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Com a vitória em oito países europeus, o Partido Popular Europeu (PPE) foi globalmente o vencedor das eleições europeias e Jean-Claude Juncker, o seu candidato para presidente da Comissão, vai ocupar o lugar de Durão Barroso. Mas vai mesmo? Há dúvidas em relação à preferência de vários chefes de Estado e Governo sobre quem gostariam de ter nesse lugar, assim como a possibilidade dos socialistas negociarem uma maioria e terem o aval de Merkel. As eleições europeias são só o primeiro passo para um processo que vai decorrer até Outubro: organizar o novo Parlamento Europeu e a nova Comissão Europeia.

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Ainda estavam alguns votos por contar quando Jean-Claude Juncker, ex-primeiro-ministro luxemburguês, reivindicava a vitória da sua família política e o seu direito à presidência da Comissão. Mas Martin Schulz, candidato do Partido Socialista Europeu, veio logo dizer que no novo Parlamento Europeu, apesar de ter menos lugares que o PPE, ainda há possíveis coligações que lhe podem dar a maioria dos eurodeputados. Uma nova geometria que poderá tornar indispensáveis entendimentos entre diferentes famílias para travar as possíveis forças de bloqueio que possam vir a formar na extrema-direita.

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O Conselho Europeu, que propõe o nome do presidente da Comissão, aprova-o através de maioria qualificada. Esta decisão tem de reunir 55% dos Estados-Membros, incluindo pelo menos quinze deles, e representando simultaneamente pelo menos 65% da população da União. Este órgão reúne já amanhã à noite num jantar informal para analisar os resultados destas eleições e começar a discutir nomes para a sucessão de Durão Barroso. Os líderes do PPE reúnem-se umas horas antes e Passos Coelho estará presente. Mas Juncker pode não ser a escolha óbvia e ele sabe-o.

Pela primeira vez e devido às alterações introduzidas pelo Tratado de Lisboa, estas eleições vão ter uma influência direta na escolha do próximo presidente e embora os números apontem para Juncker, Viktor Órban, primeiro-ministro húngaro e pertencente ao PPE, já veio dizer que a sua eleição não é assim tão linear. “Pensamos que ele [Juncker] não deve liderar a Comissão” disse o governante à televisão húngara assumindo que não apoiou internamente o luxemburguês para candidato do PPE e não o vai apoiar no Conselho. Também o Reino Unido, França e a própria Alemanha não estarão completamente de acordo com a nomeação. Questionado sobre o apoio de Merkel – que muitos apontam que pode preferir Schulz ou Christine Lagarde para presidente da Comissão -, Juncker disse na noite de domingo que a posição de apoio da chanceler é “clara como água”.

Embora haja quem o prefira como possível sucessor de Herman Van Rompuy, atual presidente do Conselho, Juncker quer ser a figura de topo em Bruxelas. Para isso, o trabalho inicial do ex-primeiro-ministro do Luxemburgo é assegurar a solidez do seu grupo político no Parlamento Europeu, procurar apoios – possivelmente junto dos liberais ou dos conservadores – e consolidar a sua posição de modo a forçar a nomeação no Conselho. Mas os socialistas não lhe vão dar descanso. Martin Schulz ainda está à procura dessa vantagem e o próximo mês vai ser decisivo com negociações no PE para a formação dos grupos e das possíveis coligações.

Uma posição comum entre todos os candidatos à presidência da Comissão – Guy Verhofstadt, Alexis Tsipras, Ska Keller e Jose Bové também estavam na corrida -, é que o Parlamento não aceitará um nome fora dos que se apresentaram às eleições indicados pelas grandes famílias políticas. Um facto que pode levar a um impasse com Conselho em Julho, já que a aprovação final do presidente da Comissão, assim como dos comissários apontados por cada país, cabe ao Parlamento Europeu.