Se as eleições europeias fossem esta quinta-feira, o Partido Socialista ganharia e a coligação Aliança Portugal do PSD/CDS ficaria em segundo lugar. É praticamente esta a única certeza que há nas sondagens divulgadas quinta-feira pelo Diário de Notícias e pelo i. Mas é quase só nisso que os dois estudos de opinião coincidem.

As diferenças começam logo na percentagem de votos obtida pelo PS. Na sondagem da Universidade Católica para o DN, JN, RTP e Antena 1, o partido de Francisco Assis alcança 34%, escassos quatro pontos percentuais à frente da coligação liderada por Paulo Rangel e Nuno Melo. Na sondagem da Pitagórica para o i a vantagem dos socialistas é mais acentuada: 36,6% face a 29% do PSD e do CDS. Em termos de mandatos, isto traduz-se em oito a dez eurodeputados para o PS e em sete a nove para a Aliança Portugal.

Outro ponto comum a ambas as sondagens é o terceiro lugar da CDU, que no DN obtém 12% dos votos e no i 9,4%. Depois começam as surpresas: o i dá Marinho e Pinto com 5,6% das intenções de voto, o que o coloca em posição elegível para o Parlamento Europeu. Também o DN refere o “fenómeno” Marinho e Pinto, destacando que o ex-Bastonário da Ordem dos Advogados poderá obter um lugar europeu.

A diferença está na votação do Bloco de Esquerda. Para a sondagem do DN o BE continua a ser a quarta força política, com 5% – elegendo apenas um parlamentar -, ligeiramente abaixo do que prevê o i, que dá ao partido de Marisa Matias 5,5% das intenções de voto – abaixo, portanto, do MPT de Marinho e Pinto e não muito longe da fasquia que permite eleger um deputado. O i aponta, contudo, para um pormenor relevante: na realização da sondagem foi dito aos inquiridos que o ex-Bastonário se apresentava na lista do MPT, o que levanta a dúvida sobre se, no domingo, os eleitores associarão o símbolo do partido ao rosto de Marinho e Pinto.

Dos pequenos partidos, o destaque vai para o Livre, de Rui Tavares, que em nenhuma das sondagens obtém percentagens suficientes para a eleição de um deputado, mas que se posiciona no estudo da Universidade Católica à frente do PCTP/MRPP (obtendo 2% das intenções de voto face a 1% do partido de Garcia Pereira). O i não fornece dados sobre o Livre.

A previsão de abstenção da sondagem da Católica é de 48%, um valor alto para este tipo de estudos mas abaixo dos valores que se deverão registar no domingo.