Rádio Observador

Taxas Moderadoras

Capitulação do bom senso

Autor
  • Diogo Prates
315

O outro lado da demagogia desta maioria é que enquanto acabam com taxas moderadoras nos cuidados de saúde primários, os antipsicóticos mais recentes deixaram de ter comparticipação a 100%.

Gostaria que alguém com mais capacidade que eu comprovasse esta teoria, à medida que nos aproximamos de eleições o bom senso diminui e a demagogia aumentam na mesma proporção. Vem isto a propósito do fim das taxas moderadoras nos centros de saúde aprovada com os votos favoráveis de BE, PS, PSD, PCP e PAN e com os votos contra do CDS. O projecto de lei foi apresentado pelo Bloco de Esquerda com o argumento de que o fim das taxas moderadoras facilitaria o acesso aos cuidados de saúde primários. É falso. Hoje já são muitos aqueles que estão isentos e por isso não pagam taxas moderadoras: doentes crónicos (exemplo: diabéticos ou doentes oncológicos), grávidas e parturientes, jovens até aos 18 anos, desempregados, utentes em situação de insuficiência económica e seus dependentes são apenas alguns exemplos. A percentagem dos que pagam taxas moderadoras nos centros saúde é baixa e o seu valor 4,5 euros não pode ser considerado exagerado. Mas Moisés Ferreira tem razão, há de facto dificuldade no acesso de muitas pessoas aos cuidados de saúde primários mas o problema não está nos que hoje já têm médico de família, está naqueles que ainda não o têm e a esses esta medida não dá resposta.

O que podemos então fazer para que mais pessoas tenham médico de família? Das duas uma, ou construímos mais centros de saúde e contratamos mais médicos e enfermeiros porque os actuais médicos de família já têm listas extensíssimas, com consultas de 15 minutos e muitos já fazem horários de 40 horas por semana mas para isso é preciso investimento e Mário Centeno não tem dinheiro, ou tomamos outra opção, as USF modelo C previam que cooperativas de médicos pudessem contractualizar directamente com o Ministério da Saúde, dando assim médico de família aos que ainda não o têm, mas a esta opção esta maioria de esquerda disse não e prepara-se para não incluir este modelo de Unidade de Saúde Familiar na nova Lei de Bases da Saúde. É portanto evidente que esta “geringonça” alargada agora a um PSD com medo não quer melhorar o acesso à saúde, quer os doentes reféns de um sistema que vai ficar ainda mais sobrelotado e com menor capacidade de resposta para pessoas que realmente precisam e quer profissionais sem liberdade para se constituírem em cooperativas e trabalharem em conjunto com o Serviço Nacional de Saúde em favor dos doentes.

Vejamos outro lado da demagogia desta maioria, enquanto acabam com taxas moderadoras nos cuidados de saúde primários, os antipsicóticos mais recentes deixaram de ter comparticipação a 100%, o que faz com que muitos doentes por exemplo os esquizofrénicos que estão dependentes desta medicação para levarem uma vida normal e trabalharem não o possam fazer, acabando internados muitas vezes durante meses o que sai mais caro ao Estado. Outro exemplo são as cirurgias realizadas no sector privado quando os hospitais públicos não conseguem cumprir o tempo mínimo de resposta, muitos hospitais privados já ameaçaram parar estas cirurgias por falta de pagamento do Estado. Estes são apenas dois exemplos da falta de investimento na saúde, em vez de resolver o problema esta maioria prefere atirar areia para os olhos das pessoas, que este seja o esquema usado pela esquerda que suporta o governo tendo em vista unicamente as eleições de Outubro é compreensível, o bom senso nunca imperou por ali, que o PSD vá atrás desta onda populista e não tenha capacidade de desmascarar este logro é manifestamente preocupante.

Entendamo-nos, não há cuidados de saúde grátis como não há ensino grátis ou transportes grátis: qualquer serviço é pago, directamente ou por via de impostos. Quando aqueles que podem pagar deixam de o fazer isso baixa a qualidade do serviço (como se viu no caso dos transportes) e prejudica aqueles que apenas têm acesso a esses serviços.

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