António José Seguro defende que o candidato do Partido Popular Europeu (PPE), Jean-Claude Juncker, deve ser o sucessor de Durão Barroso na presidência da Comissão Europeia e pediu, em troca, a Passos Coelho para conversar sobre o comissário português que o líder do PS considera que deve ser socialista, uma vez que este partido ganhou as recentes eleições europeias.

No debate preparatório do Conselho Europeu realizado esta manhã no Parlamento, Passos Coelho “congratulou-se” com a posição do líder do PS e garantiu que vai falar com Seguro sobre a nomeação do comissário, mas deixou logo um aviso: dar o comissário ao PS, seria como se em França, Marine Le Pen, que ganhou as eleições, fosse indicada para comissária. “E não me parece que o defenda, não é verdade?”, disse Passos virando-se para Seguro.

Juncker a presidente

No debate preparatório do Conselho Europeu, António José Seguro começou assim por defender a eleição de Jucker: “Para os democratas, não há outro critério: quem ganha as eleições é que deve indicar o candidato”, disse o líder do PS justificando o apoio com o facto de os partidos do PPE terem reunido o maior número de votos no conjunto dos estados-membros nas eleições europeias de 25 de maio.

Apesar de o PS ter vencido as europeias em Portugal, e de Seguro ter apoiado sempre o candidato do Partido Socialista Europeu Martin Schulz, Seguro afirma agora que, face à vontade da maioria europeia, o candidato deve ser o nome escolhido pela família política vencedora, o PPE. Na resposta, o primeiro-ministro “congratulou-se” com a posição de Seguro, voltando a dizer que Portugal tem uma “obrigação moral” para com os eleitores, uma vez que o PPE foi a força política mais votada.

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A posição do Governo português sobre esta matéria já era conhecida, mas Passos Coelho reiterou-a esta manhã durante o debate preparatório do Conselho Europeu de 26 e 27 de junho, onde a nomeação do candidato deverá ser um tema quente. Apesar das divergências no seio da Europa, com o movimento anti-Juncker a ser liderado pelo primeiro-ministro britânico David Cameron (que conta já com o apoio de países como a Suécia, a Hungria e a Dinamarca), o primeiro-ministro afirmou esta sexta-feira ter a “a expectativa” de que da próxima reunião do Conselho Europeu o assunto fique resolvido.

“Estou convencido de que Jean-Claude Juncker será um excelente presidente da Comissão Europeia, sucedendo assim ao presidente Durão Barroso, que ocupou esse lugar nos últimos dez anos”, disse Passos, acrescentando que acredita ser essa também a visão da “quase totalidade” do Parlamento português.

Depois de Seguro, também Ribeiro e Castro (CDS) afirmou a naturalidade de a escolha recair sobre Juncker, dizendo que “seria dramático” se o Conselho Europeu “batesse a porta na cara dos cidadãos” que votaram maioritariamente em partidos do PPE. O mesmo foi defendido por António Rodrigues, do PSD, que até considerou Juncker como “um amigo de Portugal”.

João Semedo, líder do Bloco de Esquerda, foi a voz mais sonante contra a “péssima escolha” do ex-primeiro-ministro luxembuguês, que diz ser demasiado europeísta e que a Europa precisa é de mudança e não de continuar com as mesmas políticas que tem aplicado até aqui. E puxa os resultados eleitorais de 25 de maio para dizer que mostram uma descrença nas instituições europeias e que “o que a UE precisa é de um presidente que mude e não que perpetue as políticas da Europa”.