Guiné-Bissau

Aqui salvamos vidas

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Foi por essa estrada de terra batida que demos boleia a uma mãe e sua filha Catarina, um bebé com menos de um ano, febril e com uma diarreia. Não fora a boleia oferecida, teria que caminhar quase 4 Km

Aqui salvamos vidas, dizem-me de forma despretensiosa as colaboradoras do Instituto Marquês Valle Flor. Estamos em Bissau e a conversa era sobre o PIMI, o Programa Integrado para a redução da Mortalidade Materna e Infantil, liderado pelo IMVF em parceria com a UNICEF e a ONG francesa EMI, com o financiamento da União Europeia e do Camões – Instituto da Cooperação e da Língua.

Aqui salvamos vidas. É o que move dezenas de colaboradores que estão e estiveram no terreno a implementar um projeto que tem como objetivo global contribuir para a redução da mortalidade materna, neonatal e infanto-juvenil nas regiões de Cacheu, Biombo, Oio e Farim. É um desafio internacional marcado na agenda dos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio e enquadrado no novo Conceito Estratégico da Cooperação Portuguesa.

A Guiné-Bissau tem um perfil e uma estatística de mortalidade materno-infantil que preocupa o governo e que o leva a buscar parceiros internacionais para este combate. É uma questão de desenvolvimento, pois mais de 90% das mortes maternas acontece em países em desenvolvimento, mas é também uma emergência que tem que ser estancada sob pena de comprometer o futuro do país.

A cooperação portuguesa respondeu afirmativamente e o PIMI é um dos projetos emblemáticos nesta área, e que está a produzir resultados impressionantes, como estou a poder constatar.

Portugal tem mantido com a Guiné-Bissau um fluxo de cooperação, de parceria para o desenvolvimento que atesta a relevância que o país tem para a política externa nacional. O Plano de Ação de Cooperação de emergência assinado em Novembro de 2014 é exemplo desse empenho na erradicação da pobreza e no desenvolvimento sustentável num contexto de respeito pelos direitos humanos, democracia e estado de direito.

Na área da saúde materno-infantil, simultaneamente condição e sinal de desenvolvimento humano, a cooperação portuguesa, o Grupo Parlamentar sobre População e Desenvolvimento (que visitou o país em 2010), em articulação com o Fórum Europeu de Parlamentares para a População e Desenvolvimento, e o UNFPA, também através do trabalho da sua Embaixadora de Boa Vontade Catarina Furtado, têm um compromisso já longo com a Guiné Bissau.

Hoje, é o PIMI o rosto dessa cooperação, é o PIMI que salva vidas. Um projeto que assenta na capacitação, na formação e dinamização dos profissionais de saúde e dos prestadores de cuidados, na organização e abastecimento gratuito de farmácias nos centros de saúde, na criação de 6 bancos de sangue – num país onde a maior causa de mortalidade materna são as hemorragias pós-parto -, na mobilização dos atores e na criação de uma consciência cívica e política em torno dos temas da maternidade segura e da redução da mortalidade neonatal e infanto-juvenil, apenas para tocar em algumas das áreas chave.

Em Birna esta manhã pude testemunhar em pessoa a urgência desta ação. Um menino de quase 5 anos levado pela mãe ao centro de saúde com uma crise convulsiva foi imediatamente socorrido, diagnosticado com malária e evacuado para o hospital; tudo isto só foi possível porque o centro de saúde tinha uma farmácia abastecida com os medicamentos necessários, a enfermeira estava treinada para reagir e a evacuação foi feita sem custos para a família, pois estava abrangido pelo PIMI. Assim se salvam vidas.

E salvam-se também em Encheia. Um centro de saúde onde hoje se fez luz… literalmente. Um equipamento pago pela sustentabilidade que o Projeto permitiu ao centro e que torna possível ter luz elétrica de forma contínua,  vai melhorar não só a qualidade da assistência prestada, como a qualidade de vida dos enfermeiros que vivem ao lado do centro, a quilómetros da estrada principal, feitos numa estrada de terra batida que me dizem “não ser má, quando comparadas com outras.”

Pois foi por essa estrada de terra batida que demos boleia a uma mãe e sua filha Catarina, um bebé com menos de um ano, febril e com uma diarreia. A mãe da Catarina, não fora a boleia oferecida, teria que caminhar quase 4 quilómetros, sob um sol impiedoso, carregando uma criança doente.

Não é raro, dizem-me, ver-se grupos numerosos de mulheres grávidas que fazem 4, 5 e mais quilómetros para poderem frequentar as consultas pré-natais, grátis, fazer os testes de HIV, malária, controlo dos diabetes e para dar à luz, embora haja mulheres que, por não conseguirem fazer esse caminho ou por outras razões, continuam a ter partos em casa, não assistidos.

Aqui salvam-se vidas. Salvam-se vidas com projetos multidisciplinares que, num paradigma de efetiva cooperação e parceria, respondem às necessidades identificadas pelo povo da Guiné Bissau; com projetos cujo cerne é a capacitação, a melhoria das competências e autonomização e sustentabilidade do sector da saúde – neste caso concreto.

Salvam-se vidas libertando o potencial que existe neste país, em que a qualificação por agentes facilitadores do desenvolvimento se faz também com recurso à cooperação para o desenvolvimento, à cooperação de emergência.

Neste Ano Europeu para o Desenvolvimento em que a União Europeia nos interpela sobre se sabemos que o que a cooperação faz, responda-lhes que na Guiné-Bissau salva vidas.

Deputada do PSD

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