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Óbito

A jovem britânica que foi morta por viver amor proibido

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Uma jovem muçulmana de nacionalidade britânica foi raptada, violada e assassinada por viver um amor proibido. O crime está a chocar o Reino Unido.

O corpo da jovem foi encontrado dentro de uma arca frigorífica depois de ter sido brutalmente assassinada

Vibe Magazine/Twitter

Celine Dookhran, uma jovem muçulmana de nacionalidade britânica, foi raptada, violada e assassinada no dia 19 de julho no sul de Londres. “Crime de honra” para alguns, “homicídio sádico” para outros, a mulher de 20 anos foi morta por ter um amor proibido. As homenagens sucedem-se em todo o Reino Unido.

Foi na passada segunda-feira que a autópsia apontou “um corte incisivo no pescoço” como causa de morte da jovem muçulmana, conta a BBC. Na origem do crime estará o facto de manter um “relacionamento com um árabe muçulmano sem a aprovação pela família”, tendo em conta que esta era muçulmana indiana. A situação azedou ainda mais quando Dookhran mostrou intenção de se casar. Precisamente por causa desta suposta conduta imoral da jovem, alega-se a realização de um “crime de honra” – um ato de violência cometido por um ou mais membros de uma família contra uma pessoa do mesmo núcleo familiar.

O corpo da jovem foi encontrado dentro de uma arca frigorífica depois de ter sido brutalmente assassinada, segundo o jornal The Independent. Tinha sido raptada e amordaçada na própria casa, enquanto tomava banho. Com ela seria também sequestrada uma amiga de 21 anos, que foi esfaqueada durante o ataque e se encontra em estado grave, mas cuja identidade não foi revelada.

Mujahid Arshid, um dos suspeitos, foi detido no dia 24 de julho e presente a tribunal dois dias depois, para uma audiência preliminar sob acusação de assassinato, violação e sequestro de Dookhran e tentativa de homicídio da outra jovem. Ao detido de 33 anos juntou-se Vincent Tappu, acusado de raptar ambas as vítimas. Estão ambos em prisão preventiva e aguardam julgamento em janeiro de 2018.

Os perfis nas redes sociais foram eliminados mas, segundo a BBC, Celin Dookhran “era uma apaixonada por maquilhagem e oferecia conselhos aos seus seguidores”. Nas redes sociais espalharam-se as homenagens à jovem, entre as quais se pode ler: “Eras muito querida e nunca serás esquecida” ou ainda “Não merecias o que te aconteceu, que Alá te conceda um lugar no paraíso”.

“O meu coração está partido pela #CelineDookhran. Não há nada de honra em assassinar e violar uma jovem mulher por acreditar no amor. Que se lixe a religião”, escreveu uma utilizadora no Twitter, ao referir-se ao alegado “crime de honra”. Outro internauta escreveu: “Jovem muçulmana vê a sua garganta cortada porque a família não gosta do seu namorado. #CrimeDeHonra? Não, homicídio sádico”.

Estamos orgulhosos por tudo o que ela alcançou”, disse a família em comunicado. “Acreditamos que os culpados vão enfrentar a força da lei. Pedimos a todos que orem pelas vítimas e famílias”.

Os membros da família descreveram Celina Dookhran como uma “talentosa e amorosa” filha que lhes trazia alegria e felicidade.

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