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Oito décadas de pérolas, ícones e crises. Uma viagem pelo estilo das primeiras-damas dos EUA /premium

Em vésperas de eleições presidenciais, revisitámos o guarda-roupa de 14 primeiras-damas dos Estados Unidos, de Eleanor a Melania. Uma lição de história e de estilo, para Jill Biden e para o mundo.

Há uma parte da história de um país que pode ser contada através da roupa das suas primeiras-damas e os Estados Unidos da América não são exceção. Progresso, conservadorismo, economia, direitos civis, gosto e cultura visual — desde o pós-guerra que a moda, tal como estas ilustres senhoras, acompanha a par e passo os avanços e retrocessos da sociedade capitalista dos séculos XX e XXI.

De Eleanor Roosevelt, mulher que, do auge da sua simplicidade, não dispensava o colar de pérolas (e que foi a primeira a contratar uma secretária pessoal), à impávida Melania Trump, acabada de sair de um qualquer editorial de moda, viajamos pelos diferentes estilos das mulheres de 14 presidentes. Pelo meio, encontramos ícones incontornáveis — o penteado viral de Mamie Eisenhower, a silhueta intemporal de Jackie Kennedy, o glow hollywoodesco de Nancy Reagan e, claro, a audácia de Michelle Obama.

Com novas eleições presidenciais na próxima terça-feira, um novo nome pode ser acrescentado a esta lista. Jill Biden, uma ex-professora de 69 anos, tem todos os ingredientes para se distanciar do luxo e da opulência da sua antecessora. No longo caminho até às urnas, tem apostado em criadores norte-amercianos como Christian Siriano, Ralph Lauren e Brandon Maxwell, mas sempre com um sentido prático e, sempre que pode, trocando os saltos altos por soluções mais confortáveis.

Eleanor Roosevelt

De 4 de março de 1933 a 12 de abril de 1945

Nasceu numa família de socialites nova-iorquinos e já com o sobrenome Roosevelt. Anos depois, casaria com Franklin, futuro presidente dos Estados Unidos da América e seu primo afastado. A sensibilidade e o gosto de Eleanor são conhecidos — ainda nos anos 20, fundou uma marca de mobiliário no Reino Unido. Foi, desde muito jovem, uma mulher com estatura acima da média. O seu guarda-roupa sempre primou pela simplicidade, opção natural para uma personalidade sempre empenhada em causas humanitárias e sociais. A sua passagem pela Casa Branca coincidiu com a Segunda Guerra Mundial. Contudo, até no mais recatado visual encontrava espaço para os acessórios. Eleanor e os colares de pérolas eram praticamente inseparáveis.

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Bess Truman

De 12 de abril de 1945 a 20 de janeiro de 1953

Ao contrário da antecessora, Bess (diminutivo de Elizabeth) desempenhou o cargo de primeira-dama longe dos holofotes. O seu estilo nunca se destacou do de uma tradicional senhora norte-americana daquela época, espelho da dificuldade em habituar-se à vida pública. “Não fui eu que fui eleita”, chegou a afirmar. Ainda assim, amigos próximos defenderam-na como figura carismática, sobretudo nos seus tempos de juventude. Anos em que, quando mais nova, arrojava como ninguém no uso do chapéu. O início do século XX terá conhecido uma Bess diferente, dotada de sentido de estilo.

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Mamie Eisenhower

De 20 de janeiro de 1953 a 20 de janeiro de 1961

Popular chique — um registo cuja definição pode não ser objetiva nem consensual, mas que caracteriza o espírito introduzido pela mulher do 34º presidente dos Estados Unidos. Em plena década de 50, a que viu nascer Elvis Presley, o rock’n’roll e as saias rodadas, também o guarda-roupa da primeira-dama incorporou algumas das tendências do momento, a começar pela cor. Não é por acaso que a tonalidade adocicada das pastilhas elásticas, muito em voga na época, ficou também conhecida como “rosa Mamie”. Mamie pink, Mamie look. Dos vestidos de baile e dos modelitos vaporosos ao gosto pelos tons pastel e polka dots, o seu estilo era bitola nacional, sem esquecer, é claro, o cabelo. De penteado desatualizado, o coque e a franja curta (estilizados pela própria Elizabeth Arden, em Paris) eternizaram-se como ícone.

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Jacqueline Kennedy

De 20 de janeiro de 1961 a 22 de novembro de 1963

Tinha 31 anos quando o marido tomou posse, a 20 de janeiro de 1961, e nunca a Casa Branca tinha conhecido um ícone de estilo tão poderoso. A imagem de Jackie, como ficou conhecida, era simultaneamente nova e sofisticada, reflexo da relação estreita que mantinha com criadores europeus como Chanel e Givenchy. O papel de primeira-dama fê-la abrir o guarda-roupa à moda americana, contudo levaria adiante a paixão pelos criadores franceses, décadas mais tarde como mulher do magnata grego Aristotle Onassis. Os tailleurs em tweed, os casacos assertoados e o vasto sortido de vestidos de cocktail marcaram a imagem de uma Jacqueline ao serviço dos Estados Unidos, mas os lenços de seda estampados, as calças de ganga e os grandes óculos de sol foram uma confirmação de modernidade e cimentaram o ícone.

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Lady Bird Johnson

De 22 de novembro de 1963 a 20 de janeiro de 1969

O mundo quase se esqueceu do seu verdadeiro nome: Claudia. Lady Bird, alcunha dada ainda durante a infância, pegou e prevaleceu. Depois de Jackie, nenhuma primeira-dama poderia ter a vida facilitada no que diz respeito ao impacto da imagem. Fez o que pôde, envergando — com menos sofisticação, é certo — algumas das tendências que marcaram os anos 60, cores vibrantes e cabelo volumoso incluído. Para sempre ficará a imagem de um rosto simpático e do vestido e da capa em cetim amarelo, desenhados por John Moore para a cerimónia de tomada de posse do marido. Inevitavelmente, Lady Bird viu-se ofuscada em algumas ocasiões. A noite de 17 de novembro de 1965 foi um desses momentos, ao lado da luminosa princesa Margaret, num jantar dançante em Washington.

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Pat Nixon

De 20 de janeiro de 1969 a 9 de agosto de 1974

Ao pisar a Casa Branca na qualidade de primeira-dama, Pat Nixon permaneceu cautelosa perante o maximalismo que marcaria as duas décadas seguintes. Afinal, era uma conservadora. Convencional no vestir, escolheu os momentos mais solenes e festivos para sobressair com estampados, brilhos e pedraria (curiosamente também escolheu amarelo para o baile da tomada de posse), remetendo-se a um guarda-roupa discreto, quase executivo, nas restantes aparições públicas. Há, no entanto, quem reconheça a Pat uma subtil capacidade de marcar a diferença. Foi a primeira a usar calças publicamente. Numa visita presidencial absolutamente histórica, aterrou na China em 1972 com um casaco vermelho. A escolha não terá sido inocente e ficou como símbolo da relação entre os dois países.

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Betty Ford

De 9 de agosto de 1974 a 20 de janeiro de 1977

Esteve menos de dois anos e meio na Casa Branca, tempo suficiente para que o seu gosto apurado conquistasse um lugar de honra entre primeiras-damas mais bem vestidas dos Estados Unidos. Cor e silhueta eram as medidas de Betty Ford. Em julho de 1976, recebeu Isabel II com um cor de laranja intenso (distribuído por duas peças) e, no banquete, brindou a realeza com um longo e fluido vestido verde água, adornado com rendas brancas sobre os ombros. Antiga dançarina e modelo, soube sempre tirar partido da sua figura esguia, usando macacões, peças de alfaiataria e calças de cintura subida. Os lenços de seda ao pescoço e as golas altas ficaram como imagem de marca.

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Rosalynn Carter

De 20 de janeiro de 1977 a 20 de janeiro de 1981

A era Carter herdou uma recessão económica e, em tempos difíceis, até o guarda-roupa de uma primeira-dama tem de se adaptar. A chegada de Rosalynn, na altura com 49 anos, começou com um statement. Para a noite de todos os brilhos, a da tomada de posse, escolheu o mesmo vestido que havia usado em 1971, quando Jimmy Carter foi eleito governador do estado da Geórgia — uma silhueta fluida, em chiffon azul bebé e com bordados e aplicações douradas. Mais política e menos vestidos — de origens humildes, Rosalynn tornou-se a mais próxima conselheira do marido. A sobriedade e o papel ativo dentro da Sala Oval marcaram os quatro anos (certos) que passou na Casa Branca.

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Nancy Reagan

De 20 de janeiro de 1981 a 20 de janeiro de 1989

Profusos em manifestações artísticas e com o boom do entretenimento e da cultura pop, os anos 80 só poderiam ter uma primeira-dama à altura. Conhecida por trazer um pouco do brilho de Hollywood para os eventos oficiais (afinal, tanto ela como o marido tinham sido atores na grande máquina de sonhos), Nancy fez jus à década e alinhou-se com as tendências durante os oito anos ao serviço do país. Adorava vermelho e chumaços nos ombros e mantinha uma relação estreia com designers como Oscar de la Renta, Carolina Herrera, Bill Blass e James Galanos. Em cerimónias, os os brilhos, volumes e drapeados que vestia eram dignos de red carpet, dos múltiplos encontros com a realeza britânica, a começar pelo casamento de Carlos e Diana, à receção a Jacques e Bernardette Chirac.

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Barbara Bush

De 20 de janeiro de 1989 a 20 de janeiro de 1993

A moda não era, decididamente, o campeonato de Barbara Bush, que chegou a primeira-dama com 63 anos. Um balde de água fria depois do desfile ininterrupto que foram os mandatos de Reagan. O mote do que seriam os quatro anos Bush foi dado logo no baile — um vestido em veludo e cetim azul royal com a assinatura de Arnold Scaasi, porém acompanhado por uns sapatos de 29 dólares e por um colar de pérolas falsas (ainda assim, poderosas o suficiente para deixar este acessório novamente nos píncaros). Escolhas pouco pretensiosas que certamente não refletiam a condição financeira do casal, mas Barbara simplesmente não se importava assim tanto (bem menos do que a sua antecessora) com as opções de guarda-roupa. Preferiu o papel de esposa ao de estrela e vestiu-o em todos os aspetos, até mesmo na roupa.

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Hillary Clinton

De janeiro de 1993 a 20 de janeiro de 2001

Hillary foi a primeira-dama de fato, um brinde que os prósperos anos 90 deram aos Estados Unidos e que foi colorindo a Casa Branca com a mesma amplitude de pantones que Isabel II, a rainha arco-íris, celebrizou nas últimas décadas. Na verdade, o seu guarda-roupa revelou-se bem mais consistente do que o seu penteado, que foi sofrendo várias alterações ao longo de oito anos de presidência. No futuro, a fórmula minimalismo e colorblock, também característico da década, viria a ser seguida por outras mulheres em cargos de poder, basta olhar para as escolhas de Angela Merkel.

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Laura Bush

De 20 de janeiro de 2001 a 20 de janeiro de 2009

A dinâmica de avanços e retrocessos, reflexo da condição económica e do panorama social do país, é quase sempre visível na evolução da silhueta de uma primeira-dama. Conservadora, Laura jogou com o que tinha à mão: pequenos rasgos de cor que, meses depois da tomada de posse, tiveram de ceder a uma paleta ensombrada pelo 11 de setembro. Na tomada de posse do segundo mandato de George W. Bush, em 2005, o vermelho vivo do primeiro vestido havia ficado para trás para dar lugar a um cinzento suave. Os fatos compostos por saia e casaco tornaram-se uma espécie de farda, exceção aberta para ocasiões especiais. Mesmo nessas, Laura nunca arriscou e levou a sobriedade até ao fim.

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Michelle Obama

De 20 de janeiro de 2009 a 20 de janeiro de 2017

Um compromisso entre o clássico e o contemporâneo — o vestido Jason Wu que Michelle usou no baile da tomada de posse lançou o mote do que seria a sua imagem ao longo de oito anos de presidência Obama. Audaz no uso de cores e padrões, mas também na escolha de visuais mais informais, a sua cartilha de estilo contrabalançou protocolos e pequenos avanços na forma como uma primeira-dama dos Estados Unidos deve apresentar-se. Exemplos? O vestido Naeem Khan que usou no jantar de estado servido ao primeiro-ministro indiano, em novembro de 2009. Em janeiro de 2011, recebia o presidente chinês com um inesquecível Alexander McQueen. Em 2016, dava ainda as boas-vindas ao primeiro-ministro italiano numa cintilante criação de alta-costura Versace. Michelle surgiu várias vezes com peças sem mangas e até mesmo com os ombros a descoberto, opção pouco recorrente para uma primeira-dama e que alguns classificaram como inapropriada. Simultaneamente, Michelle sempre foi pelo reaproveitamento. Para a história ficará o vestido Michael Kors, usado em três eventos públicos. Ténis, lantejoulas e braços de fora — ela provou que uma dama pode usar o que quiser.

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Melania Trump

De 20 de janeiro de 2017 até agora

Ex-modelo e dona de uma figura invejável, é comum dar de caras com uma Melania que mais parece ter saído diretamente de um editorial de moda (e nisso o semblante fechado e quase indecifrável é meio caminho andado). Ela veste o que melhor vai ao encontro da ocasião (por mais controverso que se torne), seja um vestido azul bebé Ralph Lauren com luvas em pele e gola, a fazer lembrar Jackie Kennedy, seja um blusão de 39 dólares da Zara com a inscrição “Quero lá saber”, depois das duras críticas dirigidas ao marido. Longe de levar à letra o velho lema de vestir americano, o closet de Melania está recheado de moda europeia — Dolce & Gabbana, Chanel, Gucci e McQueen são só uma amostra.

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