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LeBron James: 'one man show' dentro de campo, investidor de sucesso fora dele e ativista político que não perdoa Trump /premium

The King estreia-se no Oeste pela mão dos históricos Lakers. Para Los Angeles segue um monstro nas quatro linhas, bem sucedido no mundo dos negócios e disposto a lutar por um país diferente.

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Os detalhes do negócio e os bastidores de uma transferência histórica

Na madrugada de domingo para segunda feira, o mundo do desporto parou com o anúncio da transferência do ano na NBA, a liga norte-americana de basquetebol: a superestrela LeBron James trocou os Cleveland Cavaliers pelos Los Angeles Lakers, num negócio que vai render 154 milhões de dólares (132 milhões de euros) nas próximas quatro épocas ao novo camisola 23 da organização californiana.

Desde que a temporada terminara com mais um título dos Golden State Warriors (4-0 sobre os Cavs de LeBron), o segundo consecutivo para a franquia da Costa Oeste, que King James tinha nas mãos o detonador da mais explosiva bomba do mercado de transferências norte-americano. O melhor jogador da atualidade terminava uma ligação de quatro anos com a equipa de Cleveland e entrava no período de free agency (os jogadores sem contrato tornam-se agentes livres e podem chegar a acordo com qualquer equipa para assinarem novo vínculo), não faltando organizações interessadas nos seus serviços e abrindo portas a uma espécie de leilão pelo polivalente atleta. 

Los Angeles Lakers, Philadelphia 76ers, Houston Rockets e os próprios Cleveland Cavaliers assumiam-se como as quatro equipas com maior probabilidade de garantir LeBron James, numa novela que se esperava ter um guião mais comprido. Na verdade, de acordo com a Sports IllustratedThe King demorou menos de um mês a tomar uma das decisões mais importantes da sua vida desportiva, com a época a terminar a 8 de Junho e o anúncio da nova equipa de LeBron a surgir a 1 de Julho. E, pelos vistos, até foi mais fácil de tomar do que se previa. Perdida a final, LeBron passou 72 horas em casa, acompanhado apenas por um chefe de cozinha que lhe preparava refeições. Aí, pensou na final perdida e no que fazer para voltar a ganhar – nas duas semanas seguintes, reuniu-se três vezes com os seus conselheiros para estudar o mercado e concluiu que Rockets, Lakers, 76ers e Cavs eram as suas melhores hipóteses. 

The King demorou menos de um mês a tomar uma das decisões mais importantes da sua vida desportiva. "Telefona aos Lakers", ordenou LeBron James ao seu agente, antes de se mudar para Los Angeles nos próximos quatro anos.

King James foi de férias, voltou e, quando aterrou no Van Nuys Airport, em Los Angeles, na sua cabeça já se traçava um plano: telefonou a Kobe Bryant, estrela maior dos Lakers que se retirou em 2016 e com quem LeBron conquistou o ouro olímpico em 2008 e 2012, e convidou Magic Johnson, outro dos melhores de sempre dos LAL e da NBA e atual presidente das operações para o basquetebol da franquia, a irem até sua casa. O encontro deu-se no passado sábado à noite e o entendimento foi fácil de alcançar. Mais do que o valor monetário que LeBron vai auferir (irá ganhar “apenas” mais 5 milhões/ano do que em Cleveland), foi o projeto desportivo e a história dos Lakers (organização com mais finais, 31, e a segunda com mais títulos, 16, atrás dos 17 conquistados pelos Boston Celtics) que cativou The King. Isso e Magic Johnson, cuja forma de ver o basquetebol, a personalidade, o envolvimento em questões políticas e comunitárias ou o poderio negocial e financeiro em tudo se assemelham às do camisola 23. 

No domingo de manhã, a decisão estava tomada única e exclusivamente na cabeça de LeBron. À tarde, viajou com a sua família para a Europa, não sem antes detonar a bomba do momento: “Telefona aos Lakers”, ordenou ao seu agente. A decisão estava tomada, era do conhecimento público e o comunicado preparado pela Klutch Sports Group tornou-se oficial: LeBron James é jogador dos Lakers nos próximos quatro anos.

LeBron James, one man show e um lugar no Olimpo da NBA – o impacto desportivo

Ponto prévio: The King é, sem sombra de dúvidas, um dos melhores de sempre a pisar um campo de basquetebol. Os seus números individuais falam por si: leva oito finais da NBA consecutivas, três títulos de campeão (2012, 2013, 2016), três vezes melhor jogador das finais, quatro vezes eleito MVP (jogador mais valioso ou most valuable player) da NBA (2009, 2010, 2012, 2013), 14 vezes consecutivas All-Star e duas medalhas de ouro olímpico pelos EUA (2008 e 2012). Pelo meio, bateu recordes que se pensavam insuperáveis e garantiu lugar no Olimpo do basquetebol, juntos a deuses como Michael Jordan ou Magic Johnson – jogador mais jovem a fazer 40 e 50 pontos num encontro e 2.000, 20.000 e 30.000 pontos na carreira; mais jovem MVP de um jogo All-Stars; único a ultrapassar Michael Jordan como o melhor marcador de sempre em playoffs (a estrela dos Bulls deteve o recorde de 5.987 pontos durante 20 anos) ao chegar aos 5.995 pontos, em 2017.

Com 33 anos (30 de Dezembro de 1984), 2.03m e 113,4 kg, é um dos (senão o) desportistas mais completos de todas as modalidades. A sua capacidade física e atlética permite-lhe jogar em todas as posições de uma equipa (e sempre bem). Com médias na carreira de 27,2 pontos, 7,2 ressaltos, 6,9 assistências e 1,7 roubos de bola por jogo, LeBron James é um autêntico one man show. A sua presença em campo é suficiente para tornar a equipa onde joga favorita em qualquer partida (a não ser que o adversário seja o atual bicampeão GSW, onde militam os All-Stars Kevin Durant, Stephen Curry, Draymond Green e Klay Thompson) e clara candidata ao anel de campeão. Assim foi quando se mudou de Cleveland para Miami, em 2010, levando os Heat ao bicampeonato em 2012 e 2013 (com Chris Bosh e Dwayne Wade a completarem o big three de Miami) e quando regressou aos Cavs em 2014, conseguindo, no ano seguinte, o único título do palmarés de Cleveland.

[Um contra de LeBron James sobre Iguodala, decisivo para manter a igualdade no marcador quando faltavam menos de dois minutos para terminar o jogo 7 da final]

A conquista dos Cavs ganha ainda maior dimensão quando percebemos que os Golden State Warriors estiveram a vencer a final por 3-1, com LeBron James a liderar a sua formação numa histórica e única reviravolta nas finais, que terminaria com uma vitória por 93-89 no derradeiro encontro. The King acabaria a partida com um triplo-duplo de 27 pontos, 11 ressaltos e 11 assistências.

Com oito finais consecutivas (quatro pelos Heat e quatro pelos Cavs), LeBron James tornou-se dono e senhor da conferência Este. Pelo menos, até agora. Pela primeira vez, o dorsal 23 estará no Oeste, a competir diretamente com os superfavoritos Golden State Warriors por um lugar na final da NBA. É certo que só uma das equipas lá chegará e, certo é também que a luta a Este se tornou mais aberta: sem o domínio de LeBron James a limpar uma conferência inteira, Boston Celtics, Toronto Raptors e Philadelphia 76ers assumem-se como prováveis candidatos a chegar à final, para enfrentar os Lakers de LeBron ou os Warriors de Durant.

Mas a influência e o impacto desportivo de The King não se nota só dentro do campo: são vários os atletas que querem fazer parte da equipa do rei, com o All-Star Kawhi Leonard à cabeça. O melhor jogador dos San Antonio Spurs já demonstrou aos responsáveis dos Spurs a sua vontade de trocar de ares e fazer companhia a LeBron, nuns Lakers que se tornariam (ainda mais) sérios candidatos ao título. Nesse cenário, pelo menos um dos jovens Lonzo Ball, Brandon Inrgam ou Kyle Kuzma deveria seguir caminho para San Antonio, mas ainda assim o rescaldo das trocas seria sem dúvida positivo para os Lakers. Lance Stephenson (que nem se dá muito bem com James) já deixou os Pacers com guia de marcha para Los Angeles, assim como JaVale McGee, campeão pelos GSW. A equipa californiana libertou, entretanto, Julius Randle para ganhar teto salarial disponível (o atleta de 2.06m assinou em transferência livre um contrato de dois anos no valor de 18 milhões pelos New Orleans Pelicans) e recebeu o base Rajon Rondo, proveniente da formação de New Orleans. É caso para dizer que todos querem jogar com o melhor. 

LeBron James tem oito finais da NBA consecutivas, três títulos de campeão (2012, 2013, 2016), três vezes melhor jogador das finais, quatro vezes eleito MVP (jogador mais valioso ou most valuable player) da NBA (2009, 2010, 2012, 2013), 14 vezes consecutivas All-Star e duas medalhas de ouro olímpico pelos EUA (2008 e 2012).

A lista da Forbes, o acordo vitalício com a Nike e as ações no Liverpool – o poderio financeiro

Para além do panorama desportivo, LeBron James é também um importante agente financeiro, ativo no mundo dos negócios, com ações em empresas e clubes de futebol. Para além dos 154 milhões de dólares que vai auferir nos próximos quatro anos, são muitas as fontes de rendimento, desde patrocínios a receitas extra jogo, como direitos de imagem ou venda de merchandising.

Comecemos por 2011: segundo a ESPN, a empresa de marketing detida por LeBron (LRMR) comprou 2% das ações do Liverpool, clube de futebol inglês do qual James é adepto. Na altura, a pequena percentagem do clube custou-lhe cerca de 6.5 milhões de dólares. Ora, sete anos depois, com o Liverpool a enfrentar o Real Madrid na final da Liga dos Campeões de 2018, esses mesmos 2% passaram a valer… 32 milhões. Resultado: um lucro superior a 25 milhões de dólares.

LeBron James, detentor de 2% das ações do Liverpool, em Anfield Road, antes de um embate entre Reds e o Manchester United. A superestrela da NBA nunca escondeu a sua afinidade com o Liverpool

AFP/Getty Images

Mas há mais: a 7 de Dezembro de 2015, já com LeBron de regresso aos seus Cavs (onde foi a primeira escolha do draft de 2003) a Nike anuncia um acordo de patrocínio vitalício com The King. “Podemos confirmar que chegámos a acordo com LeBron James para um acordo vitalício que traz valor significativo para o nosso negócio, marca e investidores”, explicou a Nike, concluindo: “Criámos uma relação forte com o LeBron ao longo de 12 anos e vemos o potencial necessário para que esta continue durante a sua carreira de jogador e para além disso”.

O acordo não surpreende já que, era LeBron ainda um adolescente a dar os primeiros passos na NBA, já a Nike havia assinado um acordo de sete anos no valor de 90 milhões de dólares com a superestrela. Pelo meio, James assinou acordos de patrocínio com companhias como a Coca-Cola, McDonald’s, Samsung ou Dunkin Brands. Tudo isto enquanto montava a LRMR Merketing, empresa que fundou com o amigo bilionário Warren Buffett, e que já lhe rendeu percentagens de negócios que envolvem a Cannondale e a Beats by Dre, traduzidos em lucros de mais de 30 milhões de dólares depois da venda da Beats by Dre à Apple.

Com mais de 200 milhões de dólares amealhados em salários desde 2003, LeBron James ocupa, neste momento, a sexta posição da lista da Forbes dos atletas mais bem pagos, entre salários e patrocínios. Também neste capítulo, The King é o melhor na NBA.

[LeBron vs Jordan vs Ronaldo? Veja no vídeo]

As polémicas com Trump e a luta contra o racismo – os ideais políticos

LeBron James é uma voz ativa nos Estados Unidos da América na luta contra o racismo e, desde a eleição de Trump, a 8 de Novembro de 2016, um acérrimo opositor do Presidente americano, deixando algumas críticas públicas às suas políticas discriminatórias.

“O ódio sempre existiu na América, sabemos que sim. Mas Donald Trump voltou a colocá-lo na moda! As estátuas não têm nada a ver connosco!”, escreveu LeBron no Twitter, fonte prioritária da comunicação de Trump, aquando dos acontecimentos de cariz racista em Charlottesville.

LeBron voltou a recorrer ao Twitter já depois de Trump desmarcar a visita à Casa Branca prevista para os campeões Golden State Warriors. “O Stephen Curry já tinha dito que não ia! Por isso, já não há convite. Ir à Casa Branca era uma grande honra até apareceres!”, atirou The King.

Já em 2018, LeBron James reagiu à decisão de Trump retirar o convite feito aos Philadelphia Eagles, vencedores do Super Bowl deste ano, para irem à Casa Branca, reforçando que, em caso de vitória dos Cavs ou dos Warriors na NBA, nenhuma das equipas tinha intenção de visitar Trump.

Isto depois de Trump justificar o cancelamento da visita dos Eagles com “a escassa presença de jogadores que decidiram deslocar-se até à Casa Branca”. O Presidente norte-americano lançou ainda farpas aos atletas que se deixaram ficar no balneário enquanto tocava o hino nacional dos Estados Unidos da América.

Ainda em 2017, e numa vertente mais pessoal, LeBron James viu a sua casa de Los Angeles vandalizada com spray e frases de cariz racista. Na altura, The King falou sobre as dificuldades de se ser negro nos Estados Unidos da América. “Não interessa quanto dinheiro tens ou quão famoso és, não interessa quantas pessoas te admiram, é difícil ser-se negro na América”, confessou, acrescentando: “Temos um longo caminho a percorrer enquanto sociedade e enquanto afro-americanos até nos sentirmos iguais nos EUA”.

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