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Seria porventura ajuizado trabalharmos colectivamente para sermos os melhores do mundo numa área onde, comprovadamente, já demos provas cabais da nossa excelência – o mar.

Em Portugal, sob o seu melancólico complexo de inferioridade, são regulares os apelos à dilatação da nossa autoestima, vindos das televisões ou da Presidência da República, passe a redundância.

A frase é – somos os melhores do mundo. Pode ser o já cansativo Cristiano Ronaldo, como poderia ser António Horta Osório ser etiquetado como o melhor banqueiro do mundo, ou António Damásio ser qualificado como o melhor investigador do mundo. Na essência, é o vazio.

Seria porventura mais ajuizado trabalharmos colectivamente para sermos os melhores do mundo numa área onde, comprovadamente, já demos provas cabais da nossa excelência – o mar.

E o que significaria sermos os melhores do mundo no mar? É sermos excelentes, referências e especialistas mundiais em diversas áreas: na pesca e na construção naval, no desenho e edificação de portos ou marinas, na investigação subaquática e no fabrico de pranchas de surf. E ganharmos muitas medalhas desportivas na vela, no surf e no remo, na pesca desportiva e na canoagem.

Olhando para a nossa História e para a nossa geografia é absolutamente incompreensível que assim não seja. A nossa incapacidade em planear e executar a longo prazo, com um rumo definido e imune às pequeninas guerrilhas político-partidárias é confrangedor. E terá que ser sempre assim? Teremos mesmo que nos tornar todos cínicos e derrotados e fecharmos a conversa com o proverbial e patético “é feito à portuguesa” como sinónimo de mal feito, inacabado, feito sem profissionalismo, sem cuidado.

O que seria necessário? Muita coisa, mas no centro está uma questão simples mas muito ampla e poderosa: exigência. Connosco e com os outros. Seria bom começar por aí. Poderíamos depois partir para questões triviais – subir a qualidade mínima da programação televisiva – até chegarmos a patamares mais elevados: reagir fortemente e como sociedade sempre que os governantes prevaricam, claudicam, fogem, iludem ou esbanjam.

O objectivo final: sermos reconhecidos como estando entre os melhores especialistas mundiais em todas as áreas relacionadas com o mar, tal como os suíços são reconhecidos especialistas em relojoaria ou na alta finança, os belgas como fabricantes de chocolates, os americanos como produtores de filmes ou os alemães como fabricantes de automóveis.

Como um especialista respeitado, Portugal deveria ser consultado sempre que o tema estivesse de alguma forma relacionado com o mar. E quando se aplica aqui a palavra Portugal, significa empresas, académicos, investigadores, institutos, consultores. A sociedade enfim.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

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