Reino Unido

Investigação revela encobrimento de teste de gravidez que terá deformado e morto bebés

Um teste de gravidez hormonal, tomado por mulheres britânicas nas décadas de 60/70, poderá ser responsável por malformações (e pela morte) de muitos bebés. A investigação foi divulgada pela Sky News.

iStockphoto/Chalabala

Uma investigação de seis anos da Sky News, sobre um teste de gravidez hormonal chamado Primodos, revela um grande encobrimento sobre os alegados efeitos secundários do medicamento. O documentário, que vai ser emitido esta terça-feira no canal de televisão britânico Sky Atlantic, mostra que vários documentos foram destruídos e que foi escondida informação sobre um medicamento que poderá ter deformado e morto bebés quando estes ainda estavam no útero.

Nos anos 1960/70 pensava-se que, caso a mulher estivesse grávida, as substâncias do medicamento seriam simplesmente absorvidas pelo corpo. Se não estivesse, o medicamento forçaria a menstruação. Atualmente sabe-se que uma dose do Primodos equivale a 13 pílulas do dia seguinte e a 40 contracetivos orais.

Uma parte do artigo, publicado este domingo na página online da Sky News, refere que 1,5 milhões de mulheres no Reino Unido tomaram Primodos, um medicamento alemão prescrito por médicos de família na fase inicial da gravidez, nos anos 1960 e 1970.

De acordo com a investigação feita na altura, muitas das mulheres que tomaram este medicamento sofreram abortos e outras milhares deram à luz crianças com membros amputados, deformações nos órgãos internos, danos cerebrais e malformações cardíacas. O autor do artigo, Jason Farrell, refere que muitas das crianças acabaram por morrer. As que sobreviveram ficaram com deformações para o resto da vida: algumas são surdas, outras cegas ou mudas.

A investigação cita um estudo descoberto juntamente com centenas de ficheiros armazenados há décadas nos Arquivos Nacionais de Berlim, na Alemanha. O estudo de janeiro de 1975, do médico William Inman, concluiu que os 1,5 milhões de mulheres a quem foram dadas Primodos eram cinco vezes mais prováveis de dar à luz crianças com deficiências do que se não tivessem tomado o medicamento.

Os dados de Inman chegaram apenas às mãos da fabricante do medicamento, a farmacêutica alemã Schering, que não tornou a informação pública. O contacto de Inman terá sido feito no sentido de a farmacêutica evitar problemas médico-legais. A Schering faz hoje parte da gigante Bayer, que garante que as provas que associam o uso do teste de gravidez hormonal às malformações são “extremamente fracas” e rejeita qualquer sugestão de encobrimento.

O artigo sugere ainda que o medicamento nunca foi testado — quer em animais quer em humanos — antes de ser dado às mulheres.

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