O pensamento imediato é de gratidão por ser mãe e assim poder agora ser avó. Ser mãe tem tudo de contraditório. Visto como decisão ou projecto, caracteriza-se pela incerteza e pelo risco: esperamos um filho cheio de saúde, mas pode nascer com problemas por vezes graves, pode-nos faltar dinheiro para o criar, pode o marido vir a abandonar a família, podem os filhos crescer e fazer escolhas que desiludam e certamente vão muitas vezes infernizar-nos a vida, tirar-nos noites de sono, impedir-nos de fazer programas fantásticos, eu sei lá…

No entanto ser mãe é maravilhoso. Eu não conheço uma única mãe que diga que não gosta de ser mãe. É aparentemente misterioso que algo tão complicado seja para nós mulheres tão grande fonte de felicidade.

Estive recentemente na apresentação do estudo levado a cabo pela Fundação Manuel dos Santos sobre as mulheres em Portugal e foi sem qualquer surpresa que vi nas suas conclusões que as mulheres portuguesas querem ser mães, que os filhos são um factor de felicidade e que a conciliação do tempo para o trabalho e para a família é o grande obstáculo para quem quer realizar o desejo de ser mãe.

Graças a Deus a minha filha e o meu genro abriram o coração à vida e contam com as suas forças e a ajuda da família para acolherem este filho e os outros que vierem. Mas quantos casais sentem esta liberdade para decidir ser pais? Quantos podem contar com uma família que os possa ajudar? Quantos desistem perante a adversidade e a incerteza do mundo do trabalho?

O nosso país está a precisar de crianças, de famílias que não sejam apenas procriadoras, mas sim verdadeiros lugares de amor, de acolhimento, de compreensão e de entrega. A disponibilidade para a família requer muito altruísmo, mas também condições de segurança e tranquilidade que permitam que os pais se abram ao desafio da vida e que depois cuidam da sua família com paz de espírito.

Há dinheiro para tanta coisa: aeroporto, web summit, obras de requalificação (em câmaras socialistas), já para não falar no dinheiro que se gasta para facilitar abortos em vez de se investir mais em ajudar as mães a ficarem com os seus filhos.

Não será já tempo de dar prioridade à família? Quantos mais degraus temos que descer na natalidade? Quanto mais temos que crescer em violência? Em desamor? Não é já evidente que os portugueses querem ser pais, constituir e cuidar das suas famílias, mas que lhes falta coragem por sentirem que o seu desejo não é acolhido com políticas adequadas? Que precisamos de um estado amigo que nos ajude nessa tarefa? Precisamos de creches a preços acessíveis, de flexibilidade laboral, de liberdade na escolha do projecto educativo para os nossos filhos, de uma carga fiscal que considere a dimensão da família.

Estou feliz, muito feliz, mas contemplando esta nova família que são a minha filha o meu genro e o meu neto não posso deixar de pensar em todas as mulheres que gostavam de ser mães e não se sentem com condições para isso, em todas as famílias que vivem cansadas e que por isso não crescem em harmonia e acabam desavindas.

Hoje sinto que é meu dever dizer que o estado está a falhar e que pode mudar. A política de apoio à família protege a sociedade, torna sustentável a segurança social, melhora a economia, e como se pode inferir do estudo que referi, aumenta a felicidade!

Mesmo que não me ouçam ou que ouvindo não me liguem, não desisto de dizer:

Queremos um Estado amigo da família!