O Bloco de Esquerda tem sido um partido especialmente crítico do projeto europeu e de alguns dos seus instrumentos, como é o caso do Tratado Orçamental Europeu sobre o qual propôs e continua a propor (no manifesto do BE para as Europeias) que seja feito um referendo. As regras europeias, tem dito o Bloco, “acentuam os desequilíbrios entre os estados-membros”. O manifesto volta a apontar o que o partido tem dito nos últimos anos: “As desigualdades da arquitetura da UE e do Euro”. Uma posição que já fez o Bloco de Esquerda ter um discurso mais radical sobre a moeda única do que o que tem hoje — e um pouco diferente do que Marisa Matias disse esta terça-feira em entrevista ao Eco.

O que está em causa

Na entrevista, a candidata bloquista é questionada sobre a exata posição do partido que representa em relação à moeda única e começa por falar nos “sacrifícios” que ele já trouxe aos portugueses e volta a falar na necessidade de “reformas profundas porque os objetivos que estão inseridos na política do euro reforçam, pela própria arquitetura do euro, os desequilíbrios macroeconómicos e não promovem a coesão”. “É uma moeda que não favorece a coesão económica, social e territorial”, diz ainda Marisa Matias que logo depois lembra que durante a crise grega “o Bloco endureceu a sua posição em relação ao euro, naquela conjuntura”.

Recorda também que nessa altura o que o Bloco defendia era que “qualquer país sob chantagem não devia fazer sacrifícios que destruíram completamente a economia, levaram a mais privatizações, a mais cortes nos salários e nas pensões e pobreza”, como aconteceu com a Grécia. Mas uma coisa é o que se passou na Grécia, conclui logo a seguir. “Não defendemos a saída do euro, nunca o fizemos”. 

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