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Só na embaixada da Coreia do Norte é que sabiam exatamente quem era aquele rapaz baixo e redondo. Saía de manhã num carro luxuoso e blindado ao início do dia para ir para uma escola pública num bairro dos subúrbios de Berna, onde era conhecido pelo nome Un Pak. E, ao fim da tarde, tornava a subir ao carro da embaixada. Quando voltava, entre aquelas quatro paredes, voltava a ser como nasceu: Kim Jong-un, filho do “Querido Líder” Kim Jong-il e neto do “Eterno Líder” Kim il-Sung.

Para todos os que não frequentavam a embaixada da Coreia do Norte, Un Pak era o filho do embaixador de Pyongyang na capital Suíça. Conheciam-no por gostar de desporto, principalmente dos Chicago Bulls, admirando em particular Michael Jordan, cuja marca de ténis usava com gosto e vaidade. Por vezes, ia para o campo de basquetebol da escola, jogando até contra alunos mais velhos, diante dos quais tentava, sem sucesso, imitar os gestos do seu ídolo norte-americano. Ainda assim, era frequente haver um homem asiático, mais velho, a aplaudi-lo de forma excessiva do lado de fora da linha lateral. Os outros estudantes sempre acharam isso estranho — mas nunca fizeram caso.

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