Espanha

Idosos trocam lares para viver em residências com os amigos

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Os mais velhos não querem ser um fardo para os filhos mas também não querem viver fechados em lares. Em Espanha estão a ser criadas residências para "dar vida à idade". Velhos, e juntos.

"Em vez do meu filho se tornar independente, eu é que me tornei", diz um dos moradores de uma das residências

Carlos Rosillo/ El País

Não querem ser um fardo para os seus filhos mas também não querem viver fechados em lares aborrecidos. Depois de se reformarem, o que fazer? É simples. Aderir às novas residências criadas especialmente para a terceira idade. Quem disse que as residências eram apenas para os jovens, estava enganado.

A ideia está a crescer em Espanha, com oito projetos e vários a ser pensados, e é muito simples: passar a última fase das suas vidas rodeados de amigos. Assim, os idosos juntam-se em cooperativas e moram juntos, num “lar” que lhes permite maior à vontade e proatividade. O seu lema é “dar vida à idade“.

É o caso de Víctor Gómez e Cruz Roldán, como conta o El País. Conheceram-se numa excursão de caminhada à Serra Nevada há cerca de 46 anos. Uma vez questionaram-se: “Por que não envelhecemos juntos?”. Quinze anos depois, moram com as suas mulheres em Convivir, uma república autogerida na cidade espanhola de Cuenca. Vários amigos e familiares entusiasmaram-se com a ideia de viverem todos juntos e, hoje, são 87 idosos naquela república.

Em vez do meu filho se tornar independente, eu é que me tornei” diz Luis de la Fuente, outro morador.

A velhice chega cada vez mais tarde, mas pensa-se sobre ela desde cedo. Num estudo realizado pelo ministério da Saúde espanhol, em 2015, mais de metade dos inquiridos considerou pouco provável vir a viver num lar. Mas quatro em cada dez pessoas veem uma alternativa: O Cohousing. São moradias criadas e administradas pelos próprios idosos, que decidem entre si onde e como querem viver a sua reforma. As casas pertencem a uma cooperativa, mas podem ser deixadas de herança aos filhos.

As repúblicas para idosos, contam com todos os serviços de um lar tradicional. “Mas não ficamos sentados o dia todo numa cadeira entre desconhecidos“, explicou um dos moradores ao El País. Há uma oficina de risoterapia onde, juntos, se riem à gargalhada; aulas de ginástica e de macramé, entre outras. Muitas das aulas são dadas pelos próprios moradores. Tudo num ambiente jovem, é claro.

Vir para cá rejuvenesceu-me! É o bom de morar numa residência enquanto ainda estamos sãos” conta López.”Ajuda a não pensar quando chegará a nossa hora depois de termos parado de trabalhar”, disse Roldán ao El País.

Apesar deste tipo de moradia ser ainda recente, o arquiteto da eCohousing, Rogelio Ruiz, recebeu quase 1.000 pedidos de informação sobre este modelo de república, que deve cumprir os requisitos para o bem-estar dos idosos, como móveis sem quinas e botões de emergência nos quartos.

Achávamos muito estranho construir casas para pessoas que já não sabiam quem era, nem como queriam morar. Agora tomamos decisões em conjunto com eles. Se há alguém que trabalhou em jardinagem, opina sobre as áreas verdes da residência, se há uma antiga enfermeira, falar sobre como deve funcionar o área de saúde.

Os mais interessados nestas residências estão entre os 50 e os 70 anos. Nemesio Rasillo, um dos fundadores da residência Brisa del Cantábrico onde a idade média é de 63 anos, explica que tal se deve ao facto de “os mais idosos passarem a ficar ao cuidado familiar”. Nesta residência uma das regras é puder haver no máximo 15 pessoas nascidas no mesmo ano, para garantir a variedade geracional.

Cada residência tem as suas regras, mas uma habitual é que quando uma nova pessoa entra no projeto, parte do seu dinheiro vai para um fundo social. “Assim quando algum dos moradores precisa de algum tratamento especial, dividimos o encargo entre todos para não ser um gasto expressivo” explica Roldán.

Atualizado a 04 de novembro.

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