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Tendências tecnológicas para 2016. O futuro que estamos a construir

Não é ficção científica. São realidades que estão cada vez mais perto de todos nós. Escolhemos oito tendências tecnológicas que irão marcar 2016, a partir de um relatório anual que lista 81.

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Foi apresentado nesta terça-feira o “Relatório de Tendências para 2016”, onde se resumem as tecnologias emergentes que vão influenciar o comportamento da sociedade e ter implicações profundas no próximo ano. É um documento produzido pelo grupo Webbmedia, chefiado pela futurista Amy Webb e que tem vindo a ganhar grande peso pelo rigor nas previsões efetuadas em anos anteriores.

Quem é Amy Webb?

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Webb tem um currículo vasto: é escritora, investigadora e palestrante. Colabora com a Universidade de Harvard, com a Universidade Columbia e com várias outras instituições.

Foi na área das tecnologias emergentes que ganhou mais notoriedade. Fundou a Webbmedia Group Digital Strategy, instituição de consultoria sob a qual publica anualmente o Trend Report.

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Nele, escrutina o panorama tecnológico da atualidade e traça uma lista das principais tendências para o ano. Faz ainda previsões acerca da evolução de cada tendência e das principais aplicações na sociedade.

Como se lê nas primeiras páginas do relatório, “o futuro não é algo que aconteça passivamente. Estamos a criá-lo no presente. Por isso, com a metodologia certa, é possível antecipar tecnologias emergentes e o seu impacto, de forma a mapear o que ainda não chegou.”

Webbmedia criou um modelo de antecipação de tendências que aplica todos os anos num relatório que descreve o que aí vem em termos tecnológicos. Para isso, definiu as dez áreas onde a tecnologia desempenha um papel fundamental de transformação: distribuição de riqueza, educação, instituições públicas, política, saúde pública, demografia, economia, ambiente, jornalismo e media. E é sobre estas áreas que se debruça, fazendo emergir as principais tendências. Ao mesmo tempo, alerta para os perigos de uma evolução demasiado rápida, em que a utilização da tecnologia ocorre ainda antes da discussão sustentada sobre os seus efeitos.

"O futuro não é algo que aconteça passivamente. Estamos no presente a criá-lo. Por isso, com a metodologia certa, é possível antecipar tecnologias emergentes e o seu impacto, de forma a mapear o que ainda não chegou."
Amy Webb

Este relatório define uma tendência como uma nova manifestação ou uma mudança sustentada dentro de um setor, numa sociedade ou no que respeita a um comportamento humano.

Uma tendência é assim mais do que a última novidade, é antes algo que “equilibra as necessidades e desejos do ser humano de forma sustentada, alinhando-as com os avanços tecnológicos e as descobertas mais recentes.” Essa avaliação é feita a partir de dados micro e macroeconómicos, da análise à investigação emergente, aos padrões de consumo e às políticas governamentais um pouco por todo o mundo. É do leque de 81 tendências apresentadas para 2016 que destacamos as que se seguem.

Computação cognitiva e quântica

A computação cognitiva e os computadores quânticos evoluíram muito nos últimos anos. Estão mais rápidos, mais inteligentes e mais eficazes a cumprir as tarefas que lhes são incumbidas. São duas tendências porque, no próximo ano, iremos colher os frutos dessa evolução.

Comecemos pelo Watson, o computador cognitivo da IBM. Quando falamos de computação cognitiva falamos de computadores capazes de aprender e de se auto desenvolverem com o tempo e a experiência. De acordo com o relatório de Amy Webb, o Watson será usado na gestão e manutenção de instalações australianas de exploração de gás natural. No campo da medicina, o computador está cada vez mais eficaz na interpretação de imagens médicas — em agosto, a IBM adquiriu uma base de dados com cerca de 30 mil milhões de raios-X, tomografias computorizadas e ressonâncias magnéticas. Este trabalho estava, até agora, reservado a radiologistas de topo.

Em paralelo, temos empresas como a D-Wave a desenvolverem computadores quânticos cada vez mais poderosos. Enquanto os computadores tradicionais só processam informação binária (em 0’s e 1’s), estes supercomputadores são capazes de processar dados em dois estados de uma só vez (00, 01, 10, 11) — os chamados bits quânticos. Recentemente, a D-Wave garantiu ter ultrapassado a barreira dos mil bits quânticos e a IBM está também a tentar resolver alguns problemas no campo da deteção de erros. Por outras palavras, o futuro só pode ser promissor.

Os supercomputadores têm capacidades de processamento muito superiores às dos computadores tradicionais. ERIC PIERMONT/AFP/Getty Images

ERIC PIERMONT/AFP/Getty Images

Segurança e privacidade

No próximo ano continuaremos a ouvir falar de segurança e privacidade. No relatório de Amy Webb estes conceitos representam não duas, mas 17 — sim, dezassete! — tendências (Webb desconstrói os temas e discrimina os vários elementos que, eventualmente, serão tendências em 2016).

Primeiro: segurança e privacidade ganham todo um novo significado quando lhes juntamos uma nova componente: a internet das coisas. Entenda-se isto de outra forma: são milhares de milhões de novos dispositivos ligados em rede. Ou seja, para além dos nossos telemóveis e computadores, também os nossos carros e eletrodomésticos passarão a ser potenciais alvos de ataques informáticos. Assistimos a isso quando, este ano, dois hackers provaram ser possível controlar e despistar um automóvel à distância. Com o condutor lá dentro.

Segundo: em 2016, estes conceitos serão extrapolados do online para a tecnologia em geral. E vamos lembrar-mo-nos deles em situações diversas e imprevisíveis, como o fizemos este ano quando um erro informático — vulgarmente chamado de glitch — paralisou a bolsa de Nova Iorque durante mais de três horas ou, no campo da privacidade, em temas como a vigilância com recurso a drones (cada vez mais pequenos, discretos e menos barulhentos), ou o direito a espiar e a ser espiado.

Aprendizagem profunda e câmaras inteligentes

Para Amy Webb, aprendizagem profunda (deep learning) e câmaras inteligentes são duas grandes tendências para o próximo ano. Relacionam-se por serem sistemas ou dispositivos capazes de capturar e interpretar a realidade, traduzindo-a em dados.

Em relação à aprendizagem profunda, o relatório indica que, em breve, as autoridades poderão ver tão claramente no escuro quanto o fazem à luz do dia, graças às novas câmaras inteligentes por raios infravermelhos e deteção de calor. Mas não é só isso: a evolução da aprendizagem profunda resultará em pesquisas online mais rápidas e eficazes, bem como em tecnologias como a DeepEar, desenvolvida pela Bell Labs, que permite a terceiros escutar através dos microfones dos nossos telemóveis, sem sequer gastar bateria.

Um exemplo mais prático é o Translate, a ferramenta de tradução da Google. Com esta aplicação o utilizador pode traduzir um documento usando a câmara fotográfica do telemóvel. O sensor captura e interpreta os píxeis, convertendo-os em informação útil.

Quanto à inteligência artificial das câmaras, estas podem agora comunicar e ligar-se em rede. Webb aponta que a investigação neste campo continuará no próximo ano, estando sobejamente voltada para o reconhecimento facial e para a possibilidade de estes aparelhos fazerem a distinção entre humanos, animais e objetos.

Conhecimento aumentado

A forma como aprendemos e como acumulamos conhecimento está prestes a mudar. Há uma cena no filme de ficção científica Matrix que explica bem o que aí vem: quando uma personagem precisa de aprender artes marciais, liga um cabo ao cérebro e a informação passa; Nemo diz: “I know kung-fu”, uma das frases mais memoráveis da trilogia.

É exatamente isto que se prepara em várias experiências que terão avanços significativos em 2016. Na Universidade da California está em desenvolvimento uma prótese neuronal que recupera e melhora as funções de memória do ser humano. Isto serve para apoiar os doentes que sofrem de traumatismos no cérebro, permitindo que recuperem as memórias e as funções motoras. Mas permitirá também que se use o cérebro para implantar memórias ou conhecimentos alheios. Isto vai obrigar a mudar o significado da palavra aprender, porque ter conhecimento irá ser desligado do ato de adquirir conhecimento.

E estudos feitos pelo Starlab de Barcelona demonstram que é possível transmitir pensamentos e sensações de forma remota – é a telepatia digital a ganhar dimensão. Um homem na Índia conseguiu enviar a outro, que estava em França, uma série de impulsos elétricos (informação neuronal) via web.

Vários autores levantam a hipótese de ter humanos a partilhar conhecimento de forma telepática, em simultâneo, da mesma forma que hoje se ligam supercomputadores em rede – para conseguir superar as limitações de apenas um cérebro humano e ampliar a qualidade do raciocínio.

Antropoceno e clima

Em 2016, a União Internacional das Ciências Geológicas deverá pronunciar-se para responder, por fim, a uma questão que tem gerado discórdia entre a comunidade científica: afinal, em que época vivemos?

Para compreender a discussão é necessário entender a escala de tempo geológico, uma das noções básicas da Geologia. É como uma linha temporal que se inicia com a formação da Terra — há 4.600 milhões de anos — e se estende até ao presente. A unidade mais básica da escala é a época, que define “curtos” períodos da história do planeta.

Mas enquanto alguns cientistas defendem que estamos a ultrapassar o Holoceno (uma época que começou há 11.700 anos, logo após a última idade do gelo), outros arriscam ir mais além, falando de uma nova época a que chamaram de Antropoceno. Ao contrário das anteriores, esta foi desencadeada por nós, humanos, e pelas tecnologias que criámos e usamos diariamente.

"Independentemente do termo que usaremos daqui para a frente, é difícil argumentar contra o facto de o ser humano ser a primeira espécie terrestre a exercer influência à escala planetária."
Amy Webb

Aqui entram as alterações climáticas (resultantes da atividade humana) e a falta de consenso sobre que nome dar à época em que vivemos. Foi por isso que a União Internacional das Ciências Geológicas criou um grupo especial, que deverá estudar e chegar a uma conclusão no próximo ano. É nessa medida que o Antropoceno e o Clima surgem pela segunda vez neste relatório, agora como uma das grandes tendências para 2016.

Perseguições digitais

A perseguição digital é a nova justiça feita pelas próprias mãos. Nas sociedades com maior penetração de internet, onde as discussões sociais decorrem no Facebook, é comum que se passe das marcas. E as consequências são bem reais, ultrapassando muito a internet.

O melhor exemplo neste ano que está a terminar terá sido a história do leão Cecil. Um dentista americano, Walter Palmer, foi fazer turismo de caça ao Zimbábue e pelo meio matou o velho leão, que era um ícone africano. Para além dos milhares de ataques e ameaças virtuais, juntou-se uma multidão enfurecida à porta do consultório – de tal forma que forçou o local a fechar a atividade, lançando no desemprego os funcionários de Palmer. Tudo por causa de uma multidão enfurecida com um cidadão que nada terá feito de ilegal, apesar de ter tido atividades moralmente questionáveis.

"A perseguição digital não segue nenhum manual. Não há regras a serem quebradas e não existe um sistema para determinar a culpabilidade."
Amy Webb

A tendência para transformar o ativismo em perseguição continua a crescer. É algo que se tem visto de forma crescente na internet. Na área de comentários dos meios de comunicação portugueses vê-se uma nítida diferença entre as que são moderadas e as que dão liberdade absoluta aos comentadores – onde abusos de linguagem e ameaças são frequentes. Este comportamento amplificado põe em causa os fundamentos tradicionais da democracia e dos órgãos legitimamente eleitos.

Se ocorrer um caso verdadeiramente perturbador – como um assassínio ou outro crime grave -, serão escutadas vozes a favor de algum tipo de censura. Nesse momento, as redes sociais mais comuns (Facebook, Twitter, YouTube, Snapchat) deverão instituir limitações ainda mais apertadas em relação à liberdade de expressão. No limite, isto poderá conduzir a uma revisão da liberdade tradicional da internet, onde o discurso poderá ter de ser mais controlado.

Corrida comercial ao espaço

Há uma nova corrida ao espaço e as histórias de sucesso em 2015 vão-se multiplicar no ano que aí vem. A NASA e a Agência Espacial Europeia têm estado muito ativas, esperando-se novidades na renovação da Estação Espacial Internacional, no desenvolvimento de viagens de longo prazo e na construção do James Webb Space Telescope.

E há três tendências que vão marcar este futuro tecnológico espacial. No curto prazo, o espaço vai tornar-se uma atividade comercialmente rentável para as empresas que têm investido na sua exploração — no deserto de Mojave há 17 marcas a competir entre si para serem as primeiras a explorar o turismo espacial, desde a SpaceX à Virgin Galactic.

A SpaceX foi a responsável pelo primeiro veículo espacial comercial (ou seja, não-governamental) a chegar à Estação Espacial Internacional. Roberto Gonzalez/Getty Images

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Depois será a vez da competição internacional, com a China e a Índia a investir massivamente neste mercado e a competir com os americanos numa nova corrida espacial. Isso deverá conduzir à colonização de satélites e planetas e à inevitável exploração comercial do espaço, em busca de minério e energia. É todo um novo mundo (literalmente) que se abre a produtores de tecnologia de ponta, seja na área do vestuário seja na área alimentar.

Ao mesmo tempo, as empresas de tecnologia estão empenhadas em tornar realidade um mundo totalmente conectado, seja através da rede de 4500 micro-satélites proposta pela Samsung, ou pelos drones não-tripulados movidos a energia solar, apresentados pelo Facebook.

Edição genómica

Um dos campos científicos que mais promete ter novidades em 2016 é o da edição genómica — que consiste na manipulação de localizações específicas no ADN através de enzimas bacterianas. O potencial é tremendo: pode-se evitar a transmissão de doenças genéticas como a fibrose quística e alterar o risco de alto colesterol hereditário, mas também se poderá alterar seletivamente a cor dos olhos de uma criança ou as suas capacidades atléticas e mentais.

Ainda esta semana, foi anunciada uma primeira aplicação concreta da edição genómica: no Imperial College, em Londres, conseguiu-se esterilizar o mosquito da malária, preparando-se para soltar na natureza esta versão modificada que pretende erradicar o género Anopheles — e com ele, a malária. A doença mais mortal de todos os tempos.

Um dos problemas desta área é que está a evoluir mais depressa do que somos capazes de aceitar e debater. Isso pode provocar uma utilização descontrolada, com consequências potencialmente dramáticas. É o futuro de milhões de pessoas em jogo e isso irá alterar a forma como a raça humana evolui. Áreas perigosas que exigem reflexão profunda, que têm provocado debates como o promovido pela FFMS na Casa da Música, em junho, em que se debateu a Vida Inteligente no Admirável Mundo Novo.

O relatório de tendências para 2016 está já disponível para consulta e descarregamento. Será leitura de cabeceira de muitos líderes globais nos próximos meses.

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