Sim, eu sei que os ataques em que morrem centenas de cristãos são apenas ‘explosões’, ou ‘acidentes’, enquanto os actos em que são mortos muçulmanos, africanos ou, sobretudo, jornalistas são, por regra, horrendos atentados à liberdade, à democracia, à liberdade de pensamento e de expressão, ao pluralismo, à cultura, à civilização, à arte e a tudo o que há de mais sagrado e valioso no mundo.

Quando se deu, no passado dia 15 de Março, o massacre da mesquita de Christchurch, na Nova Zelândia, em que morreram cinquenta muçulmanos, não faltaram os protestos mais sentidos dos estadistas internacionais, nem a veemente reprovação dos principais meios de comunicação social. Ainda bem porque, actos desta natureza, venham de onde vierem e sejam quais forem os agressores ou as vítimas, são sempre condenáveis.

Mas, quando acontece um ataque que causou 360 mortos, sete vezes mais do que as vítimas mortais em Christchurch, e 500 feridos, como neste domingo de Páscoa, no Sri Lanka, já não há as mesmas manifestações de pesar, nem se reconhece que esses ataques foram perpetrados por terroristas islâmicos, que agiram por ódio à fé cristã. Um atentado particularmente cobarde, porque teve por alvo uma indefesa e pacífica minoria. Com efeito, a Igreja católica na distante Taprobana é residual: 6,1% de um total de 21,4 milhões de habitantes, na sua grande maioria budistas (72%) e hindus (12,6%). Os muçulmanos, 9,7%, são quase todos sunitas e poucos mais do que a totalidade dos cristãos (7,4%).

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