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[“A Corte de Luanda” é uma investigação do Observador sobre a rede de poder que se formou à volta de José Eduardo dos Santos e da sua família. Durante vários meses, uma equipa de jornalistas percorreu milhares de quilómetros e contactou dezenas de fontes — em Portugal e, principalmente, em Angola. O resultado é publicado um ano depois do escândalo Luanda Leaks e está dividido em quatro partes, seguindo as personagens da Corte: José Eduardo dos Santos, Isabel dos Santos, Sindika Dokolo e os delfins João Lourenço e Manuel Vicente. Esta investigação deu também origem a uma série inédita do Observador em podcast: pode ouvir a Parte I, “O Viajante”, a Parte II, “O Chefe”, a Parte III, “A Cara do Pai”; e a Parte IV, “O Mimoso”.]

Ela suportava o calor, o português que não entendia e o funge de que ele tanto gostava. Habituara-se a ter só dois vestidos de algodão sem mangas, a lavar um enquanto vestia o outro, e a esquecer os troféus ganhos nos campeonatos de xadrez. Aquilo, porém, era demais. Um dia, perguntou ao homem alto por quem se apaixonara em Baku, no Azerbaijão: “Esta é a nossa casa ou o jardim zoológico?”. Baratas, osgas, lagartos, ratos, formigas, aranhas, lacraus, cobras, morcegos — tantos bichos partilhavam com eles as paredes com telhado de colmo em Brazzaville, em 1974, que Tatiana Kukanova refilou com José Eduardo dos Santos, como contou mais tarde a uma amiga angolana que falou com o Observador sob anonimato.

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