Uma associação de defesa do direito à posse e ao porte de armas americana publicou um livro infantil que visa, segundo os autores, preencher um vazio nesse segmento de mercado: os pais da protagonista da história são defensores do uso de armas e transportam-nas abertamente à cintura.

My Parents Open Carry conta a história de Brenna Strong, de 13 anos, e dos seus pais, que passam um “sábado típico a fazer recados e a divertir-se”, como ocorre em muitos outros livros infantis. “O que já não é tão típico é que os pais de Brenna andam legalmente armados para efeitos de autodefesa”, explicam os autores, Brian Jeffs e Nathan Nephew, num vídeo promocional do livro.

“O nosso objetivo”, afirmaram Jeffs e Nephew numa entrevista à Armed American Radio – emissora abertamente a favor do porte e utilização de armas de fogo – “era criar um livro familiar saudável que refletisse a visão da maioria do povo americano, isto é, que a autodefesa é um direito natural básico e que as armas de fogo são o meio mais eficaz para essa defesa”. Uma visão que, dizem, ainda não estava presente em livros infantis. “Procurámos livros para crianças pró-armas e não encontrámos nenhum”, referem.

A segunda emenda da constituição dos Estados Unidos da América prevê a legalidade da posse e do porte de armas, um tema sensível no país, onde, nos últimos anos, cenas de tiroteios em escolas e outros locais públicos têm sido frequentes. O presidente Barack Obama tem, aliás, tentado impor novas restrições à compra de armas de fogo, o que tem colhido alguma oposição. “Receamos que as nossas crianças estejam a crescer com uma visão enviesada da nossa constituição, especialmente no que diz respeito à segunda emenda”, pode ler-se no site do My Parents Open Carry, onde é possível encomendar uma cópia do livro e, “por um tempo limitado” receber um exemplar de Raising Boys Feminists Will Hate! (“Criar rapazes que as feministas vão odiar”, em tradução livre).

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Se, como dizem os autores no site do livro, este está a merecer comentários positivos como sendo “delicioso” e “marcante”, há também críticas negativas, nomeadamente de Elizabeth Law, editora de livros infantis, que diz ter ficado “sem palavras”.

De acordo com um estudo publicado numa revista pediátrica americana em janeiro, cerca de 10 mil crianças são feridas ou mortas devido a incidentes com armas de fogo nos Estados Unidos.

Este é um excerto do livro, onde o pai de Brenna explica a uma outra personagem que as armas são tão perigosas como os automóveis ou as serras elétricas e acaba, “partilhando a sua frase favorita: ‘Quando os segundos contam, a polícia está a minutos de distância'”.