Bowe Bergdahl, um sargento norte-americano detido durante quase cinco anos no Afeganistão, foi trocado este sábado por cinco dirigentes taliban afegãos que estavam na prisão de Guantánamo, após meses de negociações indiretas mediadas pelo Qatar.

A notícia foi confirmada pelo Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. “Hoje o povo americano está contente por poder em breve ter de volta a casa o sargento Bowe Bergdahl, que esteve cativo durante quase cinco anos”, pode-se ler num comunicado emitido pela Casa Branca, no qual também é proferido um agradecimento ao emir do Qatar e ao governo afegão pela colaboração durante todo o processo de libertação de Bergdahl.

De acordo com o Washington Post, o acordo de libertação do soldado norte-americano envolveu a entrega de cinco taliban transferidos de Guantánamo para o Qatar, onde ficarão sujeitos a restrições de movimentos, incluindo a proibição de viajarem durante um ano. Segundo a BBC, três dos taliban que foram libertados ocuparam cargos ministeriais: Mohammad Fazl foi vice-ministro da Defesa e foi acusado da morte de milhares de muçulmanos xiitas; Khirullah Khairkhwa, ex-ministro do Interior e governador de Herat, uma cidade no oeste do Afeganistão; e Abdul Haq Wasiq, que foi vice-ministro das Informações, a quem é atribuído algum destaque na formação de alianças com outros grupos fundamentalistas islâmicos contra os Estados Unidos da América. Os outros dois são Mullah Norullah Noori, comandante militar e governador, e Mohammad Nabi Omari, que esteve alegadamente envolvido em ataques contra forças internacionais.

Uma fonte da Defesa dos Estados Unidos contou ao Washington Post que, já a bordo do helicóptero que o recolheu num lugar não identificado no leste do Afeganistão, Bergdahl escreveu num prato de papel “SF?”, questionando se os militares pertenciam às forças especiais. “Sim”, respondeu um deles, “há muito tempo que andamos à tua procura”. Bergdahl chorou.

Bowe Bergdahl, natural do estado do Idaho, foi capturado a 30 de junho de 2009, dois meses depois de ter chegado ao Afeganistão. Durante os cinco anos que esteve em cativeiro, foram divulgados diversos vídeos provando que estava vivo.