Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Estranha Páscoa, esta, marcada por uma clausura mais ou menos forçada, mais ou menos voluntária, inspirada por um certo sentido comunitário e de destino comum mas também por algum medo, no meio da incerteza quanto às razões fundas e ao futuro de tudo isto.

Na televisão, as ruas desertas das belíssimas cidades mártires do norte de Itália lembram-me as piazzas metaphisicas de Giorgio De Chirico, vazias, com estátuas, ou só com dois ou três  figurantes que lá estão como estátuas. Há até um Palazzo Ducale, mas as pessoas desapareceram. Outro metafísico, Carlo Carrá, vai pelo mesmo caminho mas, ou pelas paisagens marinhas ou por algumas variantes melancólicas no traço e na cor, escapa à ideia radical de um mundo museológico, depurado, abandonado, exposto em toda a sua intensa nudez; um mundo como o mundo de De Chirico.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.