Explicador

Morte no São José: o que sabemos e o que falta explicar

Dezembro 201530 Dezembro 2015
Marlene Carriço

O que pode e deve fazer um hospital quando recebe um doente na urgência que não consegue tratar?

Pergunta 1 de 12

Sempre que um doente dá entrada num hospital e a equipa que está na urgência, após uma avaliação (suportada, normalmente, em exames médicos), percebe que não tem capacidade de dar resposta, por inexistência ou insuficiência de capacidade técnica, pode proceder de várias maneiras.

No caso de o hospital pura e simplesmente não ter a especialidade assegurada, por ter um serviço de urgência básica ou médico-cirúrgica, pode e deve utilizar a rede de referenciação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) que estabelece qual o hospital de referência para cada hospital. Foi o que fez o Hospital de Santarém, no passado dia 11 de dezembro, no caso do jovem David Duarte, que acabou por falecer a 14 de dezembro.

Assim que percebeu, através da TAC, que o jovem tinha uma hemorragia intracraniana, a equipa contactou o serviço de neurocirurgia do Hospital de São José (o hospital de referência para Santarém) que deu o ok para a transferência, garantiu a direção clínica ao Observador. Se São José dissesse que também não assegurava resposta, outras alternativas podiam ter sido tentadas. São José não disse isso, porque só quando o paciente lá chegou foi possível perceber qual a causa da hemorragia no cérebro.

Se o hospital até tem capacidade técnica, mas não tem a equipa disponível no momento, como aconteceu em São José, pode contactar outros hospitais e reencaminhar o doente para outra instituição do SNS, ou até privada, se considerar a situação muito emergente, e pode também tentar chamar os profissionais desse ou de outro hospital nas proximidades, com competências na matéria.

Resta ainda uma outra opção: avaliar os prós e contras de transferir um paciente ou deixá-lo estável à espera que haja disponibilidade no hospital para ser tratado, não ultrapassando o período de espera recomendado a nível internacional. Foi o que parece ter acontecido no Hospital de São José, que decidiu deixar o doente à espera da intervenção cirúrgica (neurocirurgia vascular), marcada para a manhã de segunda-feira, 14, respeitando os prazos máximos de resposta recomendados a nível internacional (72 horas de espera).

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