Videojogos

Gran Turismo Sport: a celebração do desporto automóvel

O rei dos simuladores de corridas de automóveis está de regresso, num ano em que a competição é muito apertada. O Rubber Chicken traz-nos a avaliação de Gran Turismo Sport.

Gran Turismo Sport/Sony Interactive Entertainment

Num país como o nosso, Gran Turismo é, e sempre será, sinónimo de jogo de corrida. Com o incomparável domínio da PlayStation no nosso território (mesmo em períodos em que as vendas em Portugal estavam em contra-corrente com o resto do mundo), a proximidade do público português à marca da Sony e aos seus jogos tornam-nos pelo menos sucessos comerciais no nosso mercado.

2017 está a ser um ano estranho para os videojogos. Se a qualidade generalizada está tão elevada que os concorrentes a melhores do ano aparecem quase ao virar de cada esquina, também o regresso de alguns géneros menos “apostados” nos últimos anos tem-nos surpreendido.

O exemplo mais gritante é a súbita concorrência no espaço de poucos meses de três títulos “pesados” de jogos de corrida, depois de anos em que os driving games pareciam surgir sem grande fogo-de-artifício, pontuados com ações apontadas para um nicho de mercado.

Mas desde o exclusivo da Microsoft, Forza Motorsport 7 há poucas semanas, passando por Project CARS 2 da Bandai Namco, e terminando ontem com o lançamento de Gran Turismo Sport, o exclusivo da PlayStation 4, é pacífico dizer que há muito tempo que não tínhamos a guerra dos jogos de corrida tão inflamada quanto neste momento.

Depois da nossa conversa em Barcelona com o criador da série Gran Turismo, Kazunori Yamauchi, e depois do evento de pré-lançamento no Autódromo do Estoril com diversos pilotos históricos portugueses como Pedro Lamy, sabíamos de antemão que a aposta neste GT Sport iria ser a facilidade de acesso do público em geral à experiência de condução virtual, e a componente desportiva e competitiva sobre a vertente “colecionista” deste tipo de jogos.

Sem criar barreiras mecânicas, ou tornar o jogo um simulador hardcore de todo o ambiente automobilístico, GT Sport continua na tentativa de ser uma espécie de ponto médio entre uma abordagem mais direta aos jogadores, quase próxima de um estilo de jogo de arcadas, com a missão de emular a resposta e o feedback de cada carro e de diferentes estilos de condução.

Opondo-o diretamente aos dois competidores, é fácil de perceber que GT Sport talvez seja o mais acessível de todos, quase arcade, e no ponto extremo da comparação estará Project CARS 2 que vai a ponto de hiper-afinação dos muitos componentes do carro para nos adaptarmos às diversas pistas e condições climatéricas. GT Sport parece-nos ser dos 3 o jogo de carros que consegue apelar até a quem não é propriamente fã do género, mantendo muita da familiaridade que a série foi construindo desde a sua chegada ao mercado no final de 1997.

Visto que o jogo foi construído como exclusivo da PS4 e tendo como base a consola da Sony, sentimos que a capacidade de controlar os carros com o comando está afinada ao pormenor, contrastando com os seus competidores (em especial Project CARS 2) que quase parece exigir um volante para poder ser verdadeiramente usufruído.

Visualmente, GT Sport é aquilo que esperaríamos da equipa de Yamauchi: um dos melhores exemplos de realismo de modelação automobilística num videojogo, mantendo a tradição de deixar todo o mercado boquiaberto desde o primeiro jogo, e que tem aqui na versão 4K uma das mais surpreendentes produções para a consola da Sony. Seguindo a tónica de outros jogos em apostar na Realidade Virtual, GT SPort permite a utilização do PSVR de duas formas diferentes: a primeira, óbvia, a de podermos conduzir os carros na primeira pessoa em VR, e a segunda, mais interessante até, a de permitir “visitas” aos carros que possuímos no jogo como se de um stand virtual se tratasse.

Porém, comparar GT Sport com os seus concorrentes diretos acaba por demonstrar algumas fragilidades. Os cerca de 175 veículos que dispõe são um número surpreendente, mas apenas se Forza Motorsport 7 e os seus mais de 700 carros não forem tomados em consideração. A customização acaba por ser também uma das fragilidades deste jogo, com um espectro de alterações pré-definidos por cada carro.

O mercado e a pré-disposição dos jogadores mudaram muito nos últimos vinte anos, e as séries de videojogos de maior longevidade tiveram de se adaptar às novas realidades. Se recuarmos vinte anos e pensarmos no primeiro Gran Turismo para PlayStation lembramo-nos das horas de diversão que o jogo nos trouxe, em corridas contra a consola ou contra outros jogadores em ecrã dividido (possibilidade que ainda exise agora. Porém, neste GT Sport o conteúdo offline é curto, e quase que se resume a uma série de desafios de condução ao estilo (literal) de uma Escola de Condução para pilotos, numa preparação para os modos online, competitivos, que são o verdadeiro foco de todo o jogo.

É claro que é aqui que se centra toda a atenção dos developers, em modo multiplayer online que elevam a experiência desportiva de GT Sport, e que nos obrigam a estar sempre conectados à internet sob pena de termos grande parte do conteúdo bloqueado como medida anti-batota.

E é nos modos online que os seus criadores introduziram mecânicas que denotam os seus valores e a sua cultura. Visto que o jogo com as suas lições de condução e foco “ideológico” se centram no desportivismo entre pilotos, em cada corrida online somos avaliados pela forma como nos comportamos contra outros jogadores. Se conduzirmos de forma agressiva ou colidirmos com os restantes veículos adversários vamos ter uma penalização na nossa avaliação de desportivismo, e o próprio sistema vai tentar colocar jogadores “mal-comportados” a jogarem apenas entre si, até que a sua educação na estrada os permita ser emparelhados com jogadores igualmente educados.

GT Sport é um bom jogo de corrida, e indubitavelmente o mais acessível para qualquer jogador, assim como aquele que visualmente é o mais surpreendente, ainda que à semelhança dos seus dois competidores diretos não possua clima e passagem das horas dinâmicas, o que poderia ainda elevar a perceção do seu brilhantismo visual (e da experiência de condução). Com três jogos dentro do mesmo género tão fortes, mas com abordagens tão díspares ao mundo do automobilismo, a escolha de cada recairá do tipo de experiência que quererá retirar deste tipo de jogos. É o jogo para o qual os maiores aficionados e preciosistas dos automóveis poderão achar limitado, mas é ao mesmo tempo o jogo de corridas mesmo para quem não gosta de jogos de carros.

GT Sport está disponível em exclusivo para a PlayStation por 69,99€.

Ricardo Correia, Rubber Chicken

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