É uma das conversas mais recorrentes quando os analistas tentam explicar a elevada abstenção nas eleições: quando chove, a vontade é ficar em casa; se está calor, programa-se uma ida à praia.  Qualquer plano parece ser mais apelativo do que ir votar para as eleições europeias. Tem sido assim para a maioria dos eleitores – desde os anos 90 que a abstenção nas europeias tem estado acima dos 60% em Portugal. Desta vez, segundo do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, não há uma, nem outra desculpa: no domingo não vai chover – mas o frio também não convida a ir para a praia.

Foi nas eleições de 1994 que o tema fez capa de um jornal: no dia do ato eleitoral, o Público escolheu para imagem central uma ilustração de uma praia cheia de gente, mas onde, em vez de gelados ou bolas de berlim, o vendedor de praia levava uma urna de voto. Nesse dia atingiu-se temperatura máxima de 31,2º C em Beja. A abstenção, essa, disparou para os 64,46%, a mais alta de sempre.

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Em europeias, na escala das temperaturas, ainda há registo de um dia mais quente: foram 38,5º C (registados em Santarém), em 2004. A abstenção foi, nesse dia, de 61,40%.

“Há estudos que indicam que as condições climatéricas muito más geram abstenção”, disse ao Observador o politólogo Pedro Magalhães, admitindo que sem chuva torrencial, nem bom tempo para ir à praia, talvez a abstenção seja menor.

Para este domingo, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) não prevê chuva e as temperaturas andarão entre os 11 e os 16º C. A sondagem desta quinta-feira da Universidade Católica aponta para uma abstenção de cerca 48%, a mais baixa desde as eleições intercalares de 1987. Em 2009, no dia do último ato eleitoral para o Parlamento Europeu, houve alguns períodos de chuva fraca e as temperaturas mais baixas desde 1989 – entre 18,1 e 25,2º C. E mesmo assim a abstenção atingiu o segundo valor mais alto, 63,22%.

Mas, anota Pedro Magalhães, as sondagens não devem ser levadas demasiado a sério, sobretudo no que respeita às previsões da abstenção – quem não vota, ou não responde às sondagens ou mente para não parecer mal. O caso é semelhante ao das previsões do IPMA: são prognósticos e não certezas.