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Os oito elementos com diferentes funções e experiências na ModaLisboa que põem grande parte do evento a funcionar
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Os oito elementos com diferentes funções e experiências na ModaLisboa que põem grande parte do evento a funcionar

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

Os oito elementos com diferentes funções e experiências na ModaLisboa que põem grande parte do evento a funcionar

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

“Já houve pessoas que foram embora zangadas, mas depois ficámos amigos.“ Quem decide onde se senta quem na ModaLisboa

Clientes dos designers, criadores de conteúdos, celebridades, parceiros do evento. Da lista de convites até ao início de cada desfile, cabe à equipa "walkie-talkie” gerir lugares (e humores).

Durante os dias do evento a equipa de oito pessoas que organiza a ModaLisboa passa para 600, que incluem todos os que fazem a magia acontecer. Além destas há ainda as centenas que durante quatro dias acorrem a esta semana de moda na capital para assistir em lazer ou trabalho. Há clientes dos designers, jornalistas, criadores de conteúdos, parceiros do evento ou simplesmente amigos que compõem uma pequena multidão que, várias vezes em cada um dos dias, espera que a porta da sala de desfiles se abra. Como se faz uma lista de convidados para a ModaLisboa e quem são as pessoas que os recebem e organizam nos dias do evento? Fomos saber.

A poucos dias de arrancar mais uma edição da ModaLisboa, o Pátio da Galé, a morada onde o evento tem lugar entre os dias 7 e 10 de março, ainda não denunciava que a semana de moda da capital estava à porta. Garante quem está habituado a estas andanças que o trabalho de muitas semanas dá frutos à última hora e tudo se compõe.

Manuela Oliveira, diretora de relações públicas e comunicação da ModaLisboa, explica ao Observador que há uma lista de contactos de email que é definida pela organização da ModaLisboa em conjunto com alguns relações públicas. Daqui vão sair cerca de 500 convites físicos para todos os desfiles do evento. A estes há que somar os 200 convites que cada designer tem para enviar aos seus convidados. Uma sala de desfiles da ModaLisboa comporta em média 800 a 900 pessoas, o que também ajuda a definir o número de convites distribuídos e a ter uma ideia de como será o volume de público.

Há uma reunião de projeto em que é pensada a divisão do espaço na sala de desfiles e, diz quem sabe, que quando há uma primeira fila longa o trabalho fica um pouco facilitado. A equipa está dividida por categorias: imprensa nacional, imprensa internacional, influencers, patrocínios, convidados de criadores e protocolo.Quando os convidados e profissionais chegam à sala de desfiles já os lugares estão definidos e marcados. Para a equipa da ModaLisboa, ao longo destes dias há uma mecânica que consiste em fazer a entrada na sala de desfiles, sentar as pessoas para ver o desfile, esvaziar a sala, ir buscar o designer para ser entrevistado pela imprensa e recomeçar tudo outra vez. Há ainda a ter em conta os trabalhos que são feitos nos bastidores, diretos para televisão ou entrevistas. Ao longo dos últimos anos à comunicação social juntaram-se os bloggers e depois vieram as redes sociais e a febre da produção de conteúdos.

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O primeiro dia, dizem-nos, é o mais complicado porque é quando tudo é testado e ajustado. Por isso, antes deste dia, quando ainda se ultimavam preparativos, falámos com as pessoas que convidam, recebem e orientam os convidados da ModaLisboa, elementos de uma mecânica que põe grande parte do evento a funcionar. Ficam a faltar os testemunhos de Olga Barrisco, que coordena os convidados fora da sala de desfiles e a sua entrada, e ainda Sofia Matos Ribeiro, que ajuda no trabalho de relações públicas. E há também uma referência incontornável que, apesar de já não estar cá, foi várias mencionada, Mariama Barbosa.

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“O trabalho é de relações públicas. Tens de tratar bem, tens de estar sempre com um sorriso, tens de engolir muitos sapos e, de facto, é uma aprendizagem.” Manuela Oliveira, diretora de relações públicas e comunicação

Durante o evento faz assessoria de imprensa, garante que quem vai fazer a cobertura mediática não falha a chamada e, em média, recebe cerca de 200/250 pessoas acreditadas. Há pelo menos 17 anos que faz parte da ModaLisboa e é fácil vê-la nos dias dos desfiles a circular pelo terreno, garantindo que as engrenagens estão todas a funcionar e que esta celebração da moda nacional vai muito além da sala de desfiles.

Como descreveria o seu trabalho?
Eu trabalho um bocadinho com todos. Durante o evento faço a assessoria de imprensa, portanto, envio os convites para os jornalistas, fotógrafos, operadores de câmara, influencers, todas as pessoas precisam de uma acreditação onde seja necessário fazer cobertura mediática, passa por mim. Depois [no evento] é gerir esta mecânica de entrar na sala de desfiles, sentar para ver o desfile, acontece o desfile, vamos buscar o designer, sala de entrevistas, entrevistas, voltar a encher a sala, volta… Durante todos estes três dias, a dinâmica é esta. Além desta logística de desfile-entrevista, ainda temos várias outras peças combinadas, por exemplo nos bastidores. Tudo isto nós temos de acompanhar e garantir que acontece. Nós somos bastantes a trabalhar, mas, efetivamente, há tantas coisas a acontecer ao mesmo tempo e, claro, às vezes fogem ao nosso controle, porque é mesmo assim. Tenho de estar na sala de entrevistas, depois tenho de ir para a sala de desfiles, depois tenho de ir para a régie porque também faço a coordenação dos programas de televisão e nos primeiros desfiles é mesmo importante acompanhar a primeira captação de imagem para perceber se está tudo certo. No primeiro dia ainda tenho de articular estas equipas de captação de imagem, ainda está toda a gente ainda a conhecer o espaço e entrar na dinâmica, portanto, tem de haver muita disponibilidade para gerir todas estas pessoas. Mas é um trabalho super giro. Há sempre imprevistos, mas quanto mais planeado estiver, de certeza que vai correr melhor. Portanto, esta é a minha máxima, eu tento planear o máximo que eu conseguir.

Como chegou a esta função na ModaLisboa ou como é que ela chegou até si?
De facto, este foi o meu primeiro trabalho a sério, porque eu vim para cá no final do curso, vim fazer um estágio curricular, que virou estágio profissional, que virou emprego o tempo inteiro. Desde miúda que me interessava por moda e, realmente, em Portugal não havia grandes oportunidades, eram as revistas de moda ou a ModaLisboa, pelo menos em Lisboa. Foi a minha professora que me despertou para a ModaLisboa. Foi assim que aconteceu. Quando ela me mandou um pedido de estágio, eu vim a uma entrevista, comecei enquanto assistente de imprensa internacional, foi assim que eu entrei na ModaLisboa e pronto, nunca mais saí.

Qual o momento mais complicado que já teve numa edição da ModaLisboa?
Tenho uma boa capacidade de gerir as situações menos boas, porque se me perguntares assim de repente, não me lembro. Claro que há situações stressantes, em que acabamos por estar muito enervados, lidar com tantas pessoas, principalmente com o público, e aqui há muitos egos. Logo no início, lembro-me que era um bocadinho mais sensível a essas situações, agora não faço isso, já não sento as pessoas na primeira fila, e já não tenho essas confrontações. Mas houve momentos em que, de facto, era complicado pedir às pessoas para não se sentarem, porque o lugar está reservado, e ignoravam simplesmente, e discutiam. De repente estás num evento e tens de estar a ter uma discussão. O trabalho é de relações públicas, tens de tratar bem, tens de estar sempre com um sorriso, tens de engolir muitos sapos e, de facto, é uma aprendizagem.

E qual o mais divertido?
Há imensos momentos divertidos.Nós somos uma equipa super positiva, somos todos um bocado loucos, um bocadinho caóticos, mas divertimo-nos imenso. Tínhamos uma pessoa na equipa que já não está connosco, que era a Mariama. Ninguém que tenha convivido com ela ficava indiferente e faz imensa falta, tenho imensas saudades dela. É insubstituível.

Manuela Oliveira, diretora de relações públicas e comunicação

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“O mundo digital tornou cada convidado um importante ponto de comunicação.” Daniel Matos Fernandes, relações públicas

Há já 14 edições que guia pelos corredores da ModaLisboa os convidados e profissionais que coordena durante o evento, com auricular no ouvido e olhar atento. A experiência de uma década e meia a trabalhar entre a comunicação e o mercado do luxo permite-lhe destacar dois pontos fundamentais do seu trabalho na semana de moda da capital: “O mundo digital tornou cada convidado um importante ponto de comunicação. Do ponto de vista económico, os últimos anos foram decisivos para afirmar as indústrias criativas (da qual fazemos parte) como fatores chave de aceleração e crescimento económico do país.”

Como descreveria o seu trabalho?
Ao longo de todo o ano mantemos uma atenção constante aos novos nomes nos setores das artes, cultura, empreendedorismo, negócios, música, cinema, design, arquitetura e das indústrias criativas em geral. Também estamos sempre atentos a personalidades com maior destaque que gostaríamos de ter mais próximas do evento. Nos meses que antecedem cada edição, começamos a preparar as guest lists para os grupos mais restritos de convidados que recebem o convite diretamente por parte da organização. Durante os dias do evento recebo, acompanho e agilizo os acessos dos convidados, em paralelo coordeno também o trabalho dos fotógrafos que trabalham na nossa equipa.

Como chegou a esta função na ModaLisboa ou como é que ela chegou até si?
Comecei a trabalhar em 2009 com um background em Business Communication. Ao longo dos últimos 15 anos, como produtor de eventos e PR [public relations] para os setores de perfil alto e sectores institucionais, trabalhei com marcas como a Hermès, Prada, Loewe e Cartier. Hoje em dia trabalho com o MAAT e clientes privados. O convite para me juntar à equipa da ModaLisboa surgiu naturalmente no meio deste percurso.

Qual o momento mais complicado que já teve numa edição da ModaLisboa?
Os momentos mais desafiantes são nos 30 minutos antes de cada desfile começar. É um momento que se repete sempre a cada novo desfile. Os momentos “walkie-talkie”. Num auricular estou a receber informações da equipa, no outro auricular estou ao telefone com um convidado que está a chegar. Ao mesmo tempo estou a acompanhar um grupo convidados à sala de desfiles e ainda, em simultâneo, a passar indicações aos nossos fotógrafos. São 4 direções para diferentes pontos cardeais ao mesmo tempo.

E qual o mais divertido?
Temos convidados de todos os setores, das artes à cultura, dos negócios às indústrias criativas.As histórias não tem fim, desde desfiles que acabaram literalmente em festas, momentos com os fotógrafos e claro momentos com a equipa no backstage todos os dias.
Os convidados têm a perspetiva dos holofotes mas é uma equipa grande que faz o evento acontecer.

Daniel Matos Fernandes, relações públicas

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“Toda a gente que veio nessa edição [em março de 2020] se lembra da ModaLisboa como o último momento em que fomos livres.” Lígia Gonçalves, coordenação da imprensa internacional

Foi jornalista e editora, mas quando deixou a escrita continuou a contar histórias. É a responsável pelo departamento de imprensa internacional, recebe entre 25 a 30 jornalistas internacionais, garante que nada lhes falta e que tiram o máximo partido da semana de moda de Lisboa. É uma espécie de enviada especial apenas para os dias do evento, mas não falha o seu posto desde outubro de 2019. Antes do evento abrir ao público trabalha sozinha, mas acompanhada de perto pela equipa fixa do evento. Nos dias intensos de desfiles têm cinco pessoas consigo, para atenderem a diferentes funções.

Como descreveria o seu trabalho?
Eu diria que é uma mistura entre produção, gestão e planeamento. Mas também uma cota parte, sobretudo nos dias de edição, de relações públicas, porque depois também se trata de um trabalho de receber pessoas. Mas talvez, em suma, diria que é um trabalho de contar histórias. Eu pelo menos continuo sempre a ver o trabalho na ModaLisboa como uma extensão do trabalho que já tinha feito, que é o único trabalho que eu também faço neste sentido, que é contar histórias. Contar, aos jornalistas internacionais neste caso, a história daquilo que é uma parte da moda nacional.

Como chegou a esta função na ModaLisboa ou como é que ela chegou até si?
Acho que foi um alinhamento, na verdade. Tinha acabado de sair de uma redação e de ser jornalista, ia passar a ser freelancer e explorar outras formas de comunicar. Na mesma altura, a pessoa que fazia este meu trabalho anteriormente também abandonou este posto. E, então, de alguma maneira, acabou por ser um alinhamento de ocasiões. Já nos conhecíamos há muitos anos. Portanto, havia essa presunção de que eu já saberia as histórias dos designers, também a presunção de que eu já saberia o que era ser jornalista, e foi assim.

Há sempre um pré-planeamento dos objetivos que se pretende atingir e dos mercados que são importantes para a ModaLisboa e para os designers. Claro que vamos sempre tentando dar espaço a novos mercados, a novas pessoas. Tentamos sobretudo garantir que temos uma cobertura que abrange as necessidades de todos os nossos designers, que são diferentes. Eu diria que a Moda Lisboa acaba por ser um espaço em que se valoriza o trabalho dos designers e portanto, nesse sentido, é preciso calcular que os jornalistas que trazemos garantam cobertura para os diferentes designers.

Qual o momento mais complicado que já teve numa edição da ModaLisboa?
Eu acho que definitivamente a Covid; foi a minha segunda edição, em março de 2020. No sentido em que, para todos, na generalidade, foi uma descoberta. A ModaLisboa foi antes sequer de nós ficarmos em confinamento. Apanhamos um espaço de transição em que as pessoas ainda não sabiam se davam beijinhos ou não, também um espaço de transição nas restrições de voos. Nós tínhamos um grupo muito grande de jornalistas nessa edição e alguns voos acabaram por ser cancelados. Portanto, eu acho que foi uma edição de gestão, descoberta, em que todos no país e no mundo, estávamos a descobrir o universo da Covid e como lidar com isto.

Nós fomos a última semana de moda [nessa estação]. Os meus jornalistas internacionais diziam que nós tínhamos sido a última festa, a última semana de moda. Então toda a gente que veio nessa edição se lembra da ModaLisboa como o último momento em que fomos livres. Nessa edição recebíamos o United Fashion Project, um projeto europeu que vai rodando entre capitais e consiste num grupo de sete organizações de moda europeias com o objetivo de desenvolver a moda independente na Europa. E depois isto alinhava também com o facto de Lisboa ser a capital verde neste ano.

E qual o momento mais divertido?
Eu sei que já me ri muitas vezes e já me diverti muitas vezes. Agora, não sei se consigo identificar um momento específico. [O ponto alto] acho que para mim é o início, é a concretização. Quando todos chegam, quando toda a gente está em Portugal, quando os drivers os apanharam a todos no aeroporto (9:20) e os levaram a todos para o hotel.E depois quando do hotel chegam à edição e, finalmente, as filas de imprensa internacional se compõem e a partir daí torna-se tudo real. E isso é fixe.

Lígia Gonçalves, coordenação da imprensa internacional

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“Acho que são os pequenos erros, ou algo que não vai ao encontro do que planeámos, que nos fazem rir.” Ricardo Nogueira, sitting de imprensa

Aos 32 anos conta já com 12 de ModaLisboa. Da arquitetura passou para este evento onde mantém a imprensa nacional organizada e com as suas dúvidas respondidas. Deste trabalho confessa que leva experiência e ensinamentos para a vida, assim como relações que mantém no dia-a-dia longe dos holofotes.

Como descreve o seu trabalho?
O meu trabalho é consideravelmente reduzido em comparação com tantas outras pessoas que contribuem para a organização de cada edição durante meses. Desempenho-o exclusivamente durante os dias do evento e no fundo faço de “host” na sala de desfiles para as várias pessoas que vêm através de meios de imprensa nacional. Garantir que ficam bem instaladas, fornecer qualquer informação sobre o evento e ajudar no contacto entre estas e os designers após cada um dos desfiles são as minhas principais funções.

Como chegou a esta função na ModaLisboa ou como é que ela chegou até si?
A minha formação é em Arquitetura e é nessa área que exerço a minha profissão. Se, à partida, poderia não haver uma relação direta, foi precisamente por sempre ter tido curiosidade noutras artes plásticas e de expressão artística e ter criado relações com alunos de Design de Moda na minha faculdade, que surgiu a oportunidade de poder integrar uma edição [da ModaLisboa] pela primeira vez, em regime de voluntariado, faz agora 12 anos.

Ao longo de 22 edições desempenhei diversas tarefas, desde ajudar no sitting em geral, controlo de entradas, montagem e desmontagem de material ou ajudar na coordenação das equipas de novos voluntários. Mas foi em 2016 que surgiu o convite da Manuela Oliveira (do Gabinete de Comunicação) para integrar a sua equipa. Ao contrário do que imaginei inicialmente é impossível ter contacto com o processo criativo dos Designers, mas acabei por criar uma maior perceção quanto à produção e organização do próprio evento, que é uma vertente que me interessa também.

Qual o momento mais complicado que já teve numa edição da ModaLisboa?
É inevitável que, durante 3 dias intensos e com algum stress, não haja alguns momentos difíceis e/ou de tensão. Por exemplo, termos salas de desfiles totalmente lotadas ou aparecer alguém que dificulta o nosso trabalho e provoca situações desagradáveis é algo recorrente e com o qual já aprendemos a lidar. Ainda assim, diria que a primeira edição após a morte da Mariama Barbosa foi o momento mais difícil/estranho e que acabou por se sentir em toda a equipa de uma forma transversal. Sempre teve uma energia contagiante e transformava qualquer problema numa solução imediata, de uma forma prática, mas sempre com cortesia e delicadeza.

E qual o momento mais divertido?
Os meus dias são uma correria desde o momento em que chego até ao final da noite e, como tal, não tenho propriamente tempo para usufruir do próprio evento ou ter momentos de diversão como gostaria. Acho que são os pequenos erros ou algo que não vai de encontro ao que planeámos (mas que só nós nos apercebemos) que nos fazem rir. Mas no geral, mais do que me divertir, prefiro ter a sensação de ter feito um bom trabalho e ter contribuído para boas edições e alguns momentos memoráveis na ModaLisboa.

Ricardo Nogueira, faz o sitting de imprensa

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“Durante o evento, caótico seria a palavra-chave.” António Custódio, responsável por influencers e redes sociais

Conhece bem o puzzle das bancadas da  ModaLisboa porque começou a trabalhar na difícil tarefa de sentar os convidados como voluntário em 2013. Passou pela equipa do Gabinete de Imprensa e Comunicação, foi assistente do Gabinete para as edições da Lisboa Fashion Week e Social Media Manager da ModaLisboa com um olho nas redes sociais e outro nos influenciadores digitais.

Como descreve o seu trabalho?
Durante o evento, caótico seria a palavra-chave. Mas ao mesmo tempo, é bastante interessante a procura que fazemos em todas as edições da ModaLisboa pelo Sangue Novo, não só nos designers de moda, mas também nos novos nomes que nos vão ajudar a comunicar a mensagem da Lisboa Fashion Week e dos designers que integram esta plataforma. Isso exige sempre o cuidado de procurar por novos perfis de influenciadores digitais, tanto em termos de criatividade nos conteúdos que criam, como em termos dos públicos que atingem.

Como chegou a esta função na ModaLisboa ou como é que ela chegou até si?
Trabalhando tudo o que são redes sociais da Associação ModaLisboa, foi natural ficar responsável por esta área. O início do meu trajeto na equipa começou pela relação com a imprensa, onde começaram a ser incluídos os bloggers. Mais recentemente, a categoria de “Blogger” transformou-se em “Criadores de Conteúdos” em várias plataformas digitais distintas e, para conseguirmos gerir estas áreas da melhor forma, tivemos que fazer uma divisão, acabando por ficar responsável dessa área.

Qual o momento mais complicado que já teve numa edição da ModaLisboa?
O sitting de cada desfile é sempre dos momentos de maior stress durante a edição, porque temos uma quantidade de lugares limitada e, sob pressão, temos que tomar decisões sobre quem fica na primeira, segunda ou terceira fila (de onde, verdade seja dita, a vista costuma ser muito melhor do que da primeira). Apesar de tentarmos prevenir ao máximo situações inesperadas, solicitando as confirmações de cada influenciador digital para cada desfile, por vezes a nossa área de sitting não é suficiente para sentar todos os convidados. E aí começa a tensão de tentar atender a todos os pedidos e a negociação de lugares com os outros departamentos.

E qual o mais divertido?
Todas as pausas que conseguimos fazer em equipa enquanto um desfile está a decorrer. Depois de fazermos o nosso trabalho na sala de desfiles, sempre que conseguimos, temos ponto de encontro na sala de produção para comentarmos o stress pelo qual acabámos de passar e acabam sempre por surgir histórias divertidas nesses momentos de descompressão.

António Custódio, responsável por influencers e redes sociais

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“Já [houve pessoas que] foram embora zangadas, mas depois ficámos amigos a seguir.“ Gabriela Vasconcelos, relações públicas e gestora do sitting

Está na semana da moda da capital quase desde o início, quando era uma das poucas pessoas a coordenar a sala de desfiles. Atualmente tem uma função com um nome algo pomposo, mas vai explicá-lo. Diz que, quanto ao trabalho, tudo foi ficando mais profissionalizado com a passagem do tempo. Do lado dos visitantes, o seu olhar observador conclui que o público é muito diversificado, que se vai renovando e que “cada vez vêm pessoas mais interessadas”. E o que faz a pessoa que senta os convidados quando eles estão todos sentados? “Não posso dizer.”

Como descreve o seu trabalho?
Eu faço a Front Row Seating Coordination. No fundo trato da primeira fila. Os convidados da primeira fila, os convidados da ModaLisboa, ajudo todas as outras áreas, os convidados dos criadores. Estou na sala antes de toda a gente para coordenar toda a nossa experiência. Entrei como assistente de produção e hoje em dia faço o que faço.

Como chegou a esta função na ModaLisboa ou como é que ela chegou até si?
Eu sempre vim à ModaLisboa, vinha com o meu primo Ricardo e sempre adorei cá andar. Depois, houve uma oportunidade de vir trabalhar com a Cláudia Lopes, fui assistente de produção durante uns anos e depois rapidamente fui para o sitting. Temos a sala [de desfiles] dividida em áreas: temos a imprensa, os convidados de ModaLisboa, os convidados do criador, os sponsors, e cada um tem o seu coordenador. Já houve alturas em que fazia tudo, mas hoje temos tudo dividido.

Qual o momento mais complicado que já teve numa edição da ModaLisboa?
Já tive vários, em todas as edições há momentos complicados, porque há pessoas que se sentam em lugares porque vêm acompanhar outras pessoas e querem estar na primeira fila, mas nós temos os locais marcados. É sempre difícil lidar e fazer essa gestão de problemas. Já [houve pessoas que] foram embora zangadas, mas depois ficámos amigos a seguir.

E qual o momento mais divertido?
Eu tenho muitos momentos divertidos, mas acho que um dos momentos mais divertidos foi com a Mariama, que era uma grande amiga minha que trabalhava aqui comigo também, e fizemos um desfile ali com os voluntários todos. Foi hilariante. E temos isso filmado.

Gabriela Vasconcelos, relações públicas e gestora do sitting

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“Na altura da chamada da Eduarda estava a entrar numa igreja em Évora. Se calhar foi um sinal, talvez só uma bonita coincidência.” Rodolfo Morgado, relações públicas dos convidados dos designers

Esta vai ser apenas a sua 4ª edição da ModaLisboa, mas tem a seu cargo a responsabilidade dos convidados dos designers e garantir que tanto são bem recebidos no evento, como que todos conseguem ver a nova coleção a desfilar na passerelle.

Como descreve o seu trabalho?
Fazer parte da ModaLisboa é um desafio do qual me alegro. Nem tudo é um mar de rosas quando trabalhas para os criadores, mais concretamente para os seus convidados, temos que garantir o seu bem estar durante a permanência na ModaLisboa, retirar essa preocupação dos nossos designers e garantir que tudo vai correr bem. São dias muito cansativos para os designers e se conseguirmos passar tranquilidade acho que o meu papel junto deles e da suas equipas está cumprido.

Como chegou a esta função na ModaLisboa ou como é que ela chegou até si?
A minha função na ModaLisboa surgiu de um convite feito pela Eduarda [Abbondanza] em agosto de 2022, num ano difícil para a equipa da ModaLisboa, pela partida de um elemento muito importante que era a Mariama, acarinhada e amada por todos os elementos que compõem a equipa. Não aceitei o convite de imediato, fui apanhado completamente de surpresa. Na altura da chamada da Eduarda estava a entrar numa igreja em Évora. Se calhar foi  um sinal, talvez só uma bonita coincidência.

Qual o momento mais complicado que já teve numa edição da ModaLisboa?
Não posso chamar mais complicado, mas foram momentos difíceis em que temos que pensar rápido. Sábado de ModaLisboa, entre os vários desfiles do dia, chegou a altura do desfile do Carlos Gil. Desfile comemorativo de aniversário da marca seguido de um cocktail. Seriam dois momentos independentes, alguns convidados estariam nos dois momentos e outros só para o cocktail comemorativo. Na ModaLisboa existe uma sala específica para receber alguns convidados, da qual eu faço a gestão (para fornecedores, patrocinadores, família e algumas figuras públicas que por norma estão vestidas pelo criador). Sala essa com uma capacidade limitada, mas nesse desfile em concreto os convidados dos dois momentos chegaram ao mesmo tempo, fiquei com a sala com mais do dobro de convidados. Foi o caos na altura de levar os convidados para a sala, tive que pedir apoio extra porque não havia outra forma de levar todos os convidados de uma forma rápida e não atrasando o calendário de desfiles desse dia. Foi assim o momento mais complicado/desafiante.

E qual o momento mais divertido? 
Agora, à distância, posso considerar divertido mas poderia ter sido complicado. Último desfile da ModaLisboa da edição Oásis, Gonçalo Peixoto. Estavam várias convidadas vestidas para assistir ao desfile na Sala de Criador e chega o momento de levar os convidados para a sala por norma em dois ou 3 momentos para não deixar a Gabi [Gabriela Vasconcelos] rodeada de convidados para sentar. O nosso contacto com toda a equipa é feito através de rádio, mas o inesperado aconteceu e deixaram de me ouvir e eu de ouvir a equipa, fiquei num silêncio assustador com mais de metade dos convidados do meu lado. Os convidados que estão na sala de criador são os primeiros a entrar na sala, só depois a sala abre sem qualquer restrição e, como ninguém me ouvia, a sala abriu e os lugares foram ocupados. Eu sem saber de nada, arrisquei e desloquei-me com todos os convidados para a sala de uma vez e a Gabi fez o milagre de conseguir sentar cada um dos convidados em tempo recorde.

Rodolfo Morgado, relações públicas dos convidados dos designers

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“Foi quase o meu primeiro trabalho, foi a minha primeira aventura.” Tiago Sousa, responsável pelos patrocinadores

Cabe à diretora comercial da ModaLisboa, Célia Félix, a parte dos acordos e contratações com as marcas. Mas é Tiago, que se diz “mais terreno”, quem garante que todas as marcas que apoiam o evento têm o seu espaço e ficam contentes. Um mês e meio antes de cada edição, começa a trabalhar intensamente, porque diz que gosta de trabalhar sob pressão. Destaca na ModaLisboa o facto de descobrir locais na cidade, mas por outro lado, isso faz com que o espaço do evento seja sempre uma surpresa e o obrigue a uma grande capacidade de adaptação.

Como descreveria o seu trabalho?
De uma forma muito simples, eu faço a implementação e produção dos patrocínios todos na ModaLisboa. Portanto, é a gestão do funcionamento, as ativações que as marcas podem ter no evento, só que existe uma série de mecânicas que as pessoas não percebem, porque quando chegam aqui, já estão a funcionar. Na sala dos desfiles, nós podemos ter uma marca a participar num desfile com acessórios, também temos a L’Oréal e a Clarins nos bastidores que o público só sabe que existe porque ouve-se antes de começar o desfile que os manequins são penteados e maquilhados pela Clarins e pela L’Oréal. As marcas, no fundo, estão em todos os sítios deste evento. Temos uma marca que está connosco há cerca de 20 anos, que é a Renova, e temos outras marcas com quem estamos a construir algo bonito. Às vezes há uma ou outra que sai, uma ou outra que entra, mas são quase sempre as mesmas.

Como chegou a esta função na ModaLisboa ou como é que ela chegou até si?
Então é muito simples, eu estudei produção de eventos na ETIC e conhecia a Cláudia Lopes que foi a diretora de produção da ModaLisboa durante mais de 20 anos e já não está cá.  Pedi-lhe para vir cá estagiar como assistente de produção e estive a trabalhar dois, três anos. Entretanto a ModaLisboa renovou o departamento comercial, e como eu sempre gostei muito de marcas, a diretora de produção sugeriu-me a mim e eu fui. Fui ficando, acabei por gostar muito e já lá vão mais ou menos 9 anos e foi quase o meu primeiro trabalho, foi a minha primeira aventura.

Qual o momento mais complicado que já teve numa edição da ModaLisboa?
Acho que não há. Tirando algumas logísticas, algumas coisas que não correram às vezes tão bem quanto esperávamos. Acho que a parte mais complicada é sempre para todos, porque nós somos muito poucos e de facto há muitas dinâmicas a acontecer. [O momento mais difícil são os últimos dias antes de abrir as portas], porque queremos perceber se todas as logísticas e coisas que tínhamos… se vai correr bem ou não.

E qual o mais divertido?
Uma das coisas pelo qual eu gosto de fazer ModaLisboa é porque eu me divirto muito em estar cá com as pessoas, divirto muito com os meus colegas, trabalho com amigos. É a junção de várias pessoas que fazem coisas diferentes, que se juntam aqui para fazer este projeto, que é a maior semana da moda portuguesa, não é? E é nosso.

Tiago Sousa, responsável pelos patrocinadores

TOMÁS SILVA/OBSERVADOR

 
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