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Estávamos em julho de 1996. Depois dos dez anos de cavaquismo, Jorge Sampaio morava em Belém e António Guterres estava instalado em São Bento. As sextas-feiras já não eram tão marcadas pelas manchetes de escândalo político do semanário O Independente. O país vivia dias de diálogo guterrista e o grau de conflitualidade entre órgãos de soberania parecia esbatido. Foi nessa altura que o jornal Expresso desenterrou um caso antigo: as viagens-fantasma dos deputados da Assembleia da República (AR).

Um mês antes, o ex-deputado António Coimbra, do PSD, conhecido pela alcunha de “deputado Batman”, tal era o número de viagens privadas que fazia com dinheiros públicos do Parlamento, tinha sido condenado pelo crime de burla agravada. Com acesso à contabilidade da agência Sinestur, que vendia as viagens à AR, o Expresso demonstrava que António Coimbra não era caso único. Pelo contrário: era a prova de uma regra seguida pela generalidade dos deputados. Os sucessivos artigos do semanário obrigaram Cunha Rodrigues, o procurador-geral que criou o Ministério Público moderno, a agir. Num Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP) de Lisboa ainda com pouca experiência no combate à criminalidade económico-financeira, o polémico processo das viagens-fantasma acabaria nas mãos de Lucília Gago.

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