Francisco Assis falou de Europa. Disse que era preciso mudar na Europa, mas também mudar em Portugal, porque, na campanha socialista, as duas coisas não são separáveis. No início da semana final de campanha, em frente a António José Seguro que o acompanhou de manhã nas ruas, elogiou a atitude do secretário-geral do PS, quando no ano passado recusou o consenso de médio prazo pedido pelo Presidente da República.

“Ainda bem que o PS, que o secretário-geral do PS, não cedeu aos apelos, tantas vezes que lhe foram dirigidos por esta maioria parlamentar e até pelo Presidente da República para aceder a participar num consenso em torno de um projeto errado que está a conduzir o país para um verdadeiro desastre nacional. Porque o consenso é outro. Começa a ganhar corpo e expressão em torno de uma politica séria e exigente da gestão das finanças públicas”, disse no almoço-comício em Soure.
Antes, Assis defendeu que é necessário alargar o Orçamento da União Europeia e para financiar esse alargamento, sugere a criação de uma taxa sobre as transações financeiras, uma proposta aliás, que já foi apresentada várias vezes no Parlamento pelos partidos da esquerda.

Na colagem entre as europeias e a situação do país, o candidato socialista não deixou de responder ao cabeça de lista da coligação Aliança Portugal, que insiste em relembrar que foi José Sócrates quem pediu o resgate financeiro: “Quando vejo o dr. Paulo Rangel, candidatos da coligação e o primeiro-ministro dizerem que o grande objetivo deles é impedir que Portugal regresse ao passado, então temos de dizer uma coisa muito simples: quem levou de novo Portugal para o passado foi este Governo e esta maioria. Porque a nossa economia regrediu muitos anos, os rendimentos das pessoas regrediram muitos anos, porque a qualidade dos serviços prestados pelo Estado regrediu muitos anos. Nós, de facto, não queremos voltar para o passado, nós voltamo-nos para o futuro”.

Seguro cola eleições europeias à situação nacional

O líder do PS frisou esta segunda-feira que para o PS “não há uma política europeia e uma política nacional”. António José Seguro passou uma boa parte do discurso que fez ao lado de Francisco Assis a explicar que para os socialistas tem de haver uma boa combinação entre as duas dimensões e que quem assim não acha, é porque tem “uma visão passada”.
Seguro respondeu a quem o criticou por apresentar o programa Novo Rumo em plena campanha para as europeias: “É por isso que ao mesmo tempo que o primeiro-ministro diz que o PS apresenta as bases do programa para o Governo numa altura de eleições para as europeias… eles não percebem que a coisas estão interligadas. Não entendem que a política europeia e a política nacional exigem a mesma resposta para as mesmas prioridades. Não há uma política europeia e uma política nacional, bem pelo contrário. Esse tempo é um tempo passado, uma visão passada a de entender que uma coisa é a Europa, outra somos nós. É por isso que estas eleições são tão importantes”.
A apresentação de programas quer pela parte do PS, quer pelo Governo, tem sido tema de campanha. Na semana passada o PCP chegou a fazer uma queixa à Comissão Nacional de Eleições quando o Governo marcou o Conselho de Ministros extraordinário para apresentar o programa de crescimento de longo prazo, no dia que marcou a saída da troika.

A segunda semana de campanha do PS começou com Seguro a fazer uma espécie de ensaio para as legislativas. Sozinho, na lota da Figueira da Foz, teve tempo para tomar o pequeno-almoço e falar com pescadores, que se queixaram das condições da pesca.

Pouco depois, chegado à lota, Assis aproveitou para responder às críticas de Paulo Rangel, que acusou os socialistas de serem “vírus”. “Esse tipo de discurso é inútil. Acho que já ninguém está disposto a ouvi-lo. Era bom que [Paulo Rangel] dissesse alguma coisa de substancial”.

A caravana da campanha seguiu para Soure, para a visita a uma feira e para almoço-comício.