seus domínios. Os filhos pequenos ficam inconsoláveis, a mulher fica tristíssima e o filho Robb tem um pequeno ataque de histeria com uma espada.

A bruxa é queimada junto do homem que, no fundo, matou. E a própria Daenerys avança para dentro das chamas. Mas nada temam, que não morreu. Quando as chamas se extinguem, ei-la nua, meia chamuscada, mas de resto bem. Com o cabelo um pouco em desalinho, talvez. Mas creio que ninguém terá reparado no seu cabelo.

No palácio real, o raio daquele fedelho do Joffrey vai-se revelando cada vez mais um facínora. Um autêntico filho da mãe. Bom, e do pai. Que, como se recordam, são irmãos. Imaginem só que mandou cortar a língua a um jogral por causa de uma música menos simpática em que enxovalhava o Rei-pai, que Deus o tenha, e que nem sequer era pai. A verdade é que me lembrei logo de cinco ou seis cantores que não se perderia nada se ficassem sem língua. Mas não vou dizer nomes.

Na frente de guerra, o valente Robb dá umas boas abadas aos inimigos, direi mesmo que sambou na cara das inimigas. E o Norte resolve separar-se dos Sete Reinos (que ficam só Seis) e coroa o filho mais velho de Lord Ned como seu rei. Kudos, kid!

O velho Tywin, com o filho Jaime preso pelos nortenhos, passa o cargo de Mão do Rei ao filho anão, perdão, Tyrion, e parte para defender o trono do duplo neto Joffrey.

O novo Mão do Rei não acha muita graça à história ao princípio, mas lá resolve partir para a capital, e leva consigo uma piquena que é prostituta. Não estou a ser má língua, era mesmo.

Na Muralha, Jon Snow tenta fugir para ir ajudar o irmão a vingar o pai, mas o Comandante apanha-o e diz-lhe que o lugar dele é ali, a honrar o seu juramento e a defender a terra do que raio houver para lá daquela parede de pedra. Emocionado, o rapaz lá assenta ou assente, ou lá como se conjuga o verbo assentir. E, sem perder tempo, lançam-se numa expedição para lá do muro, para ver que forças se movem do outro lado. Mexicanos não serão com certeza.

Arya, disfarçada de rapaz consegue fugir da capital, rumo às Muralhas. Já a irmã, tem melhor ou pior sorte, dependendo do ponto de vista, que fica na cidade, onde será casada com Joffrey e coroada rainha. Não sei o que virá aí no futuro, mas vi-lhe no brilho dos olhos que ficou bem lixada com o futuro marido por lhe ter decepado o pai. Bom, também não é caso para menos.

Daenerys recebe a notícia de que, apesar dos feitiços, o seu filho nasceu morto. A feiticeira diz-lhe que a morte do filho foi em troca da vida do marido. Mas depois, ao ver Drogo, percebe que “vida” é a gente a falarmos, que o homem parece que teve uma overdose de qualquer coisa má. Não se mexe, não fala, e tem o olhar vítreo de um pateta alegre. Mal-empregado, que era bem jeitoso. Deve ter sido isso mesmo que ela achou, pois que lhe acabou com o sofrimento com uma almofada na cara.

Numa cerimónia simples, mas bonita e comovente, prepara-se a pira funerária de Drogo, onde se lhe juntaram os ovos de dragão que haviam sido o seu presente de casamento.

A princesa liberta os escravos, mas alguns ficam, que isto há gente que parece que gosta mesmo é de servir.

A bruxa é queimada junto do homem que, no fundo, matou. E a própria Daenerys avança para dentro das chamas. Mas nada temam, que não morreu. Quando as chamas se extinguem, ei-la nua, meia chamuscada, mas de resto bem. Com o cabelo um pouco em desalinho, talvez. Mas creio que ninguém terá reparado no seu cabelo. É que, ao ombro e no regaço, trazia umas pequenas criaturas: três dragõezinhos amorosos, nascidos daqueles ovos.

Foi com uma lágrima a escorrer-me pela cara que fiquei a olhar para aquela mulher. E lembrei-me da rapariga assustada que não se queria casar com o bruto. Gostei de vê-la assim. De cabeça erguida. Renascida das cinzas. Uma mulher guerreira. Uma vencedora.

Levantei-me, e inclinei-me perante ela à frente da televisão.

Agora, vou beber mais café e ver a segunda temporada.

Adeus.

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