A situação pela qual estamos todos agora a passar, vai trazer consigo alguns factores que irão marcar o retalho nos próximos tempos, com contornos incertos para todos os profissionais deste sector. A atual pandemia está a afetar todos os sectores de atividade de retalho com excepção dos bens de grande consumo.

O comércio sempre soube adaptar-se a todas as mudanças e situações, acredito que também irá saber adaptar-se a este novo tempo. Toda a crise, gera oportunidades. O que marca o momento em que vivemos e com enorme relevância é a velocidade e a rapidez com que essas mudanças irão ser necessárias. De um dia para o outro, as lojas físicas foram fechadas e de um dia para o outro, terão de abrir com regras totalmente novas, tanto para as lojas como para os seus funcionários e clientes.

Em praticamente dois meses, a distribuição das vendas físicas nas lojas versus on-line inverteram a tendência. O impulso das vendas on-line disparou, bem como a sua notoriedade, obrigando muitos negócios a adaptarem as suas operações para não fecharem em definitivo. Uma parte dessa força irá permanecer, não será transitória. No imediato as lojas físicas, os Centros Comerciais e os mercados, terão que alinhar as suas próprias estratégias de acordo com a saúde, a segurança e o comportamento das pessoas.

Agora, mais do que nunca, vamos querer tocar, sentir, viver, desfrutar do contacto físico e social, e isso obviamente abrange todas as lojas e o comércio físico. É aqui que precisamos de encontrar e aproveitar as oportunidades que irão surgir. A visita a uma loja ou um Centro Comercial será altamente valorizada por todos aqueles que costumam frequentar estes espaços.

O efeito de uma experiência numa visita a um Centro Comercial poderá agora fazer todo o sentido para recuperar os visitantes. Os desenvolvimentos tecnológicos serão essenciais. O comércio físico continua muito presente nas nossas vidas. Todos nós sentimos falta do nosso modo de vida de há dois meses atrás, dos nossos momentos de convívio e lazer em bares, restaurantes, passeios, desporto e, claro em “ir às compras”.

Quando as primeiras lojas de rua ou de um Centro Comercial (não contabilizando aquelas que nunca encerraram) abrirem as suas portas ao público, terão de demonstrar que são locais seguros para serem visitadas. É natural que tenham de sinalizar um caminho no seu interior, limitarem o número de entradas, possuírem desinfectantes para as mãos, eventualmente monitorizar a temperatura dos clientes e seguirem outras medidas que possam ser impostas pelo Governo.

Os departamentos técnicos e de marketing das lojas e dos Centros Comerciais, terão de estar mais do que nunca em sintonia e com grande proximidade. A segurança irá ser marcada pela aplicação de novos regulamentos que irão surgir, marcando a visita dos clientes a estes locais. Os departamentos de marketing deverão ser capazes de transformar essas restrições temporárias em pontos fortes, criando experiências ao cliente final. Pretendemos estar seguros durante o processo de compra, aproveitando ao máximo esse momento, regressando a casa com segurança após cada visita.

Em inúmeras localidades temos um comércio de rua muito estabelecido, forte e culturalmente muito enraizado. Quero acreditar que as restrições e os medos que no imediato possam surgir serão temporários. Algumas coisas irão mudar, será natural. Agora todos ansiamos por uma normalidade, que queremos ir buscar e desfrutar, assim que possível. No imediato, a criatividade, a inovação, a tomada rápida de decisões, com uma análise profunda da situação e de nós próprios, vão ter uma relevância enorme, onde a segurança irá assumir uma importância fundamental. O retomar dos negócios será uma prioridade para todas as empresas no curto prazo, onde a confiança do consumidor terá de voltar rapidamente.