Marcelo Rebelo de Sousa considera que está “certamente” em condições de se manter em funções como Presidente da República por não ter promovido “nenhum privilégio” e por ter sido o “mais neutral” possível no caso das gémeas lusobrasileiras que receberam um dos medicamentos mais caros do mundo num processo relâmpago no Hospital Santa Maria. Ao final de tarde, numa conferência de imprensa inesperada e numa sala pouco usada para o efeito, no Palácio de Belém, o Presidente da República reviu cronologicamente tudo o que passou pelas mãos de elementos da Presidência e da Casa Civil, começando por um e-mail que tinha como remetente o próprio filho, Nuno Rebelo de Sousa, e que levantou suspeitas sobre um alegado envolvimento do chefe de Estado no processo.

O Presidente da República assegurou que fez com o caso das gémeas lusobrasileiras exatamente o mesmo que faz com todos os pedidos de cidadãos que lhe chegam pelas mais diversas vias, que não priorizou o caso que o filho de lhe deu a conhecer (“não há uma intervenção do Presidente da República pelo facto de ser filho ou não ser filho”) e espera “bem” que Nuno Rebelo de Sousa “não tenha falado” com o Ministério da Saúde — e faz questão de sublinhar que não dá autorização a ninguém que invoque o seu nome para qualquer tipo de favorecimento.

Pelo caminho, Marcelo Rebelo de Sousa revelou ainda que o Governo tomou conhecimento do caso através de um e-mail da Casa Civil enviado para a Presidência do Conselho de Ministros e que, após esse contacto, não faz ideia do que se passou — “O que se passou a seguir? Não sei. Para isso é que há a investigação da Procuradoria-Geral da República. Espero que seja cabal para se perceber o que se passou desde o momento em que saiu de Belém.”

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