O espectáculo a que assistimos no fim-de-semana, durante a reunião magna do Bloco de Esquerda, foi deveras surpreendente e não menos constrangedor – imagino que, em especial, para os apreciadores do género.

Parece que o conclave tinha o nome de “convenção”, mas a mim só me ocorreu “candidatura espontânea” – uma candidatura a um emprego no Governo de Portugal (uma “luta pelo Governo”, como lhe chamou Catarina Martins), por certo imaginando-se, triunfante, na sala do Conselho de Ministros a gizar a nacionalização da banca e das comunicações ou a dar explicações à Ministra das Finanças sobre a necessidade de endurecer a perseguição fiscal a todos os proprietários, trabalhadores ou consumidores a quem a fortuna sorria com rendimentos superiores – o topete! – ao salário mínimo.

“Quem quer casar comigo?”, ecoava pelos corredores da convenção. “Quem quer casar comigo?”, debitavam as televisões, entusiasmadas.

Catarina Martins quer casar e apregoa isso mesmo aos quatro ventos. Sentiu o poder, cheirou o poder, viu o poder, apaixonou-se pelo poder. E agora quer o poder. Quer um cargo, um ministério, uma secretaria, uma função. Pudera! Até o Galamba conseguiu, que diabo! E é mais esquerdista ainda do que o Bloco!

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