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Terrorismo

Cristianofobia: um novo holocausto? /premium

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Em 2018, foram mortos 4.305 fiéis e detidos 3.125 cristãos;1.847 igrejas e edifícios cristãos foram destruídos, incendiados ou vandalizados por ódio à fé em Cristo.

Sim, eu sei que os ataques em que morrem centenas de cristãos são apenas ‘explosões’, ou ‘acidentes’, enquanto os actos em que são mortos muçulmanos, africanos ou, sobretudo, jornalistas são, por regra, horrendos atentados à liberdade, à democracia, à liberdade de pensamento e de expressão, ao pluralismo, à cultura, à civilização, à arte e a tudo o que há de mais sagrado e valioso no mundo.

Quando se deu, no passado dia 15 de Março, o massacre da mesquita de Christchurch, na Nova Zelândia, em que morreram cinquenta muçulmanos, não faltaram os protestos mais sentidos dos estadistas internacionais, nem a veemente reprovação dos principais meios de comunicação social. Ainda bem porque, actos desta natureza, venham de onde vierem e sejam quais forem os agressores ou as vítimas, são sempre condenáveis.

Mas, quando acontece um ataque que causou 360 mortos, sete vezes mais do que as vítimas mortais em Christchurch, e 500 feridos, como neste domingo de Páscoa, no Sri Lanka, já não há as mesmas manifestações de pesar, nem se reconhece que esses ataques foram perpetrados por terroristas islâmicos, que agiram por ódio à fé cristã. Um atentado particularmente cobarde, porque teve por alvo uma indefesa e pacífica minoria. Com efeito, a Igreja católica na distante Taprobana é residual: 6,1% de um total de 21,4 milhões de habitantes, na sua grande maioria budistas (72%) e hindus (12,6%). Os muçulmanos, 9,7%, são quase todos sunitas e poucos mais do que a totalidade dos cristãos (7,4%).

A propósito da catástrofe de Christchurch, Hillary Clinton deu os seus pêsames a todos os muçulmanos, ou seja, à “global Muslim community”. Mais ainda, no ‘tweet’ em que reagiu a essa tristíssima notícia, condenou a “islamofobia e todas as outras formas de racismo”. Contudo, quando referiu os ataques em que morreram 360 católicos no Ceilão e 500 ficaram feridos, não apresentou condolências à Igreja católica, a comunidade religiosa a que pertenciam quase todas as vítimas, nem condenou a cristianofobia, que também não equiparou a outras formas de racismo.

Outro tanto se diga de Barack Obama que, por pudores inconfessáveis, em vez de identificar como cristãs as vítimas dos atentados no domingo de Páscoa, no Sri Lanka, preferiu denominá-las como “Easter worshippers”, algo assim como ‘adoradores da Páscoa’.

Se calhar, nas mentes destes preclaros estadistas há o louvável propósito de não alimentar uma guerra de religiões, ou de evitar o vitimismo católico… Com certeza que ninguém quer deitar achas na fogueira das guerras religiosas, atirando os crentes de Cristo contra os seguidores de Maomé, ou vice-versa. Depois dos históricos encontros ecuménicos e inter-religiosos de Assis, promovidos por São João Paulo II, ninguém tem feito mais pela aproximação entre as diversas religiões do que o Papa Francisco, que visitou inúmeros países maioritariamente islâmicos e também o Ceilão, onde canonizou, a 14 de Janeiro de 2015, o indo-português Padre José Vaz (Constâncio Roque Monteiro, A Epopeia do Escravo, Vida e obra de São José Vaz, O Apóstolo do Ceilão, Lucerna, Parede 2018).

Mas o nobre propósito de reconciliação entre todos os credos não pode inviabilizar o reconhecimento, nu e cru, da realidade. Se, por exemplo, um carteirista rouba um africano, possivelmente esse acto não é xenófobo, mas se o ofende por razão da sua origem, ou da cor da sua pele, não se pode ignorar o carácter essencialmente racista desse insulto. Pretender outra coisa seria, valha a expressão, branquear a questão. Também não seria sério ocultar a condição judaica de muitos dos perseguidos pelo regime nazi, para evitar a conotação rácica, ou para impedir o vitimismo dos judeus. É verdade que houve mais mártires do nacional-socialismo germânico, mas é evidente que a maioria dos judeus enviados para os campos de extermínio o foram por razão dessa sua condição, como aliás os próprios nazis confessaram.

Não se trata de inventar uma espécie de vitimismo católico, para assim esquecer ou desvalorizar as culpas da Igreja católica, ou dos seus membros, na penosa questão dos abusos de menores, ou outra. Trata-se apenas da verdade e do rigor na informação: há que tratar como iguais os factos que são idênticos, e como diferentes os que efectivamente o são. O que não se pode fazer é reduzir as agressões contra os cristãos apenas a meras ‘explosões’ ou ‘acidentes’, e considerarem-se atentados contra a humanidade os actos em que as vítimas são de outra religião, ou de qualquer minoria, por razões de raça, crença ou orientação sexual.

Zahran Hashim, um dos bombistas suicidas dos ataques deste domingo de Páscoa no Ceilão, num vídeo que o Youtube não censurou e que a Embaixada da Resistência divulgou, disse: “quem discordar dos muçulmanos deve ser morto”. Contudo, a CBS, em vez de o considerar como um terrorista islâmico, expressão que poderia ser tida por islamofóbica, preferiu identificá-lo como um mero “extremista religioso”, expressão que já não é susceptível de ferir a fina sensibilidade muçulmana.  Com certeza que um terrorista islâmico é um extremista religioso, como também um padre católico é um líder religioso. Mas, por que razão, quando um presbítero da Igreja romana é condenado por abusos de menores, é sempre citado como padre católico e nunca como líder religioso?! Pelo contrário, se um crente em Alá e no seu profeta Maomé, mata cristãos pelo facto de o serem, é apenas um extremista religioso e não um terrorista islâmico …

Segundo dados recentes, divulgados pela organização Portas Abertas e referidos pela Rádio Renascença e pelo jornal espanhol ABC, em 2018 foram mortos, por ódio à fé cristã, 4.305 fiéis, à razão de aproximadamente uma dúzia por dia; foram detidos, também por aversão à sua religião, 3.125 cristãos; e 1.847 igrejas e outros edifícios cristãos foram destruídos, incendiados ou vandalizados. Desde 2015, já foram assassinados, por ódio à fé, pelo menos 19 mil cristãos em todo o mundo: só em 2016, foram mortos mais de 7000 crentes em Jesus Cristo. Os cristãos em geral e, em particular, os católicos, sofrem na actualidade uma das piores perseguições da sua bimilenar história.

Se é doloroso o ódio dos que, por motivos religiosos, assassinam cristãos e, em especial, católicos, não é menos vergonhosa a cumplicidade de alguns meios de comunicação social e de certos sectores da comunidade internacional.

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