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Emprego

Estudo confirma desequilíbrios: há mais, mas piores empregos

Observatório avaliou a qualidade do emprego nos últimos quatros anos e confirmou cenário de instabilidade laboral: podem ter sido criados mais empregos, mas o seu valor diminui.

Armindo Mendes/LUSA

Maior instabilidade, empregos (ainda) mais precários, mais curtos e com piores salários: estas são algumas das conclusões-chave do estudo divulgado pelo Observatório sobre Crises e Alternativas que deixa um retrato marcado por “indicadores negativos” e preocupantes sobre a qualidade do emprego em Portugal.

De acordo com este barómetro, regista-se uma tendência de degradação da remuneração do trabalho, com a média de retribuição ilíquida dos novos contratos vigentes em maio de 2017 a fixar-se em 646 euros, um valor próximo do salário mínimo nacional (SMN) em vigor (557 euros). O mesmo estudo revela ainda uma tendência para a redução do peso dos contratos permanentes na estrutura geral do emprego. Por outro lado, nota-se o predomínio de uma grande variedade de contratos não permanentes, de baixa duração, muitos deles temporários ou com horários a tempo parcial, em permanente rotação para o mesmo posto de trabalho ou até para o mesmo trabalhador.

Carvalho da Silva, coordenador do estudo, considera estes “indicadores negativos” e exige um debate político sobre a qualidade do emprego em Portugal, afirmou à Rádio Renascença. “O que se observa é que mesmo os contratos permanentes têm uma queda muito grande. Comparando, por exemplo, 2011 com a atualidade: há uma perda na ordem do 20% do valor dos salários”, explica. Por isso, o sociólogo insiste na necessidade de gerar políticas de emprego que garantam o desenvolvimento sustentado da sociedade.

Criado pelo Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, o estudo do Observatório sobre Crises e Alternativas analisou mais de três milhões de contratos de trabalho celebrados entre Novembro de 2013 e Maio de 2017. Entre as suas conclusões, destaca-se ainda que 37% dos postos de trabalho, abertos desde 2016, eram pagos com o salário mínimo e que apenas 33% dos contratos de trabalho eram permanentes.

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